Showing posts with label tempo. Show all posts
Showing posts with label tempo. Show all posts

We are quantic stardust

 A realidade, obviamente [e ainda bem] subjectiva, "só tem valores determinados quando interage com alguma coisa" como, por exemplo, na procura de pontos de referência (extrapolando para a realidade mundana).

Algo passa a fazer sentido, ou deixa de fazer sentido, quando nos colocamos em determinado ponto de observação. 


#oMundoÉquânticoEaindaBem

#ListenToTheScience 

#NadaSeCriaNadaSePerde

#WeAreStardust

#ReflexõesDomingueiras


Burnt Norton - T. S. Eliot

Time present and time past
Are both perhaps present in time future
And time future contained in time past
If all time is eternally present
All time is unredeemable
What might have been is an abstraction
Remaining a perpetual possibility
Only in a world of speculation
What might have been and what has been
Point to one end, which is always present
Footfalls echo in the memory
Down the passage which we did not take
Towards the door we never opened
Into the rose garden



:T.S. Eliot's Four Quartets, read by Jeremy Irons: I. Burnt Norton (extracts of)

"... Eliot's question in Burnt Norton is: what kind of attention – intelligent or otherwise – can we give to distraction." Adam Phillips, Attention Seeking [pg 116]

O rasto do tempo / o tempo narrado / relógios aromáticos


Relógio de incenso

selos de incenso

"Até finais do século XIX, utilizou-se na China o relógio de incenso, cujo nome era hsiang yin (ou, literalmente, "selo de aroma"). [...] O selo de incenso é uma figura que surge de uma corda contínua, para que a cinza possa esparzir-se por completo. Enche-se de incenso em pó um pequeno molde que contém muitas vezes um caráter escrito. Quando o molde se retira, aparece um escrito em incenso. O escrito pode ser um único signo, que é frequentemente fu ("felicidade"), ou vários signos ligados que podem dar lugar a um kôan. How many lives before I obtain my flowers – eis o misterioso exemplo de um kôan procedente de um selo de incenso. Uma flor, em metade do selo, substitui as palavras "my flowers". O próprio selo tem a forma de uma flor de ameixoeira. A cinza desenha o kôan-flor percorrendo o selo, símbolo por símbolo – ou seja, queimando-o."
Byung-Chul Han, O Aroma do Tempo
This book is a scholarly study of a virtually unknown aspect of the history of horology (timekeeping), compiled from Chinese and Japanese historical and literary records, some of which are translated and published here for the first time. Incense timekeepers played an important role in early Chinese social and technological history, in addition to their use for time measurement. They were used in temples for religious rites, in agricultural regions for regulating water for irrigation, in palaces and government offices, and in the studies of scholars. A fascinating compendium of knowledge about a neglected aspect of Oriental culture, this book will appeal not only to historians of China and Japan, but to the growing number of collectors and museum curators who are interested in incense clocks. It is illustrated with black and white halftones of a large number of the clocks, which are renowned for their beauty of design and quality of workmanship. The book also includes a catalogue of incense clocks which have appeared in auction houses and museums. 
Amazon


das Metáforas

"As metáforas são o aroma que se desprende das coisas, quando estas travam amizade entre si. O 'gozo imediato' não dá lugar ao belo, uma vez que a beleza de uma coisa se manifesta 'muito depois', à luz de outra, através da significatividade de uma reminiscência. O belo corresponde à duração, a uma síntese contemplativa. O belo não é o esplendor ou a atração fugaz, mas uma persistência, uma fosforescência das coisas. A temporalidade do belo é muito diferente da do 'desfile cinematográfico das coisas'. A época da pressa, a sua sucessão 'cinematográfica' de presentes pontuais, não tem qualquer acesso ao belo ou ao verdadeiro. Só quando alguém se detém a contemplar, em recolhimento estético, as coisas revelam a sua beleza, a sua essência aromática. Esta compõe-se de sedimentos temporais que fosforecem."
Byung-Chul Han, O Aroma do Tempo

do tempo presente

A river without banks, Marc Chagall

"The present does not truly exist. We experience a crisscrossing set of force fields, the aesthetic-causal fields emanated by a host of objects. Anyone familiar with relativity theory will find this idea reasonably intuitive. What is called present is simply a reification, an arbitrary boundary drawn around things by a particular entity — a state, philosophical view, government, family, electron, black hole. Time is not a series of now-points (Aristotle himself refuted this idea) but rather a sickening surge, like crosstown traffic, or an ocean with many currents; or 'a river without banks,' like the title of a painting by Marc Chagall. Time is a flurry of spells and counterspells cast by objects themselves. Past and future do not intersect in the usually visualized way, as (say) the left-hand and right-hand sides of a cursor blinking on a screen. What we have instead is a nonspatial rift between past and future that corresponds to the Rift between appearance and essence. Between these two fundamental forces, the present is nowhere: objects are never present."

Timothy Morton, Hyperobjects

Time is an illusion_02...

"One of the seats of emotion and memory in the brain is the amygdala, he explained. When something threatens your life, this area seems to kick into overdrive, recording every last detail of the experience. The more detailed the memory, the longer the moment seems to last. “This explains why we think that time speeds up when we grow older,” Eagleman said—why childhood summers seem to go on forever, while old age slips by while we’re dozing. The more familiar the world becomes, the less information your brain writes down, and the more quickly time seems to pass."
The New Yorker

Time is an illusion...

"In Eagleman’s essay “Brain Time,” published in the 2009 collection “What’s Next? Dispatches on the Future of Science,” he borrows a conceit from Italo Calvino’s “Invisible Cities.” The brain, he writes, is like Kublai Khan, the great Mongol emperor of the thirteenth century. It sits enthroned in its skull, “encased in darkness and silence,” at a lofty remove from brute reality. Messengers stream in from every corner of the sensory kingdom, bringing word of distant sights, sounds, and smells. Their reports arrive at different rates, often long out of date, yet the details are all stitched together into a seamless chronology. The difference is that Kublai Khan was piecing together the past. The brain is describing the present—processing reams of disjointed data on the fly, editing everything down to an instantaneous now. How does it manage it?"
The New Yorker

do tempo

Procede deste modo, caro Lucílio: reclama o direito de dispores de ti, concentra e aproveita todo o tempo que até agora te era roubado, te era subtraído, que te fugia das mãos. Convence-te de que as coisas são tal como as descrevo: uma parte do tempo é-nos tomada, outra parte vai-se sem darmos por isso, outra deixamo-la escapar. Mas o pior de tudo é o tempo desperdiçado por negligência. Se bem reparares, durante grande parte da vida agimos mal, durante a maior parte não agimos nada, durante toda a vida agimos inutilmente.
Lúcio Aneu Séneca, in Cartas a Lucílio

...

E um dia, em que o hospital estava praticamente deserto — entre o Natal e o Ano Novo, a semana mais sossegada do ano — vi uma jovem na cafetaria, a ler Baudelaire. É raríssimo ver-se alguém, nos Estados Unidos, a ler um poeta francês do século XIX à hora do almoço. Sentei-me à mesa dela. Era uma russa, com as maçãs do rosto salientes, grandes olhos negros e uma expressão simultaneamente reservada e extremamente perspicaz. Por vezes, parava de falar, deixando-me desconcertado. Perguntava-lhe o que se passava e ela respondia:

— Estou a testar a sinceridade daquilo que acabaste de dizer.

Isto fazia-me rir e eu gostava de ser "testado". Foi o início do nosso relacionamento. Levou tempo a desenvolver-se. Eu não tinha pressa, ela também não.
in Anticancro, de David Servan-Schreiber

"A esperança é o vendedor de carros em segunda mão da existência humana"

Estamos no nosso melhor quando faz sentido continuar; quando não há uma esperança que nos faça continuar. [...] Para estarmos no nosso melhor temos de ser empurrados para um canto, onde não há esperança e nada a ganhar por continuarmos. E apesar disso continuamos.


Quem dá o que tem, a mais não é obrigado / Surviving desire / Pérolas a porcos



Mal abrira os olhos o cérebro parecia já estar a duzentos. Os pensamentos invadiam o espaço sem pedir autorização. A oportunista ansiedade apoderava-se do seu corpo de forma galopante.
Há mais de 25 anos que se esforçava por se adaptar. Sabia que os príncipes encantados eram matéria de contos de fadas e a vida apresentava-lhe exemplos de resiliência, que admirava. Sempre esperou que as coisas se compusessem, ou não fosse uma pessoa batalhadora e determinada, com grande capacidade de acreditar que a vida haveria de compensar tanto esforço. Esperou dez anos para ter o tão sonhado filho, pois o respeito pelo próximo era algo incontornável. Ter filhos era uma coisa demasiado séria. Fez tudo direitinho, conforme a sua lei mandava.
As rotinas assassinas e os percalços da existência diária foram gravando sulcos. A princípio, quase imperceptíveis, e cada vez mais evidentes com o passar dos anos.
A frustração veio para se instalar, salpicando a existência de momentos de ódio, negação e revolta.
Fizera tudo tão direitinho. Com tanto sentido de responsabilidade.
Embarcou na missiva, inconsciente e desesperada, de tentar mudar o que não dependia de si.
A inocência é santa e bonita.
A tristeza e a ansiedade escolheram residência permanente no seu corpo, delapidando, a pouco e pouco, cada célula, cada órgão, minando a sua existência.

Um invólucro cuidado, do qual gostava e no qual começava a observar os traços do Tempo e do sofrimento.

Foi-se fechando numa concha.

Graças às suas fortes convicções e à sua teimosa honestidade para com a sua pessoa, fazia por não se deixar afectar quando lhe diziam que não tinha coração.
Que só tinha caca na cabeça.
Que lhe faltava açúcar.

(De facto, tinha banido o açúcar do seu regime alimentar fazia vários anos).

Avó #1 / Penélopes


Boreas, John William Waterhouse

Namorou 10 anos à janela.
Naquele tempo era assim.
Esperou 10 anos.
Casou com o homem que amou à janela.
Foi infeliz.
Esperou 4 filhos e muitos anos até se tornar viúva.
Depois voltou a viver.

Foi ela que me disse.



Não é tanto a idade que conta mas, antes, a experiência.
Não tanto a experiência de ter vivido isto ou aquilo,
mas, antes, a experiência de ter sofrido isto ou aquilo
e de ter reflectido sobre isto e aquilo.

rebuilding bridges / acordar

A rotina cerrada dos horários de trabalho, os ritmos obsessivos que daí decorrem, as distâncias quilométricas a que somos colocados, as distâncias que acabam por se instalar entre as pessoas por causa desta vida infernal e exigente, o isolamento e a solidão a que tudo isso nos vota, preocupações legitimas que assumem formas neuróticas e exageradas e que ocupam a maior parte do pouco tempo que sobra na corrida diária. Para onde fugiu o "tempo de qualidade"?. Quando foi que me distraí? Quanto tempo no limbo? Quantos meses? Quantos anos de hipnose obsessiva?
Benditos feriados com pontes e fins-de-semana atrelados, em que o tempo que sentimos que temos nos permite aterrar e acordar do inferno e voltar a casa. Voltar a casa. Olhar para as pessoas. Reparar nelas. Fazer um update. Tréguas. Mudança de estratégias. Baixar os braços por momentos. O desespero e o stress nunca foram bons conselheiros.

Quem vê caras... / Marketings


Getty Images

Depois de lhe ter arranjado o cabelo, a moça cabeleireira dirigiu-se à cliente, olhando para o seu cabelo, a caminho do grisalho, e disse-lhe:

–"Porque é que a senhora não pinta o cabelo?"

– "Primeiro, porque dá muito trabalho. Porque se começo a pintá-lo e depois deixo de o fazer receio já não me reconhecer. Além disso não me sinto mal assim."

Mas, apesar de uma exposição destas, a moça cabeleireira continuou:

–"Mas olhe que se o pintar vai parecer muito mais nova!"

– "Que idade me dá?" – pergunta a senhora.

Então, a moça preparou-se para assumir um personagem diferente:

–"Eu vou olhar só para a cara da senhora. Só para a cara! Vou-me esquecer do seu cabelo e vou dizer-lhe a idade que eu acho que a sua cara tem."

Com o corpo para trás, a cabeça avançando e os olhos bem esbugalhados, assim fitou a cara da senhora durante uns bons segundos.
A senhora deixou-se estar quieta, mantendo um sorriso enquanto esperava o veredicto.

–"Pronto. Já está!"

–"Então? Que idade dá à minha cara?"

–"Quarenta anos" – disse a moça com determinação.

–"Está a ver?" – retorquiu a senhora, –"Já me está a dar menos nove anos! Apesar da cor do meu cabelo ainda pareço nove anos mais nova!"

Não se dando por satisfeita, a moça cabeleireira, de cabelo pintado, que não deveria ter mais que vinte e sete anos, disse:

–"Ah!, mas olhando, agora, para a cara e para o cabelo já lhe dou cinquenta anos!"

A senhora soltou uma gargalhada, enquanto trocava olhares com outra cliente, de cabelo pintado, que aparentava rondar os setenta anos de idade.

da inteligência


Um idiota preguiçoso continua sempre a ser um idiota, e um preguiçoso inteligente é alguém que reflectiu acerca do mundo em que vive. Não se trata, pois, de preguiça. É tempo de reflexão. E quanto mais preguiçoso fores, mais tempo tens para reflectir. E é por isso que, no oriente, isso se designa por Filosofia Oriental... A maior parte das pessoas tem tempo. Quanto mais se desce para sul, mais encontramos profetas, magos, pessoas que reflectiram sobre o mundo.

O Tempo, ainda o Tempo e sempre o Tempo



Uma aula dada por Philip Zimbardo sobre a importância
da gestão do tempo.

Everybody is born present-hedonistic. Our society is time
driven. The secret is to develop optimal temporal balance.
Conscientious people live significantly longer. The optimal
profile: moderatly high past-positive, moderatly high
future-oriented and moderate present-hedonist.
Time makes you better when you make time.


Mais aqui.