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What we habitually see confirms us ... / Errante

"... Yet it can happen, suddenly, unexpectedly, and most frequently in half-light-of-glimpses, that we catch sight of another visible order which intersects with ours and has nothing to do with it."

John berger


Errante

As amarras do tempo sugam-nos para o registo embebido nesse tempo, do qual somos fruto e produto.

Esse registo, como uma marca de água, condiciona e influencia cada percurso de vida, e revela-se nos comportamentos, mais ou menos reactivos, ou mais ou menos complacentes, com o status quo.

Os eternos inadaptados, que sofrem as dores causadas pelas amarras do seu tempo, pagarão com a solidão ou com a deriva compulsiva.

Nadarão em águas diversas numa eterna busca do familiar subjectivo, desse espelho que devolva o absoluto reconhecível.

Deriva compulsiva à procura do íntimo subjectivo.

Águas de diferentes temperaturas, sinestesias... Cenários diversos passarão e roçarão essa existência flutuante, deixando sensações, reconhecimentos fugazes – retalhos de um espelho em construção.

[Escritos, 06/2023]


"Seja o que te rodeia o canto de um candeeiro, a voz da tempestade, a respiração do entardecer ou o gemido do mar - atrás de ti está sempre vigilante uma vasta melodia, tecida de milhares de vozes, na qual o teu solo só tem lugar aqui e ali. Saber quando deves fazer a tua entrada, eis o segredo da tua solidão: tal como a arte do verdadeiro relacionamento é: do alto das palavras deixar-se cair na melodia una e comum.”

Rainer Maria Rilke

da perspectiva

“O nascimento dá início ao processo de aprendizagem da separação. A separação é difícil de acreditar ou aceitar. Contudo, à medida que a aceitamos, a nossa imaginação desenvolve-se – a imaginação que é a capacidade de religar, de reunir o que está separado. A metáfora encontra vestígios que indicam que tudo é uno. Actos de solidariedade, de compaixão, de auto-sacrifício e generosidade são tentativas de restabelecer – ou ao menos uma recusa em esquecer – uma unidade que já foi conhecida. A morte é a provação mais difícil em que a vida incorre na aceitação da separação.”


John Berger, Porquê Olhar os Animais?

Espelhos

 "O que habitualmente vemos confirma-nos."

Porquê Olhar os Animais, John Berger [pg.17]

Espelho: o símbolo da vaidade das mulheres

No entanto, a hipocrisia masculina é igualmente evidente. Pinta uma mulher nua porque dá-lhe prazer olhar para ela. Coloca-lhe um espelho na mão e intitula a pintura de 'Vaidade'. Deste modo, condenando moralmente a mulher cuja nudez retratou, para o seu próprio prazer.
Não fazendo mais senão repetir o exemplo bíblico de culpar a mulher.

Aqui

Ways of Seeing

“I'm an eye. A mechanical eye. I, the machine, show you a world the way only I can see it. I free myself for today and forever from human immobility. I'm in constant movement. I approach and pull away from objects. I creep under them. I move alongside a running horse's mouth. I fall and rise with the falling and rising bodies. This is I, the machine, manoeuvring in the chaotic movements, recording one movement after another in the most complex combinations. Freed from the boundaries of time and space, I co-ordinate any and all points of the universe, wherever I want them to be. My way leads towards the creation of a fresh perception of the world. Thus I explain in a new way the world unknown to you.”
Dziga Vertov