on captivating
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Fucking imposter syndrome
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Labels: Cinema, Film, Juliette Lewis, Woody Allen
Match Point
"People are afraid to face how great a part of life is dependent on luck. It's scary to think so much is out of one's control. There are moments in a match when the ball hits the top of the net and for a split second it can either go forward or fall back. With a little luck it goes forward and you win. Or maybe it doesn't and you lose."
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Labels: Cinema, Woody Allen
bla bla LOL bla lol lol bla
"Senhores, existem no mundo ambientes que são mais ou menos ridículos, mais ou menos infames, vergonhosos e humilhantes – da mesma maneira que a idiotice não é a mesma em todos os lugares. Dessa forma, podemos supor, olhando de relance, que o meio dos cabeleireiros, à primeira vista, tende a ser mais fútil que o meio dos sapateiros. No entanto, o que ocorre no meio artístico mundial ultrapassa todos os limites da estupidez e da infâmia – a ponto de um homem normalmente decente e equilibrado não poder deixar de baixar a cara, corado de vergonha perante essas orgias infantis e pretensiosas. Ó, esses cantos sublimes que ninguém escuta! Ó, essas opiniões pomposas dos chicoespertos e aquele frenesi de recitais e saraus, e aquelas cerimónias de iniciação, os encómios, as discussões, e a cara daquelas pessoas quando declamam poesias ou escutam música, celebrando entre si o mistério da beleza! Que dolorosa contradição faz com que tudo o que fazeis ou dizeis, justamente nesse mister, se torne tão ridículo e vergonhoso? Quando um meio social, durante o correr dos séculos, cai em tais convulsões de estupidez, então, com toda a certeza, pode concluir-se que as suas concepções não correspondem à realidade e que ele, simplesmente, se alimenta de falsas concepções. Pois, sem margem para dúvida, as suas concepções constituem o cúmulo da ingenuidade conceptual; e se vocês quiserem saber como e em que sentido elas deveriam ser expurgadas, dir-vos-ei alguma coisa – assim me dêem ouvidos."
Witold Gombrowicz, in Ferdydurke
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Labels: Film, Livros, sublinhados, Witold Gombrowicz, Woody Allen
anti heróis
[...] No! I am not Prince Hamlet, nor was meant to be
[..] I have heard the mermaids singing, each to each.
[...] I do not think that they will sing to me.
The Love Song of J. Alfred Prufrock, T. S. Eliot
Uma tradução do poema:
S’i credesse che mia risposta fosse
A persona che mai tornasse al mondo,
Questa fiamma staria senza più scosse.
Ma però che già mai di questo fondo
Non torno vivo alcun, s’i’odo il vero,
Sanza tema d’infamia ti rispondo.
(Dante Alighieri, La Divina Commedia, Inferno)
Então vem, vamos juntos os dois,
A noite cai e já se estende pelo céu,
Parece um doente adormecido a éter sobre a mesa;
Vem comigo por certas ruas semidesertas
Que são o refúgio de vozes murmuradas
De noites em repouso em hotéis baratos de uma noite
E restaurantes com serradura e conchas de ostra:
Ruas que se prolongam como argumento enfadonho
De insidiosa intenção
Que te arrasta àquela questão inevitável…
Oh, não perguntes “Qual será?”
Vem lá comigo fazer a tal visita.
Passeiam damas na sala para além e para aqui
E falam de Miguel Ângelo Buonarroti
A névoa amarela que esfrega as costas nas vidraças
O fumo amarelo que esfrega o focinho nas vidraças
Passou a língua dentro dos recantos da noite,
Demorou-se nos charcos que ficam na sarjeta,
Deixou cair nas costas a fuligem solta das chaminés,
Deslizou pelo terraço, de repente deu um salto,
E, ao ver serena aquela noite de Outubro,
Deu uma volta à casa, enroscou-se e dormiu.
Haverá por certo um tempo
Para o fumo amarelo que desliza pela rua
E esfrega as costas nas vidraças;
Haverá um tempo, tempo
De compor um rosto para olhares os rostos que te olharem;
Tempo de matar, tempo de criar,
E tempo para todos os trabalhos e os dias, de mãos
Que se erguem e te deixam cair no prato uma pergunta;
Tempo para ti e tempo para mim,
E tempo ainda para cem indecisões
E outras tantas visões e revisões
Antes de tomar o chá e a torrada.
Passeiam damas na sala para além e para aqui
E falam de Miguel Ângelo Buonarroti.
Haverá por certo um tempo
De pensar se corro tal risco. “Corro tal risco?”
Tempo de virar costas e descer as escadas
Com esta clareira calva no meio do cabelo –
(Hão-de dizer: “Este já tem pouco cabelo!”)
Com a casaca, colarinho hirto subido até ao queixo,
Gravata distinta e discreta mas ornada de um sóbrio alfinete –
(Hão-de dizer: “Que magro está, nos braços e nas pernas!”)
Vou correr o risco
De perturbar o universo?
Num só minuto há tempo
Para decisões e revisões, a revogar noutro minuto.
Pois já as conheço todas bem, conheço todas –
Sei as noites, as tardes, as manhãs,
Às colheres de café andei medindo a minha vida;
Sei que em breve agonia se esvaem as vozes
Abafadas na música de um quarto mais além.
Como havia eu de ousar, assim?
E já conheço os olhares, conheço todos –
Olhares que te reduzem a fórmulas e a dizeres,
E quando eu for apenas fórmula, esticado em alfinete,
Quando estiver na parede, trespassado, contorcido,
Como haverei então de começar
A cuspir as pontas de cigarro dos meus dias e jeitos?
E como havia eu de ousar, assim?
E já conheço os braços, conheço todos –
Braceletes nos braços brancos e nus
(Mas com uma penugem loira à luz do candeeiro)
Será pelo perfume de um vestido
Que sou levado assim a divagar?
Braços estendidos na mesa ou envoltos num xaile.
E havia eu de ousar assim?
Por onde havia eu de começar?
E se eu disser que dou passeios por becos quando anoitece,
E vou fitando o fumo que sobe do cachimbo
De homens em mangas de camisa, à janela, solitários?…
Eu devia ter sido um ferro de duas garras
A rasgar o fundo desses mares de silêncio.
E a tarde, a noite, a dormir tão sossegada!
Afagada por dedos esguios,
A dormir… exausta… ou a fingir,
Estirada aqui no chão, à beira de nós dois.
Depois do chá, dos bolos, dos gelados, eu tinha ainda
Aquela força que provoca a crise do instante?
Mas apesar de lágrimas e jejuns, lágrimas e preces,
E apesar de ter visto a minha cabeça (um tanto calva já) ser entregue numa salva,
Não sou nenhum profeta – e isso pouco importa;
Já vi tremer o meu instante de esplendor
E vi o eterno lacaio agarrar-me a casaca, rindo sorrateiro,
E bastará dizer que tive medo.
E tinha valido a pena, depois de tudo isto,
Depois da geleia, das xícaras, do chá,
Entre porcelanas, a meio de qualquer conversa de nós dois,
Tinha valido a pena
Ter rematado o assunto com um sorriso,
Ter estreitado o universo numa bola
E fazê-la rolar, rumo a qualquer questão inevitável,
E dizer: “Sou Lázaro e venho de entre os mortos.
Voltei para vos contar tudo, vou contar-vos tudo” –
Se alguém, ajeitando a cabeça dela numa almofada,
Dissesse: “Não era nada disso que eu queria dizer
Não é isso, nada disso.”
E tinha valido a pena, depois de tudo,
Tinha mesmo valido a pena,
Depois dos pátios, dos poentes, das ruas chuviscadas,
Dos romances, das xícaras de chá, das saias arrastando pelo chão –
E depois disto e tantas coisas mais? –
Não é possível dizer mesmo o que quero dizer!
Mas se uma lanterna mágica mostrasse na tela a imagem dos nervos:
Tinha valido a pena
Se alguém, compondo a almofada ou tirando um xaile,
Dissesse, ao voltar-se para a janela:
“Não é isso, nada disso,
Não era nada disso que eu queria dizer.”
Não! Não sou o príncipe Hamlet e nem tinha que ser;
Sou um fidalgo da corte, desses que servem
Para aumentar a comitiva, abrir uma ou duas cenas,
Dar conselhos ao príncipe; instrumento dócil, é claro,
Reverente, satisfeito por ser prestável,
Político, meticuloso e avisado;
Cheio de sentenças doutas, um tanto obtuso todavia;
Às vezes, por sinal, quase ridículo –
Quase o bobo, às vezes.
Estou a ficar velho… Estou a ficar velho…
Hei-de andar com a dobra da calça revirada.
E se eu puxar atrás o risco do cabelo?
Arrisco-me a trincar um pêssego?
Hei-de vestir calça de flanela branca e passear na praia.
Já ouvi as sereias cantando, umas às outras.
Creio que para mim não vão cantar.
Tenho-as visto na direcção do mar a cavalgar as ondas
Penteando crinas brancas de ondas encrespadas
Quando o vento revolve as águas escuras e brancas.
Ficámos nas mansões do mar nós dois em abandono
Entre as ondinas com grinaldas de algas castanhas purpurinas
Até que vozes humanas nos despertam e morremos naufragados.
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"In the dark, it feels so real".
Hoje fui até Paris. Apesar de lá ter ido antes da meia-noite, afinal estive lá depois da meia-noite, e gostei bastante. Sobretudo de continuar a divertir-me com Woody Allen.
Aquela banda sonora... aqueles sempre belos e cuidados interiores. Tão característicos de Woody Allen. Íntimos, ricos, repletos de referências...
Sinto-me em casa, nos filmes do Woody Allen.
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sooooo incredibly handsome... a ratoeira em que gerações caíram.
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Labels: Cinema, Woody Allen
Vícios privados, públicas virtudes
A moral vigente e o preconceito esforçam-se por fazer um bom trabalho no que toca a contrariar o que há de mais individual e íntimo em cada ser humano.
Regarding love, well, what can you say? It´s not the quantity of your sexual relations that count. It's quality. On the other hand, if the quantity drops below once every eight months, I would definitely look into it.
Woody Allen
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Arquétipos e Woody Allen

A força da evidência da franqueza.
A ligeireza com que parece tratar assuntos de natureza tão profunda e pertubadora (recorrendo à figura do narrador).
A belíssima banda sonora (já habitual nos seus filmes).
A grande proximidade da câmara.
A escolha criteriosa dos ambientes / cenários / décor
E, claro, os diálogos, e as fabulosas interpretações.
Vicky Cristina Barcelona: um filme para voltar a ver, para captar melhor algumas falas e para voltar a saborear a música e os cenários.
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