"... Yet it can happen, suddenly, unexpectedly, and most frequently in half-light-of-glimpses, that we catch sight of another visible order which intersects with ours and has nothing to do with it."
John berger
Errante
As amarras do tempo sugam-nos para o registo embebido nesse tempo, do qual somos fruto e produto.
Esse registo, como uma marca de água, condiciona e influencia cada percurso de vida, e revela-se nos comportamentos, mais ou menos reactivos, ou mais ou menos complacentes, com o status quo.
Os eternos inadaptados, que sofrem as dores causadas pelas amarras do seu tempo, pagarão com a solidão ou com a deriva compulsiva.
Nadarão em águas diversas numa eterna busca do familiar subjectivo, desse espelho que devolva o absoluto reconhecível.
Deriva compulsiva à procura do íntimo subjectivo.
Águas de diferentes temperaturas, sinestesias... Cenários diversos passarão e roçarão essa existência flutuante, deixando sensações, reconhecimentos fugazes – retalhos de um espelho em construção.
[Escritos, 06/2023]
"Seja o que te rodeia o canto de um candeeiro, a voz da tempestade, a respiração do entardecer ou o gemido do mar - atrás de ti está sempre vigilante uma vasta melodia, tecida de milhares de vozes, na qual o teu solo só tem lugar aqui e ali. Saber quando deves fazer a tua entrada, eis o segredo da tua solidão: tal como a arte do verdadeiro relacionamento é: do alto das palavras deixar-se cair na melodia una e comum.”
Rainer Maria Rilke

