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After - A mente e o cérebro

 "In addition, recent neuroimaging studies of people under the influence of psychedelic drugs have shown that the elaborate mystical experiences associated with these drugs are accompanied by 'decreased' brain activity. This is the exact opposite of what we had expected. Traditional neuroscientific explanations of psychedelic drug trips assumed that psychedelic drugs like LSD and psilocybin increase brain activity, triggering hallucinations. But it appears that they instead decrease brain activity, particularly in the prefrontal cortex, and also sharply decrease the kind of synchronised electrical activity in the brain that is typically seen with complex thinking. This decrease in brain activity might reduce the brain's ability to filter the mind and permit access to mystical experiences. This is consistent with spiritual traditions from around the world that use choking, breath-holding, starvation, and extended sensory deprivation to induce mystical experiences."

After, Dr. Bruce Greyson [pag 191]

Espinosa

E então, um judeu pequeno de nariz grande e pele pálida,
Pobre mas satisfeito, ensimesmado e reservado,
Um espírito subtil mas vazio, menos lido do que celebrado,
Escondido sob o manto de Descartes, o seu professor,
Aproxima-se do grande Ser com passos cuidadosos:

Desculpe-me, diz ele, falando num sussuro,
Mas penso, aqui entre nós, que Vossa Excelência não existe.


Voltaire - sobre Espinosa


"É triste notar que poucos filósofos de qualidade, velhos ou novos prestaram homenagem pública a Espinosa no século que se seguiu à sua morte, e que nenhum assumiu o papel de discípulo ou continuador. Nem sequer Leibniz, que leu e parece ter apreciado os escritos de Espinosa antes da sua publicação, e que teria sido a mente mais qualificada da época para explicar o seu significado. Mas não o fez. Escondeu-se como todos os outros e adotou uma posição de crítica circunspecta. Os grandes cérebros das Luzes fizeram o mesmo. Em privado, diziam-se iluminados por Espinosa; publicamente, atacavam-no."

António Damásio, Ao Encontro de Espinosa

Humano, demasiado humano / into the wilderness


"Nietzsche acreditou que tudo era uma questão de autodomínio, de adquirir uma espécie de autoconhecimento que não seja apenas abstrato ou intelectual. Pois, para Nietzsche, todo o conhecimento tem sua raiz no corpo. Porque para ele, o autodomínio implica em adquirir tanto conhecimento quanto possível sobre o corpo humano, sobre o seu corpo, sobre sua fisiologia, sobre a sua psicologia. [...] Sem Nietzsche não haveria Freud."

A mente e o cérebro

Início da Ilíada no seu idioma original, escrito cerca do Séc. VI a.C.

"Partilho da opinião de Julian Jaynes de que algo de grande importância poderá ter acontecido à mente humana durante o lapso de tempo relativamente breve entre os acontecimentos narrados na Ilíada e os que compõem a Odisseia."
António Damásio, in O Livro da Consciência





Início da Odisseia no seu idioma original, escrito cerca de finais do Séc. VIII a.C.

"De uma forma geral, os gregos de Homero não tinham praticamente qualquer noção de uma vida interior do género daquela que nos parece tão óbvia. Sonhos, sentimentos e, especialmente, estados de espírito não eram experimentados pelos gregos homéricos como tendo lugar no espírito dos indivíduos. Pelo contrário, os estados de espírito eram públicos e partilhados e as pessoas sentiam-se arrastadas num estado de espírito partilhado como gotas de chuva num furacão."
Hubert Dreyfus e Sean Dorrance Kelly, in Um Mundo Iluminado

Cultura e homeostase


"Em última análise, como a arte está profundamente enraizada na biologia e no corpo humano mas pode elevar os seres humanos às mais altas cumeadas do pensamento e do sentimento, as artes tornaram-se numa via para o refinamento homeostático que os seres humanos acabaram por idealizar e ansiaram por alcançar, o equivalente biológico de uma dimensão espiritual nas questões humanas."
António Damásio, in O Livro da Consciência

Recollections

A Criação de Adão, Michelangelo

"A partir do momento em que o eu autobiográfico se torna capaz de funcionar com base no conhecimento gravado nos circuitos cerebrais e nos registos externos de pedra, argila ou papel, os seres humanos passam a conseguir associar as necessidades biológicas individuais à sapiência acumulada. Começa assim um longo processo de pesquisa, reflexão e reacção, representando ao longo da história humana nos mitos, nas religiões, nas artes e em variadas estruturas inventadas para reger o comportamento social — moralidade, sistemas de justiça, economia, política, ciência e tecnologia. A derradeira consequência da consciência chega através da memória. Trata-se da memória adquirida através de um filtro de valores biológicos e animada pelo raciocínio."
António Damásio, in O Livro da Consciência

Mindfulness vs "baixar a guarda" / Água mole em pedra dura...






"Não estou aqui a inventar nada de novo, mas sim a esquematizar um mecanismo prático deduzido a partir daquilo que presumo serem as operações neutrais de decisão e de acção. Durante milénios, chefes sagazes optaram por uma solução semelhante ao pedirem aos seus seguidores que observassem rituais disciplinados cujo efeito secundário terá sido uma imposição gradual de decisões tomadas conscientemente sobre processos de acção não-conscientes. Não admira que muitas vezes esses rituais envolvessem a criação de emoções exaltadas, até mesmo dor, um modo de gravar o mecanismo desejado na mente humana. No entanto, aquilo que estou a imaginar vai muito além dos rituais religiosos e cívicos, englobando questões da vida diária ligadas a diversas áreas. Estou a pensar, especificamente, em questões de saúde e de comportamento social. Os nossos conhecimentos insuficientes sobre os processos não-conscientes talvez expliquem, por exemplo, o motivo por que muitos de nós falham por completo quando se trata de fazer o que supostamente deveria ser feito em relação à dieta e ao exercício. Pensamos ter o controlo, mas é frequente não o termos, como o comprovam as epidemias de obesidade, hipertensão e doenças cardíacas. A nossa constituição biológica leva-nos a consumir o que não devemos, mas o mesmo pode ser dito das tradições culturais que se foram inspirar nessa constituição biológica e que foram moldadas por ela, e mesmo da indústria da publicidade que a explora."


António Damásio, in O Livro da Consciência

Sabedoria



"Um maior controlo sobre os caprichos do comportamento humano só poderá advir de uma acumulação de conhecimento e da análise dos factos descobertos. Dedicar tempo a analisar factos, a avaliar o resultado de decisões e a ponderar os desenlaces emocionais dessas decisões é o melhor caminho a tomar para construir o guia prático também conhecido como sabedoria."
António Damásio, in O Livro da Consciência


Porque as nossas decisões deliberadas de forma consciente

"têm de encontrar maneira de chegar ao inconsciente cognitivo para se disseminarem pela maquinaria da acção — e é necessário facilitarmos essa influência."

António Damásio, in O Livro da Consciência


“Let us have the truth, though the heavens may fall.” 
Herbert M. Shelton

"For once a thing is known, it can never be unknown. It can only be forgotten."
Anita Brookner, in Look at Me

O inconsciente genómico

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É possível ler 4 ao mesmo tempo? Pelos vistos...

Ao café

Ao pequeno almoço

Na mesa de cabeceira

Nos intervalos

ouvi dizer que o tempo é de férias...

"[...] os cérebros inteligentes são profundamente preguiçosos."
António Damásio, in O Livro da Consciência

da plasticidade


 Pintura de Georges Braque

"Há cada vez mais provas convincentes de que os desenvolvimentos culturais ao longo de gerações sucessivas levam a alterações no genoma." 

António Damásio, in O Livro da Consciência

Reciclagem, mas com resíduos... / Orchestral Manoeuvers in the Dark /E... Isto é tudo muito belo!

"Que é o cérebro humano senão um palimpsesto imenso e natural? O meu cérebro é um palimpsesto e o vosso também, leitor. Inúmeras camadas de ideias, de imagens, de sentimentos caíram sucessivamente sobre o vosso cérebro, tão suavemente como a luz. Cada uma parecia sepultar a anterior. Mas na realidade, nenhuma pereceu."

Baudelaire citando De Quincey, in Paraísos Artificiais 

"Todavia, entre o palimpsesto que apresenta, sobrepostas uma na outra, uma tragédia grega, uma lenda monástica e uma história de cavalaria, e o palimpsesto divino criado por Deus, que é a nossa incomensurável memória, há a diferença de que no primeiro existe como que um caos fantástico, grotesco, uma colisão entre elementos heterogéneos, ao passo que no segundo a fatalidade do temperamento põe forçosamente uma harmonia entre os elementos mais díspares. Por mais incoerente que seja uma existência, a unidade humana não é perturbada. Todos os ecos da memória, se se pudessem acordar simultâneamente, formariam um concerto, agradável ou doloroso, mas lógico e sem dissonâncias.
Muitas vezes, seres surpreendidos por um acidente súbito, sufocados bruscamente pela água, e em perigo de morte, viram acender-se no cérebro todo o teatro da sua vida passada. O tempo foi aniquilado, e alguns segundos bastaram para conter uma quantidade de sentimentos e de imagens equivalentes a anos. E o que há de mais singular nesta experiência, que o acaso preparou mais uma vez, não e a simultaneidade de tantos elementos que foram sucessivos, é a reaparição de tudo o que o próprio ser já não conhecia, mas que é no entanto obrigado a reconhecer como seu. O esquecimento é apenas momentâneo; e em tais circunstâncias solenes, na morte talvez, e geralmente nas excitações intensas criadas pelo ópio, todo o imenso e complicado palimpsesto da memória se desenrola de uma só vez, com todas as suas camadas sobrepostas de sentimentos defuntos, misteriosamente embalsamados naquilo a que chamamos esquecimento."
Baudelaire, in Paraísos Artificiais 

"Minha alma é uma orquestra oculta; não sei que instrumentos tangem e rangem, cordas e harpas, timbales e tambores, dentro de mim. Só me conheço como sinfonia."
Fernando Pessoa, in Livro do Desassossego

"A consciência não se resume a imagens mentais. Terá, no mínimo, a ver com uma organização de conteúdos mentais centrada no organismo que produz e motiva esses conteúdos. Porém, a consciência, no sentido vivido pelo leitor e pelo autor sempre que o desejam, é mais do que uma mente que se organiza sob a influência de um organismo vivo e activo. [...] A grandiosa peça sinfónica que é a consciência engloba as contribuições fundamentais do tronco cerebral, eternamente ligado ao corpo, e a vastíssima imagética criada graças à colaboração entre o córtex cerebral e as estruturas subcorticais, todas unidas de forma harmoniosa, propulsionadas para o futuro, num movimento contínuo que apenas pode ser interrompido pelo sono, pela anestesia, pela função cerebral ou pela morte."
António Damásio, in O livro da Consciência

Não resisto a colocar mais esta


Bem me parecia.

Diz António Damásio:

[...] The desire of the genes to remain and to be passed on. What would the genes do to create an organism that would be the most effective to pass on themselves? And the answer is that EMOTIONS become very very high with all of these things like reward and punishment mechanisms and drives and motivations because emotions are that sort of automatic intelligence that would guide an organism to do the most conveniente thing for that organism to survive during the time that its genoma (?) would allow it to survive.
So very early on, emotion must have been one of the very first things to develop. So we are really dealing with something that is now part and parcel (?) of our lives but has been here for a long long time.

[...] And then we have to deal with this very old system [...] and then we have to layer on top of it this new thing that we have evolved: cultures and civilizations that will allow us to be more pointed (?) and create the best possible behaviour.

[...] I think that what evolution gave us, very rapidly, was different kinds of processes, that were all of the "emotion" flavour and they made life more possible for a longer period...

O poder das emoções


Lá está o remembering self a actuar, na manipulação das emoções.