Emoções em Serralves


Pedro Costa

A propósito do lançamento do livro Cem Mil Cigarros, e entre vários cigarros, tivémos o prazer de partilhar um momento de três horas com Pedro Costa.

Jeff Wall, Johnny Rotten, Andy Warhol, Jacob Riis, Jean-Marie Straub, John Ford. O bairro da Cova da Moura, as Fontaínhas, a Gulbenkian, a Vanda, o gajo que se passou a olhar para a parede, onde, por acaso, estava pendurado um quadro de Rubens, cartas (de amor), Desnos, gente que só tem passado, a memória, o tempo, a realidade (?), a teoria da experiência, a procura de algo... da felicidade, o cinema como um modo de vida, o Surrealismo, um quarto, uns discos, uns livros, uns amigos e umas substâncias, a internet tão virtual que fica tudo muito lírico, os Petshop Boys e um autógrafo para uma desconhecida.
Nada, nada boring.


I came across a cache of old photos
And invitations to teenage parties
"Dress in white" one said, with quotations From someone's wife, a famous writer
In the nineteen-twenties
When you're young you find inspiration
In anyone who's ever gone
And opened up a closing door
She said: "We were never feeling boredCause we were never being boring
We had too much time to find for ourselves
And we were never being boring
We dressed up and fought, then thought: "Make amends"
And we were never holding back or worried that
Time would come to an end

When I went I left from the station
With a haversack and some trepidation
Someone said: "If you're not careful
You'll have nothing left and nothing to care for
In the nineteen-seventies"
But I sat back and looking forward
My shoes were high and I had scored
I'd bolted through a closing door
I would never find myself feeling bored

'Cause we were never being boring
We had too much time to find for ourselves
And we were never being boring
We dressed up and fought, then thought: "Make amends"
And we were never holding back or worried that
Time would come to an end
We were always hoping that, looking back
You could always rely on a friend

Now I sit with different faces
In rented rooms and foreign places
All the people I was kissing
Some are here and some are missing
In the nineteen-nineties
I never dreamt that I would get to be
The creature that I always meant to be
But I thought in spite of dreams
You'd be sitting somewhere here with me

'Cause we were never being boring
We had too much time to find for ourselves
And we were never being boring
We dressed up and fought, then thought: "Make amends"
And we were never holding back or worried that
Time would come to an end
We were always hoping that, looking back
You could always rely on a friend

And we were never being boring
We had too much time to find for ourselves
And we were never being boring
We dressed up and fought, then thought: "Make amends"
And we were never being boring
We were never being bored
'Cause we were never being boring
We were never being bored

Caption


Marek Waskiel

Como pode uma lente
registar uma imagem
na dimensão em que ela é abarcada pelo olho?

A música, através de um auscultador,
invade o cérebro e o corpo, como se fosse água.

Como pode uma lente
não fragmentar
a total dimensão do campo visual?

Como pode uma lente
fundir-nos na profundidade
de uma paisagem?

Apelando à imaginação?

A fotografia a preto e branco talvez se aproxime mais dessa possibilidade, pois canaliza o olho para o essencial.
Elimina ruído.
Concentra.
Não distrai.

Aqui, eu podia ser feliz

Os mínimos e a paisagem.

(to get closer, click the picture)

... e aqui também

Rural-Design

Em suspensão

Ouçam e digam lá se não se sentem a flutuar.
Já ouvi quilómetros desta música e não me vou cansar.


Concerto nº 21, K.467, para piano, de Mozart—2º andamento.
Ao piano: Géza Anda

Numerus clausus


Peter Dazeley
Sim, eu também estou de acordo.
Há, no entanto, um senão: se eu quiser que o meu filho frequente a escola que, por acaso, até é a que serve a área em que resido, como vou provar que tenho mais direitos do que alguém que forja a morada para poder matricular o seu filho nessa escola, caso a escola seja obrigada a limitar o acesso por questões de espaço?
Ou será que não tenho mais direitos?

Full circle (também)


Era eu, ainda, uma adolescente quando este livrinho
se cruzou comigo. Já não me lembrava do título.
Lembrava-me que tinha sido escrito por um senhor não inglês.
Um livro sobre os ingleses, escrito ao estilo do humor
inglês. Um dos capítulos dedicava-se à vida sexual dos
ingleses e comparava-a com a dos "continentais".
Do livro, ficou-me a frase que, hoje, me ajudou a encontrá-lo
na net.

Continental people have sex lives; the English have hot-water bottles.

:))

O título do post foi roubado.

Um poema visual


doordeweeks from Jelte van Abbema on Vimeo.

Modelos? Qual deles?
































Pressupondo que:

Os homossexuais (homens ou mulheres) vêm de casamentos heterossexuais.
Há homossexuais felizes e infelizes. Há, também, heterossexuais felizes e infelizes.
Há homossexuais solitários. Há, também, heterossexuais solitários.
Há homossexuais com problemas de relacionamento. Há, também, heterossexuais com problemas de relacionamento.
Há homossexuais que não se aceitam a si próprios. Há, também, heterossexuais que não se aceitam a si próprios.
Há heterossexuais que foram criados em famílias monoparentais ou pelos avós, pelos vizinhos...
Também haverá homossexuais criados nestes contextos.
Há homossexuais que levam a vida à procura do parceiro(a) ideal. Também haverá heterossexuais assim.
Há heterossexuais para quem a figura/modelo paterna/materna foi um professor ou professora, um tio, uma tia, um amigo da família, etc.
Há famílias de heterossexuais em que o pai existe fisicamente, mas em que a figura/modelo de pai é ausente. O mesmo direi para o caso da figura materna/mãe.
Há casais de homossexuais que vivem felizes desde sempre. Há, também, casais de heterossexuais que vivem felizes desde sempre.
Há crianças negligenciadas votadas ao cuidado de irmãos ou da caridade.
Há crianças que precisam de ser amadas e de ter uma Família que se disponibilize para as amar.
Não há pai nem mãe que nasça ensinado. A paternidade e a maternidade são aprendizagens. O amor e a amizade também se aprendem.
Não há casais perfeitos (seja lá o que isso for).
Não há pais perfeitos.
Não há educações perfeitas.
Se há gente que tem vontade de se entender, de se amar, de se juntar, de ter crianças para as poder amar partilhadamente,
QUAL A IMPORTÂNCIA DO GÉNERO NESTE PROCESSO?

Time














                                      Jeff Corwin
Time really flies when it aint that much time

Quantos sentidos temos?

 
Chad Baker
Cinco?
Não. Esses são os mais conhecidos!
E os outros?
Então, temos:
A visão, o tacto, o olfacto, a audição, o paladar e...
O sentido da temperatura
O sentido da dor (este, então, dá pano para mangas)
O sentido interoceptivo
... e depois há a intuição.
... e há a sinestesia.


The diary taught me that it is in moments of emotional crisis that human beings reveal themselves more accurately.
 ...
We are going to the moon. That is not far. Man has so much to go within himself.

Anaïs Nin

Chove

e ainda


E ainda.

O significante e os significados / Ruído / Areias movediças / Ok. Como queiras. Leva lá a bicicleta


Monsieur Tournesol

Há pessoas que desenvolvem uma talentosa habilidade para o "esquivanço".

Pessoa A: –"Então? Leste o livro que te emprestei?"

Pessoa B: –"O livro é muito interessante. Tem um índice fabuloso, etc, etc"

A resposta parece que responde à pergunta, mas, objectivamente, não responde.
Uma das interpretações possíveis é que a pessoa "B" poderá ter lido o livro. Outra das interpretações possíveis é que a pessoa "B" não terá lido o livro mas não o quer admitir por alguma razão.

São formas de responder, não respondendo. Formas de manipular o significado na esperança de fazer passar a mensagem que a pessoa "B" julga ser aquela que a pessoa "A" quer ouvir: a de que terá, realmente, lido o livro.

What goes around comes around / Paradoxos / O legado judaico-cristão / Culpa e negação

Se assumirmos que tudo o que fazemos, que tudo o que dizemos, é da nossa inteira responsabilidade...
Ficando registado na nossa existência uma marca, por cada gesto, do mais irreflectido ao mais consciente, por cada palavra proferida, por cada atitude.

Se assumirmos que não somos seres perfeitos (ou residirá, em nós, o potencial para o sermos e não estamos a ver a coisa na perspectiva correcta?)....

Como integrar a questão da culpa? Haverá lugar para a culpa? A culpa só existe havendo consciência? A culpa é fruto de uma auto-imposição de pureza e perfeição?

É pertinente assumir a existência de culpa se partirmos do princípio que o resultado de tudo o que fazemos, de tudo o que dizemos, é da nossa inteira responsabilidade?

Eu procedi, realmente, mal. Devia ter previsto as consequências do meu procedimento.
Sou culpado.

O resultado do meu procedimento foi mau porque as circunstâncias assim o permitiram.
Não sou culpado.

Eu acho que não devia ter procedido assim.
Sou culpado.

Aquilo que o meu procedimento provocou, resultou de uma irreflectida actuação da vítima.
Não sou culpado.

Ritmos / Velocidades / O útil e o agradável


Ian O´Leary
Há os que estagnaram num estado de cristalização de puto na idade da parvalheira. Parece que os anos não lhes passaram pela cabeça. Cheios de ideias pré-concebidas sobre tudo, querendo dar lições a todos. Não admira que muitos, depois, tenham problemas em enfrentar a passagem do tempo.

Há cotas que parecem putos e há putos que parecem cotas.

Há aqueles cuja cabeça foi evoluindo, acompanhada por uma sabedoria que os impediu de se enclausurarem no seu mundo, disponibilizando-os para a absorção das gentes e locais por onde foram transitando. Abertos à fusão, renovando-se, reciclando-se.

E, depois, também haverá muitos meios termos.
Haverá velocidades diferentes. Aqueles que não atinam com a embraiagem e andam aos solavancos. Aqueles que estão sempre a travar a fundo, aqueles que usam muito o ponto morto, aqueles que andam às aceleradelas, os que passam nos "verdes tintos", os que andam a dez à hora nas auto-estradas...

Que tal será, se conseguirmos reter aquele "estado adolescente"? Um estado-esponja. Aquela predisposição para a novidade, para absorver, assimilar, desfrutar intensamente, saborear sem julgar.
Corações (e antenas) ao alto!
Mas... com a sabedoria e a capacidade de discernimento de alguém já vivido.

BI

Ai e tal... aquele fulano é um ex-combatente. Está tudo dito.
Ai não está, não!
Ai e tal... aquele fulano é um esquizofrénico. Está tudo dito.
Ai não está, não!
Ai e tal... aquele fulano é canceroso. Está tudo dito.
Ai não está, não!
Ai e tal... aquele fulano é autista. Está tudo dito.
Ai não está, não!
Ai e tal... aquele fulano é toxicodependente. Está tudo dito.
Ai não está, não!
Ai e tal... aquele fulano é um marginal. Está tudo dito.
Ai não está, não!
Ai e tal... aquele fulano é perfeitamente normal. Está tudo dito.
Ai não está, não!

Ser ou não ser / portos seguros / pachorras / triagens

Tenho amigos (... que até nem fazem parte do meu Facebook) que têm vidas complexas e muito ocupadas. Vidas cheias de compromissos, aqui e acolá. Amigos cujo verniz nunca estala. Sempre disponíveis. Amigos corajosamente íntegros e sinceros em cujas expressões corporais sei que nunca detectarei uma falsidade. Amigos com vidas intensas e sofridas que, também, se relacionam com outros amigos com vidas intensas e sofridas. Amigos que praticam a amizade, não por ser bonito ou conveniente, porque essa linguagem não faz parte do seu universo. Amigos educados. Amigos onde a falsa vaidade não existe. Amigos de fachada transparente. Amigos que, se necessário for, fecham as portas devagar, com cuidado. Amigos iguais a si próprios, despojados do trivial e do supérfluo. Amigos que não necessitam de enviar pedidos de amizade para nos conhecer melhor porque o fazem com o seu próprio corpo e a sua própria carne.
Ainda bem que tenho amigos desses. Dos verdadeiros.
É com amigos desses que aprendemos a ser gente.

Ok, pá, ponto final parágrafo / gosto de ti na mesma



Uma boa semana!


"De pé oh vítimas da fome...." LOL

Wish List

A Madame Rouff / Contextos / Cabeças

Nas minhas andanças profissionais, o meu caminho cruzou-se com o de uma senhora francesa.
Vivia, em Paris, num pequeno apartamento daquelas ruas antigas, recheado de vivências.
Tinha os cabelos todos brancos. Um olhar conhecedor.
Vestia Jean Paul Gaultier. Mini saias de renda preta...
Na sua pele residiam as marcas de uma vida, que eu imaginava, plena.
Para apertar os atacadores dos sapatos colocava o pé em cima de uma cadeira, como o fazia quando era criança.
Ainda bem que a conheci. A sua postura, o seu modo de vida, ensinou-me a ver a essência das coisas.
Era daquelas pessoas que, apesar do invólucro que a continha, tinha o dom de nos distrair como o fazem os mágicos, desviando a nossa atenção para o essencial.
Nunca soube a sua idade. Para dizer a verdade, essa era uma questão totalmente secundária. Para quê? Qual a utilidade dessa informação? Certamente teria idade para ser minha avó.
Tinha o dom de apagar esse preconceito da cabeça dos que cativava, dos que viam mais longe. Deixando, quem quisesse perder tempo com essas coisas, rendido ao paradoxo.
Partilhava a cama e a vida com um rapaz da idade do seu filho, na casa dos trinta e tal.
Eram felizes, assim, há muitos anos.

Ne riez pas, n'y touchez pas. Gardez vos larmes et vos sarcasmes...


Serge Regianni, La Femme qui est dans mon lit

Pedaços de instantes

Enquanto conversava com a amiga, sentiu o olhar dele a fixá-la.
Invadiu-a a vontade de lhe devolver o gesto na mesma proporção da dimensão daquele momento.
Há muito que ansiava por uma oportunidade.
Hesitou. Não, não se atreveria ousar. Não era próprio.
Não era conveniente.
Mas, como que impelida para se deixar, também, suspender naquele instante de tempo, abandonou a sua voz e a da amiga na paisagem.
Fixou os seus olhos nos dele.
Foi o tempo.
A intenção que ela colocou no tempo daquele breve encontro provocou, nele, uma convulsão física, como se algo invisível o tivesse empurrado, fazendo-o tropeçar em si mesmo.
Empurrado para o desconforto do indisfarçável.
O final foi feliz e decente, pois a educação e os bons costumes, de ambos, assim o permitiram.
Ficou a recordação.

O Timoneiro


Jupiterimages

Quando, cada gesto, cada palavra proferida encontra um bom
porto e espalha-se no outro, preenchendo-o como a água que
não pede licença e invade tudo, ocupando cada frincha, cada recanto disponível.

Há os que o são, momentaneamente, como um barco que passou
por um porto, ávido pela sua mercadoria.

Há os que preferiam não sê-lo e experimentam rotas alternativas, fugindo a ter que desempenhar esse papel.

Há os que sentem esse desconforto e ficam paralisados, como se ficassem sem remos. Desorientados na corrente.

Há, ainda, os que têm vocação para sê-lo.

capire


Há coisas de que não me lembro mas que me deixaram
a certeza de que as (vi)vi.
Impregnaram-me de um potencial para o entendimento.
De uma predisposição para as (re)captar.
Um entendimento de coisas invisíveis.
Uma intuição induzida.

Hanna


Hanna era uma prostituta insólita, cujo maior excitante surgia no modo de olhar, em que coincidia a perversão ilimitada e a inteligência racional. Tinha um olhar de quem está de fora a ver o que sucede às coisas; olhar de cientista.
Jerusalém, G. M. Tavares


Getty Images

A dimensão das coisas.
Ter consciência da dimensão das coisas.
Do peso da dimensão das coisas.
Sentir o peso da dimensão.
A pressão do peso da dimensão das coisas.
A pressão
do peso
da dimensão.
Sentir o peso da pressão
A pressão da dimensão.
O peso das coisas.
A dimensão da pressão
A dimensão do peso
das coisas.
Sentir a consciência da pressão
da dimensão das coisas.

Serendipity


Colin Anderson

Arquivando.
Fechando gavetas.
Abrindo outras.
Deitando fora.
Encaixando coisas.
Tentando encaixar outras.
A-cre-di-tan-do.
Cantando e rindo.
Oxigenando.

Desafiando o TEMPO.
Super
(ei-) me.


Paul Taylor

Paradoxos

Ele há coisas que são, simultaneamente, boas de mais e más de mais para serem verdade.


The Magnetic Fields, 69 Love Songs
I don't want to get over you.
I guess I could take a sleeping pill and sleep at will
and not have to go through what I go through.
I guess I should take Prozac, right, and just smile all
night at somebody new, somebody not too bright but
sweet and kind who would try to get you off my mind.
I could leave this agony behind which is just what I'd
do if I wanted to, but I don't want to get over you.
Cause I don't want to get over love.
I could listen to my therapist, pretend you don't exist
and not have to dream of what I dream of; I could listen
to all my friends and go out again and pretend it's enough,
or I could make a career of being blue.
I could dress in black and read Camus, smoke clove cigarettes
and drink vermouth like I was 17 that would be a scream but I don't want to get over you.

Uma solução para colocar soluções


Saúde!

Era uma vez...


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Era uma vez um menino que não tinha irmãos.
Os pais, por não terem a possibilidade de lhe dar um irmão ou uma irmã, sentiam-se muito tristes, e achavam que, se dessem sempre muita atenção ao menino, ele nunca havia de sentir a falta de uma companhia para brincar.
Acontece que o menino era feliz, assim, sem irmãos.
Gostava de brincar sozinho.
Aprendeu a criar o seu cantinho e a conversar com os seus bonecos.
Não sentia a falta de irmãos pois não sabia como era tê-los!
Mas os pais, aflitos, andavam sempre de roda dele, enchendo-o de cuidados, sugestões, prendas e... «olha vai lá para fora brincar com os outros meninos...», «olha, come mais um bocadinho para ficares forte como o Popeye...», «cuidado que está frio!», «veste a camisola, não te esqueças de pentear o cabelo...» «pareces tão sozinho!» «o que fazes com a porta fechada? anda para junto de nós!»
O menino gostava muito dos pais, mas, às vezes sentia-se, sufocado.
Eram tantos os desvelos que o menino foi criando uma terrível necessidade de ter o "SEU" cantinho.
Um espaço secreto onde ninguém pudesse entrar.
O que nem sempre era fácil, pois ele desejava transportá-lo para toda a parte. Ou seja: para onde quer que fosse...
Quando o menino se fez homem, ganhou o hábito de andar pela sombra, rente aos muros, por ruas pouco frequentadas, receando permanentemente pôr em risco o seu sossego.
Desenvolveu um gosto por locais escondidos, recatados, onde passasse pouca gente. Locais que não ficavam a caminho de nada. Sentia algum desconforto quando as pessoas gostavam de estar com ele e de conversar com ele. Desconfiava se a mesma pessoa lhe fazia duas perguntas seguidas ou insistia em convidá-lo para sair e para se divertirem.
Enfim, o menino transformara-se num homem solitário, que soubera assegurar a sua toca. Porém, a toca era feita exactamente à sua medida e, quando lhe apetecia convidar alguém para o visitar, sentia um enorme desconforto, porque lhe parecia que não cabiam duas pessoas, à vontade, no refúgio que construíra.
Então ficava triste, pensando que tinha conquistado um cantinho à sua medida mas, na verdade, nunca lhe tinha passado pela cabeça que a sua medida poderia e deveria chegar para partilhar momentos, alegrias e tormentos com os outros.

Surprise

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Liberdade: essa ilusão / Conjunturas


Esperando a hora.

O Tempo

Quem tem olhos pra ver o tempo soprando sulcos na pele
soprando sulcos na pele soprando sulcos?

o tempo andou riscando meu rosto
com uma navalha fina
sem raiva nem rancor
o tempo riscou meu rosto
com calma

(eu parei de lutar contra o tempo
ando exercendo instantes
acho que ganhei presença)

acho que a vida anda passando a mão em mim.
a vida anda passando a mão em mim.
acho que a vida anda passando.
a vida anda passando.
acho que a vida anda.
a vida anda em mim.
acho que há vida em mim.
a vida em mim anda passando.
acho que a vida anda passando a mão em mim

e por falar em sexo quem anda me comendo
é o tempo
na verdade faz tempo mas eu escondia
porque ele me pegava à força e por trás

um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo
se você tem que me comer
que seja com o meu consentimento
e me olhando nos olhos…

acho que ganhei o tempo
de lá pra cá ele tem sido bom comigo
dizem que ando até remoçando

Viviane Mosé

Declamado aqui

puxando o fio à meada


Isto também deve ser interessante.

A realidade e o medo que desenvolvemos


A VERDADE não é o produto da nossa curiosidade
humana em descobrir o que as coisas são.
A verdade é o produto do nosso medo da morte.
A verdade é a necessidade de estabelecer, no mundo, a DURAÇÃO.
A verdade é o produto de uma necessidade psicológica
de duração.

A história do conhecimento humano é a história da
cristalização da ideia de verdade.

Só sei que nada sei

Mas uma coisa eu sei,
é que não ando aqui
para andar a dormir!
(em processo de reinvenção e de auto-lavagem cerebral)

Carpe Diem / Avestruzes


Joerg Hardtke
O idealista refugia-se num mundo que nega a realidade
que o cerca.
Tenta mudar o mundo através da sua filosofia pré-concebida.
O idealista é incorrigível; se é expulso do seu céu, faz um ideal
do seu inferno.

Imprints


Christopher Gould
Ter consciência absoluta do instante supremo
de cada um dos nossos gestos.

(E, desde já, aqui vão os meus mais sinceros agradecimentos muito indirectos a quem a carapuça, eventualmente, couber por me ter aberto esta janela e despertado esta curiosidade em mim).
Um bem haja. :)

O tempo. A estética. O Homem / Supreme beauty / olha-me esta! / mas isto tem muuuito mais que se lhe diga do que parece! / anti-gratuitidade


A existência não tem uma justificação... e caso se admita alguma justificação, essa será pura e simplesmente estética.

Isto é BRUTAL! Já aflorei aqui e aqui a minha posição a este respeito.
A luz, essa coisa sem corpo, entrou pelas frinchas!
Ora aqui está uma coisa que acho que me interessa bastante. Bendita curiosidade. Hoje, e neste preciso ponto, superei-me. Não sei nada sobre o assunto. As questões da estética sempre me fascinaram, e o Tempo... ai o Tempo... ai o Tempo: that illusion that makes us pant...
Vou investigar, mas vou ter que arranjar alguém que me explique isso como se eu fosse muito burra. Bendita internet.
Palpita-me que será uma forma produtiva de alimentar um cérebro subnutrido que anda a perder tempo de mais com trivialidades e comida (cerebral) com muitos corantes e conservantes! Digo eu! LOL
Caminhamos para BINGO!
E, já agora, a propósito de Homem e de estética, será que isto poderá ser um complemento interessante?

Até que nos fartemos


Hibernando

Transferência erotizada ou paixão? / O que faz as pessoas felizes / Monólogos interactivos / Californication / Embróglios / Feromonas / Ao ataque


Getty Images
Onde reside a fronteira?
Uma coisa me parece – para ambas é necessario disponibilidade / predisposição interior.

Sei de quem tenha construído uma vida em conjunto (no sentido tradicional do termo) e constituído família com esse equívoco na base da relação. Relações condenadas à nascença, mas que podem durar 30 anos. Uma vida.
Quando um dos elementos da relação é (literalmente) uma figura paterna (ou materna), um ídolo para o outro elemento. Apesar de condenada à partida pode, mesmo assim, nunca se romper.


Sebastian Pfuetze
Estará a distinção entre "transferência erotizada" e "paixão" (chamemos-lhe assim) no factor "recorrência" (alguém que se apaixona muitas vezes)? Será que a ocorrência do "apaixonar-se" pode determinar de qual das duas situações se trata? O que é a paixão (esse impulso)?

E a necessidade de afecto – resultante de uma descompensação a esse nível e que pode disponibilizar / predispor um indivíduo para sentir atracção (apaixonar-se?) por outro – onde se encaixa? É paixão à primeira vista? É transferência erotizada? E o tempo que esse sentimento demora a gerar-se no indivíduo (não sendo tanto "à primeira vista" como isso) pode ajudar à distinção entre uma paixão / atracção ou transferência erotizada?

Ryan McVay
O que é que pode funcionar como factor aglutinador que impele/motiva um indivíduo para um encontro que (quem saberá) poderá, até, ser compensador para ambos no que toca a um relacionamento gratificante?

Afinal de contas não é disso que andamos todos à procura?


In the mood for some poetry.


George Michael, Father Figure
That's all I wanted, something special,
Something sacred in your eyes,
For just one moment, to be bold and naked
At your side

Sometimes I think that you'll never understand me
Maybe this time is forever, say it can be

That's all you wanted, something special,
Someone sacred in your life
Just for one moment, to be warm and naked
At my side

Sometimes I think that you'll never understand me
But something tells me together, we'd be happy

I will be your father figure (Oh baby)
Put your tiny hand in mine (I'd love to)
I will be your preacher teacher (Be your daddy)
Anything you have in mind (It would make me)
I will be your father figure (Very happy)
I have had enough of crime (Please let me)
I will be the one who loves you
till the end of time

That's all I wanted
But sometimes love can be mistaken for a crime
That's all I wanted just to see my baby's blue EYES shine
This time I think that my lover understands me
If we have faith in each other
Then we can be strong

I will be your father figure
Put your tiny hand in mine
I will be your preacher teacher
Anything you have in mind
I will be your father figure
I have had enough of crime
I will be the one who loves you
till the end of time

If you are the desert, I'll be the sea
If you ever hunger - hunger for me
Whatever you ask for, that's what I'll be

So when you remember the ones who have lied
Who said that they cared
But then laughed as you cried
Beautiful darling, don't think of me

Because all I ever wanted
It's in your eyes baby, baby
And love can't lie, no...
(Greet me with the eyes of a child)
My love is always telling me so
(Heaven is a kiss and a smile)
Just hold on, hold on
I won't let you go, my baby

I will be your father figure
Put your tiny hand in mine
I will be your preacher teacher
Anything you have in mind
I will be your father figure
I have had enough of crime
So I am gonna love you
till the end of time
I will be your father
I will be your preacher
I'll be your daddy
I will be the one who loves you
till the end of time

Lol

It makes them feel good, they say


Julie Jacobson


Perante tamanha miséria... quem os vai censurar?

SKIN (ao natural)


Clicar na imagem para ampliar.
Mais aqui

Alguém saberá dizer-me se eles também andam pelo Porto?



Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o amor tem asas de ouro. Ámen
Natália Correia

Terapeutas de quatro patas


Emma Innocenti
Aqui.

Subjectividade / Descontando / Tá bonito, tá / Digo eu


Pete Turner
TENDING TO IDEALIZE:
Subconsciously choosing to perceive another individual as having more positive qualities than they may actually have.


ANTICIPATION:
Realistic planning of future discomfort.

How?


James Cotier
How painful can it be to inflict the same wounds on others, that have been inflicted on ourselves?


Jacob Levy Moreno
Como eu gostava de me ter cruzado com este senhor.

Claude Lévi-Strauss (1908–2009)


Primeira parte (de 6) de uma entrevista feita a Claude Lévi-Strauss, em 1972.
As restantes partes estão, igualmente, no Youtube.

But something stirs and something tries / And starts to climb towards the light / And no-one sings me lullabies /And no-one makes me close my eyes


Totally grounded by reality.

O que pesará mais? / Balanços / Well being / Cada cabeça sua sentença


No relacionamento entre as pessoas, sabemos que este equilíbrio é muito difícil de atingir.

• Qual o elemento necessário para fazer a balança pender mais para a esquerda ou mais para a direita, mantendo o possível equilíbrio?
• O que pode acontecer quando um ou mais elementos, de cada lado, ou só de um dos lados da balança, deixa de existir?
• Qual dos lados da balança é o mais importante?

These are the questions.

Stimulating.... the brain / I've seen this film before


Alberto Ruggieri
Quando nos deixam de surpreender, quando tudo é previsível... é que já nem a testosterona nos vale!

Dead end / Scary Movie ∞

If she should leave
He would die
If she should leave
She may die

If she doesn't leave
She will die

If she wants to live
Should she lie?

How to live with lies
and not die?

Catalisador?

Precisa-se.


D-Base


Allison Michael Orenstein

To be played VERY loud

Under pressure


Getty Images
Desperately needing
to drown this anxiety
in tears.

Found the words
to the pain
one more crack in the dam
appears.

Yet the sound of the words
meets no ears.

And it drowns
deep deep down...

To fill my fears.


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Comfortabley Numb, Pink Floyd

Territórios / Fronteiras / Read me / Dimensões relacionais / Códigos


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Segundo certos estudos sociológicos e etológicos, o corpo apresenta à sua volta várias zonas, com implicações socioculturais diferentes. A primeira zona, cujas fronteiras se situam mais ou menos a 0,40 m do corpo, corresponde à zona das relações íntimas com carácter de privacidade. É a área dos cheiros inconscientes, o espaço dos toques sensuais e da intimidade, das ternuras familiares mas também das violências intrusivas e dos abusos. É na faixa a seguir, entre 0,40 m e 1,20 m, que as relações comuns de linguagem entre os indivíduos se estabelecem preferencialmente. Para além desta distância, o modo de comunicação altera-se substancialmente: a possibilidade de transmissão de ternura torna-se mais difícil, o som da voz parece mais agressivo, certos gestos e mímicas escapam aos interlocutores ou podem ser mal interpretados devido à distância. Na verdade, cada dimensão relacional corresponde a uma intenção comunicativa própria, que implica certos modos posturais (olhar, inclinação da cabeça, movimentos das mãos) e determinadas inflexões da voz (tom, ritmo, altura).


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O que faz variar o tamanho das zonas entre os seres humanos? O primeiro factor é cultural; com efeito, se a noção de fronteiras entre os indivíduos parte de uma necessidade biológica, esta sofre automaticamente a influência do meio sociocultural. Assim, os povos latinos tendem a aceitar uma maior proximidade interindividual do que os povos nórdicos; no entanto, todos os indivíduos conservam uma sensibilidade às variações entre as distâncias interpessoais.

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O segundo factor é psicológico. A noção do espaço na relação social altera-se com o modo de perceber a presença do outro.
[...] Além desta distância individual entre os membros de uma mesma espécie, existe uma distância de fuga, a partir da qual um indivíduo tenta escapar quando um membro de uma outra espécie se aproxima dele.
[...] Alguns etólogos consideram que é difícil não fazer uma analogia entre a distância individual e a elaboração do território. De facto, por um lado, o território pode ser considerado apenas como uma extensão da "bola pessoal" de um indivíduo; por outro lado, quando se trata de um grupo de indivíduos, o território apresenta um tamanho que varia com as necessidades do "corpo colectivo".
Memórias de Território, Alain Jézéquel


The Pillow Book

Pergunto:
Como se equaciona e organiza isto tudo na dimensão virtual?
Os "olhares virtuais", os "gestos virtuais", a proximidade (virtual)...
Novos modos de estabelecer as fronteiras do território, permitindo maior ou menor interactividade.
O lugar da fantasia e da imaginação.
Um jogo de esconde-esconde. O factor do anonimato, da invisibilidade, do voyeur, do exibicionista...

:) / ;) / :P / :S / Lol / 8-0

(and now for something completely diferent... that has to do with territory)


Monty Python – Spam