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"Tudo, absolutamente tudo quanto existe, tudo de que me recordo, tudo quanto os meus confusos pensamentos afloram, me parece significativo. Mesmo o meu próprio espírito pesado, a habitual apatia do meu cérebro me parece ter um sentido; sinto um jogo de forças encantador, pura e simplesmente infinito, em mim e à minha volta, e de entre as matérias com que estas forças jogam, nenhuma há em que possa verter-me. Então parece que o meu corpo se compõe de números puros que tudo me abrem. Ou que poderíamos entrar em novas relações com toda a existência, fecundas de pressentimentos, se começássemos a pensar com o coração. Falte-me porém este estranho encanto e nada sei dizer a respeito disto; tão-pouco me seria possível expressar por palavras sensatas em que consistiria essa harmonia entre mim e o mundo inteiro e de que maneira ela se me tornou sensível, como se pudesse fornecer indicações precisas sobre os movimentos interiores das minhas entranhas ou sobre as paragens de circulação do meu sangue."
Hugo von Hofmannsthal, in A Carta de Lorde Chandos