Touched Nature

The Anthropocene

A loucura do Antropoceno

"À medida que o trabalho de Morton se estende para lá dos hierofantes culturais como Björk e entra nas páginas dos maiores órgãos de informação, ele está talvez a transformar-se no nosso mais popular guia para a nova época. Sim, é verdade que ele tem algumas ideias que parecem muito loucas acerca do que significa estar vivo nos tempos actuais – mas o que significa estar vivo exactamente agora, no Antropoceno, é efectivamente muito louco."



"Morton compara esta consciencialização com as histórias de detectives em que o perseguidor percebe que se está a perseguir a si próprio (os seus exemplos favoritos são Blade Runner e Édipo Rei). “Nem todos nós estamos preparados para ficarmos suficientemente assustados [com esta epifania]”, declara. Mas existe outra reviravolta: apesar de os seres humanos terem causado o Antropoceno, não podemos controlá-lo. “Oh, meu Deus”, exclamou Morton ante mim a certa altura, fingindo estar horrorizado. “A minha tentativa de escapar da teia do destino era a teia do destino.”

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What is falling in love



Sobre Michael Guy Thompson

Wish list




A stunning exploration of the relation between desire and psychopathology, The Death of Desire is a unique synthesis of the work of Laing, Freud, Nietzsche, and Heidegger that renders their often difficult concepts brilliantly accessible to and usable by psychotherapists of all persuasions. In bridging a critical gap between phenomenology and psychoanalysis, M. Guy Thompson, one of the leading existential psychoanalysts of our time, firmly re-situates the unconscious – what Freud called "the lost continent of repressed desires" – in phenomenology. In so doing, he provides us with the richest, most compelling phenomenological treatment of the unconscious to date and also makes Freud’s theory of the unconscious newly comprehensible.

 In this revised and updated second edition to the original published in 1985, M. Guy Thompson takes us inside his soul-searching seven-year apprenticeship with radical psychiatrist R. D. Laing and his cohorts as it unfolded in counterculture London of the 1970s. This rite de passage culminates with a four-year sojourn inside one of Laing’s post-Kingsley Hall asylums, where Laing’s unorthodox conception of treatment dispenses with conventional boundaries between "doctor" and "patient." In this unprecedented exploration, Thompson reveals the secret to Laing’s astonishing alternative to the conventional psychiatric and psychoanalytic treatment schemes.

 Movingly written and deeply personal, Thompson shows why the very concept of "mental illness" is a misnomer and why sanity and madness should be understood instead as inherently puzzling stratagems that we devise in order to protect ourselves from intolerable mental anguish. The Death of Desire offers a provocative and challenging reappraisal of depth psychotherapy from an existential perspective that will be of interest to psychoanalysts, psychotherapists, philosophers, social scientists, and students of the human condition.
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Pré - Conceitos

"When you hold preconceived thought and beliefs this can manifest itself in sometimes ugly ways and at the very least can skew your judgement. I think at some stage in our lives we have all been guilty of holding unjust prejudices against people for no particular reason other than something we have been told about them."




"A photograph is shaped more by the person behind the camera, than by what is in front of it"


Muito interessante, quando quem observa é influenciado por aquilo que lhe contam. Por aquilo em que acreditam. Sem conhecerem, de facto, a pessoa... O problema é quando esta situação se transpõe para a vida real, e quando se elaboram juízos de valor e se emitem opiniões mal informadas...

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"In a different voice"


"Gabriela was a character so close to who I am. I would like if women could be just the way we are. Not the way need to be."
Sónia Braga

Cidade visível

Or, a vision in a dream. A Fragment.
In Xanadu did Kubla Khan
A stately pleasure-dome decree:
Where Alph, the sacred river, ran
Through caverns measureless to man
Down to a sunless sea.
So twice five miles of fertile ground
With walls and towers were girdled round;
And there were gardens bright with sinuous rills,
Where blossomed many an incense-bearing tree;
And here were forests ancient as the hills,
Enfolding sunny spots of greenery.
But oh! that deep romantic chasm which slanted
Down the green hill athwart a cedarn cover!
A savage place! as holy and enchanted
As e’er beneath a waning moon was haunted
By woman wailing for her demon-lover!
And from this chasm, with ceaseless turmoil seething,
As if this earth in fast thick pants were breathing,
A mighty fountain momently was forced:
Amid whose swift half-intermitted burst
Huge fragments vaulted like rebounding hail,
Or chaffy grain beneath the thresher’s flail:
And mid these dancing rocks at once and ever
It flung up momently the sacred river.
Five miles meandering with a mazy motion
Through wood and dale the sacred river ran,
Then reached the caverns measureless to man,
And sank in tumult to a lifeless ocean;
And ’mid this tumult Kubla heard from far
Ancestral voices prophesying war!
The shadow of the dome of pleasure
Floated midway on the waves;
Where was heard the mingled measure
From the fountain and the caves.
It was a miracle of rare device,
A sunny pleasure-dome with caves of ice!
A damsel with a dulcimer
In a vision once I saw:
It was an Abyssinian maid
And on her dulcimer she played,
Singing of Mount Abora.
Could I revive within me
Her symphony and song,
To such a deep delight ’twould win me,
That with music loud and long,
I would build that dome in air,
That sunny dome! those caves of ice!
And all who heard should see them there,
And all should cry, Beware! Beware!
His flashing eyes, his floating hair!
Weave a circle round him thrice,
And close your eyes with holy dread
For he on honey-dew hath fed,
And drunk the milk of Paradise.

Sigmund e Anna – Um pai que não podia tolerar ninguém acima de si.

"As pessoas estarão cientes de que Anna foi analisada pelo pai? A partir de 1918, quando manifestou o desejo de se tornar também analista, deitou-se no divã, todos os dias. Na época, eu não via nisso mais do que um favor que ele lhe fazia. Mais um favor. Mas muito em breve me interroguei. Ela vivia com ele e, além disso, confidenciava-lhe o que não se diz a ninguém. Os pensamentos secretos, os desejos mais vergonhosos. Pensamentos, desejos esses, que lhe diziam respeito a ele, essencialmente. Sigmund publicara, 1919, um artigo intitulado "Uma criança é espancada". Anna, pelo seu lado, no Congresso de Berlim, em 1922, proferiu uma conferência que incidia sobre os fantasmas da fustigação numa rapariga, exactamente sobre o mesmo tema. Naquela altura, ela ainda não tinha doentes e, portanto, não podia falar senão de si mesma. Ora, tratava-se de fantasmas incestuosos entre pai e filha. Tudo era trazido para a praça pública, numa exibição que não enganou ninguém. Talvez uma maneira de afrontar as críticas, de as antecipar. Ou, então, estavam os dois de tal forma cegos que não viam que se podiam achar aí motivo de censura? Aliás, não houve ninguém que ousasse levantar a menor reserva, em todo o caso.
Sigmund era já sagrado e, havia muito, intocável.

Para mim, não é esse, contudo, o ponto essencial. Não percebo como pôde ele aceitar, daquela mulher nova, que se deixasse aprisionar em definitivo por essa psicanálise, sabendo que Anna tinha consigo uma relação de amor exclusivo e excessivo. Por mais que fosse um génio, como era capaz de evitar que aquele laço, no qual estava tão implicado quanto ela, não se consolidasse assim para sempre? Estou certa de que tal passo, em lugar de exercer um papel libertador, apenas fez estreitar mais os nós que os ligavam. O resultado foi visível. Anna jamais largou o pai, tornou-se na sua única colaboradora, na sua voz nos congressos, na sua herdeira espiritual. Foi a sua guarda na doença – mais próxima do seu corpo do que de qualquer outra pessoa.

Em 1925, Sigmund ofereceu-lhe um cão, um pastor-alemão que a devia defender durante os seus passeios. O Wolf.

Para ambos, o animal assemelhava-se a um filho. Davam-lhe de comer à mesa, cúmplices num jogo que me era insuportável. Cúmplices em tudo. O mesmo se passou com a amizade que particular que Anna estreitou com Dorothy, no ano em causa. Sigmund tudo fez para que esta se desenrolasse perto de si, quase debaixo dos seus olhos, na mesma teia das relações amorosas, familiares e analíticas. Aliás, foi Dorothy que lhe ofereceu o seu primeiro cão, o seu primeiro chow-chow. Não existia qualquer fronteira, qualquer limite. O magma. Para que jamais se separassem.

Sem dúvida, as pessoas julgam que a minha filha beneficiou daquela singular situação. Claro que tinha prestígio por causa do nome do pai e do adubamento com que ele a gratificou oficialmente, em vida. Mas bastava olhá-la para se perceber que não se achava à altura de tal destino. A identificação com o pai é uma impostura que não pode passar despercebida a ninguém. Anna é inteligente, sem dúvida, mas pobre e sem génio. Que criou ela? Na análise de crianças, de que retira a glória de ser fundadora, acho bem mais interessante o trabalho de Melanie Klein, sua rival, que não se limita a uma pedagogia vagamente tingida de psicanálise. Anna não fez mais do que aplicar, escolarmente, as teorias do pai. Como é que ninguém se dá conta?

Acho-a sobretudo alienada, esterelizada, sob todos os pontos de vista, pelo que o pai lhe impôs. A força do seu próprio desejo. Ele chamava-lhe a sua Antígona, esperando sublinhar assim o heroísmo que mostrava a seu favor. De facto, ele desvelava a origem incestuosa daquele amor: Antígona, filha de Édipo... Pergunto-me, às vezes, porque o inventor do extraordinário utensílio de libertação que é a psicanálise não se conseguiu aproveitar dele pessoalmente. No que se chama a sua auto-análise, ele parou, forçosamente, num limite que desconhecia. Acho uma pena que não tenha podido continuar a experiência mais tarde, com um dos seus alunos. Com certeza era impossível, de tal modo estes estavam aterrorizados pelo monstro em que ele se tornara, a seus olhos. Um deus vivo. A maneira como se conduziam com ele dá uma ideia daquele terror. Também teria faltado, por parte do Sigmund, uma humildade que estava longe de possuir. Agarrava-se ao seu estatuto de pai da psicanálise. Um pai que não podia tolerar ninguém acima de si.

Nicolle Rosen, in Martha Freud

How to be kind when you're upset with your partner

"A relationship is the concerted effort of two people who mindfully and enthusiastically work towards a shared vision. Despite the difficulties of daily life, partners are in charge of their own behaviour. While a couple grows together, they are not precluded from growing as individuals as well – in fact they must evolve as individuals to continually bring their “best selves” to their partner."
Mais aqui.

Freud e Fausto

"Perguntava-me então se o Sigmund, sem o confessar nem a si mesmo, não acabava de introduzir na psicanálise uma nova dimensão que fazia parte do desconhecido, do inconhecível. Do limite no qual o humano se fere. Daquilo que o ultrapassa.
Ele estava em posição de dizer que se mantinha sempre dentro das fronteiras da ciência, mas eu não estava certa de ele não invocar, naquela nova elaboração da teoria, talvez até a contragosto, o tal além de que as religiões testemunham, cada qual à sua maneira. Sem dúvida era essa a razão pela qual os mais racionalistas dos seus alunos se tinham oposto com furor à nova concepção das coisas.
E talvez fosse por isso que o Sigmund se via obrigado, para se defender deles, a repetir os seus ataques à religião. Talvez acabasse de se ter ferido naquilo que sempre se negara a admitir, que a psicanálise, a sua criação, tinha limites.
Penso numa citação que, numa carta ao Stefan Zweig — de que eu soube recentemente —, fora buscar ao Fausto, de Goethe. Escrevera, a propósito da fuga do Joseph Breuer perante a gravidez nervosa de Bertha Pappenheim: Tinha na mão a chave que nos teria aberto as Portas das Mães, mas deixou-a cair. Apesar dos seus grandes dons, não havia nele nada de faustiano. Aquela referência não me era estranha. Goethe fora sempre um dos meus autores preferidos — eu lera e relera o seu Fausto. Mas não conseguia descobrir o local onde se falava naquelas enigmáticas "Portas das Mães" para compreender a que se referia ele. Tratava-se do Segundo Fausto em que Mefistófeles evoca as deusas capazes de fazer aparecer Helena e Páris, bem como o sítio onde elas residem. Tirei o livro da estante e reencontrei estes versos magníficos:
Majestosas, as deusas reinam na solidão; Em torno de si não há lugar, e ainda menos tempo; Falar delas é perturbante; São as Mães.
E a Fausto, que lhe pergunta qual o caminho para as encontrar, ele responde: Não há caminho! É no trilhado, no que nenhum pode calcar; um caminho para o indesejado, para o inacessível. Estás pronto? Nem fechaduras nem ferrolhos a abrir; vaguearás nas solidões. Tens ideia do vazio, da solidão?
Aquele texto sempre me impressionara pela sua beleza imponente e a língua admirável do poeta. Mas o mais emocionante era o que fazia ressoar de mistério, de desconhecido, o que evocava dum alhures inacessível onde se acharia, escondida, a explicação derradeira dos enigmas que o homem defronta. Aquele texto era místico, não restavam quaisquer dúvidas, e fiquei admirada por o meu marido, o notório ateu, o racionalista intratável, se referir a ele. Mas, talvez, disseram-me na época, não fosse senão uma das suas citações literárias em que era useiro e vezeiro.
Hoje não estou assim tão certa disso. Se o Breuer não era faustiano', o Sigmund, esse, não me restam dúvidas, teve sempre a ambição de o ser. Muito novo, via-se como um expugnador, um conquistador, como ele dizia, um homem que enfrentaria todos os perigos para descobrir terras ignotas. E não o foi? Não era o herói intrépido que vencera todas as provas para descobrir os segredos dissimulados no mais profundo do ser humano? Não era, tal como Édipo, aquele que havia resolvido o enigma da Esfinge? Não tivera de lutar com os seus próprios demónios, ultrapassar as suas angústias, bater-se com a adversidade, para aceder a um lugar de que nenhum outro ousara pisar o limiar? Não tinha lançado um desafio à ordem reinante, aos pais moralizadores, ao próprio Deus, e não se sentia, como todos os fundadores, investido duma missão que o colocava acima dos outros homens, que o levava a vaguear, como diz o poeta, nas solidões?
Mas, num certo momento da sua vida, chegara a um ponto onde o não trilhado, o indesejado, o inacessível, se revelaram mais inquietantes do que os arcanos do inconsciente. Não se tratava já, pura e simplesmente, dos mistérios, afinal bem anódinos, da sexualidade, mas daqueles que o homem enfrenta quando se trata da sua morte. E devo dizer que, pela primeira vez, me senti em profundo acordo com a sua pesquisa.
Nicolle Rosen, in Martha Freud

of complacency

"... the series’ contemporary sequences concentrate on the tipping points, when we realise that something uninspected has suddenly gone much too far."
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Please DO stick around.



“There are no rules — if you’re a boy. If you’re a girl, you have to play the game. What is that game? You are allowed to be pretty and cute and sexy. But don’t act too smart. Don’t have an opinion. Don’t have an opinion that is out of line with the status quo, at least. You are allowed to be objectified by men and dress like a slut, but don’t own your sluttiness. And do not, I repeat, do not, share your own sexual fantasies with the world.
“Be what men want you to be. But more importantly, be what women feel comfortable with you being around other men. And finally, do not age. Because to age is a sin. You will be criticized, you will be vilified, and you will definitely not be played on the radio.”

Full transcript of the speech, here.