Do patriarcado / da psicologia social / a propósito de Ressentiment, de Schoeck*

"Portanto, recomeçou ele, digamos que temos um conjunto médio de africanos pobres, agricultores, e eis que aparecem uns especialistas brancos para induzirem o desenvolvimento, por exemplo, instalando um projecto de desenvolvimento rural integrado com o máximo de sensibilidade de que alguém foi capaz até à data. O tempo passa. As coisas começam a funcionar. Mas acontece uma coisa curiosa: os melhores de entre os pobres, os mais competentes, os que estão a sair melhor e inclusive os que são mais parecidos connosco espiritualmente, são aqueles que nos vão brindar com grinaldas e ramalhetes de ressentimento. Porquê? O que é que devemos fazer para o evitar?
E olhe que estou a falar de um projecto de desenvolvimento absolutamente normal.

A Conversa dele pareceu-me ter um certo tom de cripto-entrevista de trabalho. Disse para mim própria que não.
Nenhum adulto quer ser ajudado, disse eu. Por definição. Provavelmente devia especificar "homem adulto", em vez de dizer só "adulto", porque o caso das mulheres é diferente. Mas basta pensar nos Franceses, nos Britânicos e em nós. Seria de pensar que, no mínimo, eles fingissem que gostavam de nós ao longo de uma parte de uma geração, uma vez que os salvámos de se transformarem em províncias do Terceiro Reich. Podemos ajudar as mulheres, mas cuidado com a ideia de ajudar os homens. As nações são masculinas."
Norman Rush, "Acasalamento" — um romance, escrito por um homem, em que a figura central, e narradora, é uma mulher.
* Ressentiment, vem da Sociologia francesa e significa ressentimento expresso em segredo, em especial contra quem nos faz bem.

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