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mindful nostalgia / the conflict between Nature and Civilization / do reino do limbo / God is dead / trajectórias / o Futurismo já era!

Aguirre, The Wrath of God - Werner Herzog

"Já não há diques que regulem, articulem ou deem ritmo ao fluxo do tempo, que possam detê-lo e guiá-lo, sustentando-o, no tão belo duplo sentido da palavra. Quando o tempo perde o ritmo, quando flui no aberto sem se deter sem rumo algum, desaparece também qualquer tempo apropriado ou bom.

[...] "Morrer a tempo, eis o que ensina Zaratustra. Mas como há-de morrer a tempo quem nunca viveu a tempo?" O homem perdeu completamente o sentido deste a tempo. Cedeu ao destempo.

[...] Tanto Nietzsche como Heidegger se opõem à fragmentação do tempo, que reduz a morte a um perecer a destempo.

[...] Deus funciona como um estabilizador do tempo. Assegura que o presente seja duradouro, eterno.

[...] A promessa, o compromisso ou a lealdade, por exemplo, são práticas temporais autênticas. Formam um vínculo com o futuro e entrecruzando-os. Criam assim uma continuidade temporal estabilizadora.

[...] Os deuses não são mais do que portadores de sentido.

[...] A relação que se narra gera sentido. A narrativa cria mundo do nada. O que está cheio de deuses está cheio de sentido, cheio de narrativa.

[...] Não é a eterna repetição do mesmo o que dota o tempo de sentido, mas a possibilidade de uma mudança.

[...] O curso da história não é determinado pelo progresso, mas pela repetição.

[...] A aceleração só se impõe enquanto tal quando o tempo perde a sua significatividade histórica, o seu sentido. Tematiza-se ou transforma-se em problemática quando o tempo é arrastado para um futuro vazio de significado.
O tempo mítico funciona como uma imagem. O tempo histórico, em contrapartida, tem a forma de uma linha que se dirige, ou se precipita, para um fim. Quando a linha perde a tensão narrativa ou teleológica, decompõe-se em pontos que tropeçam sem direção alguma. No fim da história, gera-se uma atomização do tempo, que o transforma num tempo de pontos. O mito desaparece para sempre da história. A imagem estática transforma-se numa linha sucessiva. A história cede lugar às informações. Estas não têm qualquer amplitude ou duração narrativa. Não estão centradas nem seguem uma direção. De certo modo, apoiam-se sobre nós. A história ilumina, seleciona e canaliza a trama dos acontecimentos, impõe-lhe uma trajectória narrativa linear. Se esta desaparece, forma-se uma amálgama de informações e de acontecimentos que tropeça sem direção. As informações não têm aroma. Nisso diferem da história.

[...] a informação apresenta um novo paradigma. No seu interior, habita outra temporalidade muito diferente. É uma manifestação do tempo atomizado, de um tempo de pontos.
Entre pontos, abre-se necessariamente um vazio, um intervalo vazio, no qual nada sucede, não se produz sensação alguma. O tempo mítico e histórico, em contrapartida, não deixam qualquer vazio, uma vez que a imagem e a linha não têm intervalo algum. Constroem uma continuidade narrativa. Só os pontos deixam um intervalo vazio. Os intervalos, nos quais nada sucede, causam tédio. Ou apresentam-se como uma ameaça, uma vez que onde nada sucede, onde a intencionalidade se reduz a nada, está a morte. Deste modo, o tempo de pontos sente o impulso de suprimir ou encurtar os intervalos vazios.

[...] A falta de tensão narrativa faz com que o tempo atomizado não possa manter a atenção de maneira duradoura. [...] O tempo de pontos não permite qualquer demora contemplativa. [...] A narrativa dá aroma ao tempo.

[...] A falta de uma articulação forte do tempo dá lugar à sensação de que aquele corre mais rapidamente do que antes. Esta sensação intensifica-se porque os acontecimentos se desprendem depressa uns dos outros, sem deixarem marca profunda, sem chegarem a tornar-se uma experiência.

Byung-Chul Han, O Aroma do Tempo

Touch: The Science of Hand, Heart and Mind



David Linden foi mencionado por Aaron Ahuvia na sua palestra do Fórum do Futuro, Porto 2015.

"Our expectation and our context have enormous influence over the way we perceive things."
[min 46]

"The experience of pain can be drastically modulated by one's attentional resources and by the emotional factors surrounding the situation. In neural terms this means that, in particular, the emotional pain center, the posterior insula, is receiving inputs from cognitive regions like the frontal cortex, that are either ramping the perception up or down." [min 39]

Zen and the Samurai


"One who knows, speaks not a word, while one who speaks, knows not"

On the Importance of Drawing

Study of a Peacock’s Breast Feather, John Ruskin, 1875

‘Let two persons go out for a walk; the one a good sketcher, the other having no taste of the kind. Let them go down a green lane. There will be a great difference in the scene as perceived by the two individuals. The one will see a lane and trees; he will perceive the trees to be green, though he will think nothing about it; he will see that the sun shines, and that it has a cheerful effect; and that’s all! But what will the sketcher see? His eye is accustomed to search into the cause of beauty, and penetrate the minutest parts of loveliness. He looks up, and observes how the showery and subdivided sunshine comes sprinkled down among the gleaming leaves overhead, till the air is filled with the emerald light. He will see here and there a bough emerging from the veil of leaves, he will see the jewel brightness of the emerald moss and the variegated and fantastic lichens, white and blue, purple and red, all mellowed and mingled into a single garment of beauty. Then come the cavernous trunks and the twisted roots that grasp with their snake-like coils at the steep bank, whose turfy slope is inlaid with flowers of a thousand dyes. Is not this worth seeing? Yet if you are not a sketcher you will pass along the green lane, and when you come home again, have nothing to say or to think about it, but that you went down such and such a lane.’
John Ruskin
Aqui

Mente jovem em corpo jovem / When you're mindless, you're mindless



“She’s one of the people at Harvard who really gets it,” Rediger told me. “That health and illness are much more rooted in our minds and in our hearts and how we experience ourselves in the world than our models even begin to understand.”
Mais, aqui
Sobre Ellen Langer

Daydreaming / piloto automático



Leonard M. Giambra
Jerome L. Singer
David Chalmers
Franz Brentano
Eric Klinger
Charles Schreiber
Jonathan Schooler

The Case for Doing Nothing



Expanding Levels of The Consciousness:

• Non-conscious -
----- • Information that is entirely outside of awareness.

• Experience -
----- • The contents of consciousness.  Is the on going continuously changing state of mind that an individual apprehends through out his/her waking day. Experience is defined by change, and change requires a flow of time.

• Meta-awareness -
----- • Ones explicit understanding of their conscious experience. Mental departures from the here in now in which individuals attention is directed away from the task at hand (while driving, reading, dancing...)
------------ • The basis of introspection and self-reports

----- • Often neglects or misrepresent experience. 

AND... indeed, mindfulness seems to be the opposite of mind wandering (aos 48min)

AND... There is a correlation between mind wandering and creative performance (aos 1:00:00 min)

"Certainly cognitve psychology has suffered from this problem of third person perspective. [...] And there are, likely, situations where psychology continues to make the error of excessively relying on self reports that are not necessarily valid."

– Mind wandering and multi-tasking



Mindfulness vs "baixar a guarda" / Água mole em pedra dura...






"Não estou aqui a inventar nada de novo, mas sim a esquematizar um mecanismo prático deduzido a partir daquilo que presumo serem as operações neutrais de decisão e de acção. Durante milénios, chefes sagazes optaram por uma solução semelhante ao pedirem aos seus seguidores que observassem rituais disciplinados cujo efeito secundário terá sido uma imposição gradual de decisões tomadas conscientemente sobre processos de acção não-conscientes. Não admira que muitas vezes esses rituais envolvessem a criação de emoções exaltadas, até mesmo dor, um modo de gravar o mecanismo desejado na mente humana. No entanto, aquilo que estou a imaginar vai muito além dos rituais religiosos e cívicos, englobando questões da vida diária ligadas a diversas áreas. Estou a pensar, especificamente, em questões de saúde e de comportamento social. Os nossos conhecimentos insuficientes sobre os processos não-conscientes talvez expliquem, por exemplo, o motivo por que muitos de nós falham por completo quando se trata de fazer o que supostamente deveria ser feito em relação à dieta e ao exercício. Pensamos ter o controlo, mas é frequente não o termos, como o comprovam as epidemias de obesidade, hipertensão e doenças cardíacas. A nossa constituição biológica leva-nos a consumir o que não devemos, mas o mesmo pode ser dito das tradições culturais que se foram inspirar nessa constituição biológica e que foram moldadas por ela, e mesmo da indústria da publicidade que a explora."


António Damásio, in O Livro da Consciência