o sendeiro leguminoso

"Mas houve mais de um punhado de vezes em que acordei e deparei com a cama vazia.
Fiz as habituais deduções sobre para onde ele podia ter ido, pelo menos em relação às ausências mais curtas. Havia também a questão delicada de estarmos ambos a trilhar o 'sendeiro leguminoso', em termos de regime alimentar, para usar a expressão dele, de maneira que tínhamos de lidar com uma certa flatulência, pura e simples flatulência. Parecia ser cíclica, mas existia indubitavelmente. Nos primeiros dias de vida em comum, tínhamos individualmente arranjado pretextos para ir lá fora um minuto, especialmente depois de nos termos deitado, para evitar o antirromantismo da coisa toda. Mas isso tornou-se demasiado pesado e acabámos por criar um modo de estar bastante aceitável, pareceu-me. Quando era eu a autora do ruído, ele dizia, por exemplo: 'Also sprach' Zarathrustra, ou Ah, um relatório do interior, como se ele fosse um embaixador ou procônsul. À medida que nos fomos sentindo mais à vontade um com o outro, inventámos outras expressões. Esta questão tem, de facto, de ser trabalhada entre amantes. Conheço um casamento em que a primeira brecha que levou ao colapso total surgiu quando o marido declarou que a flatulência só era um problema quando era ele a cozinhar."
Norman Rush, Acasalamento

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