do patriarcado

"Tal como havia de comentar, Sofia afastou as suas próprias aspirações por as considerar uma ameaça ao seu compromisso para com Tolstoi e o seu trabalho. Desde a infância que nutria um grande desejo de estudar arte e essa ânsia regressaria. Certa vez, na ausência de Tolstoi, quando ela lhe escrevia uma carta, a irmã dele, Maria Nikolaevna, começou a tocar uma peça de Schubert. Sofia descreve ao marido a sensação que a percorre:
Estou sentada no vosso escritório, a escrever e a chorar [...] Esta música que não ouvia há tanto tempo transportou-me para fora da minha esfera do quarto do bebé, das fraldas e das crianças [...] para um local distante e desconhecido [...] Há muito que reprimo estas cordas que a música e a natureza fazem estremecer e produzir tanta dor dentro de mim [...] Sinto-as agora. Magoa-me e é bom. Mas é melhor para nós, mães e mulheres da casa, mantermo-nos afastadas de tudo isso [...] Ouço a música, tenho os nervos em franja, amo-vos terrivelmente, contemplo o lindo pôr do Sol pela janela do vosso escritório
 As melodias de Schubert que antes me deixavam indiferente transtornam-me agora a alma e não consigo conter as lágrimas [...] Em breve se acenderão as velas e eu serei chamada a amamentar [...] e este sentimento passará, como se nada fosse."
Alexandra Popoff, in Sofia Tolstoi – Uma biografia

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Sofia recorda Lev

Recordando o êxtase dos seus encontros, Sofia escreveria: "Mulher alguma poderia sentir um amor mais forte do que o amor que senti por Lev Nikolaevich [Tolstoi]. Não era bem-parecido, nem jovem e só tinha quatro dentes estragados na boca. Contudo, o júbilo que surgia em mim, quando estávamos juntos [...] esse júbilo iluminou-me a vida por muito, muito tempo."
Alexandra Popoff, in Sofia Tolstoi – Uma biografia