O diabo

O diabo não é o príncipe da matéria, o diabo é a arrogância do espírito, a fé sem sorriso, a verdade que nunca é aflorada pela dúvida.
O Nome da Rosa, Umberto Eco

The tape that insists on sticking /balanços /Guerras que não comprei


[Acho graça ao comentário final do vídeo: "No cats were hurt". Gostaria de perguntar a quem teve esta ideia, o que é para si o significado da palavra hurt]

Eram cinco da manhã. Acordei.
A cabeça já se encontrava a 200.
A palavra maldade corria-me no pensamento sem que eu a pudesse banir de lá.
A palavra maldade não chegava para abarcar o seu próprio significado.
Não chegava para abarcar o mal-estar causado por atitudes racionalmente incompreensíveis.

O dia que nascia ia ser muito atarefado.
A folga dada no emprego vinha mesmo a calhar.
Deitei-me cedo pois o corpo tem-me pedido mais descanso do que o habitual.

Mas a maldita palavra atormentou o meu inconsciente e acordou-me.
Dei voltas na cama, tentando enganar o pensamento e a ansiedade que daí crescia.

Nada.

Às oito da manhã levantei-me. Batalha perdida.
Tanto que fazer...

Logo vai ser a passagem de ano. Uma noite em que quero investir.
A do ano passado foi muito triste e este ano, que está a acabar, foi muito difícil.

Como fazer para banir pensamentos invasivos?

O sentimento de impotência perante a injustiça é devastador.
Corrói-nos por dentro. Tira-nos o sono.

É tão importante, para mim, dormir.

estudos que demonstram que as vítimas de desprezo têm muito mais possibilidades de virem a contrair doenças.

Não consigo digerir as palavras desprezo, maldade, prepotência.
Prevejo mais noites de insónia.

Tenho que reformular algumas coisas no meu coração.
Não queria.
Não é confortável.
Vai-me tirar ainda mais sonos.

Sinto-me presa por ter cão e presa por não ter.

Poderá parecer tudo tão ridículo... Mas há atitudes que não consigo digerir.
Atitudes.
Atitudes incompreensíveis, perante pedidos tão simples.
Tão simples.

Não acredito que a vaidade, a necessidade de afirmação, possam assumir proporções tão enormes. Tão grandes ao ponto de ignorar sentimentos e convicções.
Tão grandes ao ponto de se disfarçarem de argumentações mirabolantes.

Podia estar para aqui a dissertar e a dissertar... Mas nem por isso me sinto mais aliviada.

E no final de contas o corpo é que paga!
Essa é que é a verdade.


Foto: Michael Magill

SOCORRO! Estou a ser vítima de bullying



ESMAGANDO SENTIMENTOS COMO SE FOSSEM FORMIGUINHAS

Há pessoas que não sabem respeitar as diferenças.
Isto é uma queixa. Já que estou de mãos e pés atados para resolver o problema, deixo aqui o meu grito de revolta e indignação!

E você?

Precisa de se sentir assim muitas vezes PTP?



Discurso de um prepotente:

PESSOA-TODA-PODEROSAComo EU sei muito bem quais são os teus problemas, como EU SEI muito bem porque é que não adoptas a solução que EU SEI ser A MELHOR para a tua vida, como EU SEI que és igual a mim e só não o admites... Vou ignorar as tuas convicções, vou passar por cima delas e vou-te castigar. É que EU SEI que essas não são as tuas verdadeiras convicções. EU SEI, entendeste?

Obscuro objecto


Dangerous Liaisons, René Magritte

O que é próprio d
as sociedades modernas não é o terem condenado o sexo a permanecer na obscuridade, mas sim o terem-se devotado a falar dele sempre, valorizando-o como o segredo.

Através de tais discursos multiplicaram-se as condenações judiciárias das perversões menores, anexou-se a irregularidade sexual à doença mental; da infância à velhice foi definida uma norma do desenvolvimento sexual e cuidadosamente caracterizados todos os desvios possíveis; organizaram-se controles pedagógicos e tratamentos médicos; em torno das mínimas fantasias, os moralistas e, também e sobretudo, os médicos, trouxeram à baila todo o vocabulário enfático da abominação: isso não equivaleria a buscar meios de reabsorver em proveito de uma sexualidade centrada na genitalidade tantos prazeres sem fruto? Toda esta atenção loquaz com que nos alvoroçamos em torno da sexualidade, há dois ou três séculos, não estaria ordenada em função de uma preocupação elementar: assegurar o povoamento, reproduzir a força de trabalho, reproduzir a forma das relações sociais; em suma, proporcionar uma sexualidade economicamente útil e politicamente conservadora?

Não sabemos ainda se é esse, afinal de contas, o objectivo . Em todo caso, não foi por redução que se procurou atingi-lo. O século XIX, e o nosso foram, antes de mais nada, a idade da multiplicação, uma dispersão de sexualidades, um reforço de suas formas absurdas, uma implantação múltipla das "perversões". Nossa época foi iniciadora de heterogeneidades sexuais.

Até o final do século XVIII, três grandes códigos explícitos — além das regularidades devidas aos costumes e das pressões de opinião — regiam as práticas sexuais: o direito canônico, a pastoral cristã, e a lei civil. Eles fixavam, cada qual à sua maneira, a linha divisória entre o lícito e o ilícito. Todos estavam centrados nas relações matrimoniais: o dever conjugal, a capacidade de desempenhá-lo, a forma pela qual era cumprido, as exigências e violências que o acompanhavam, as carícias inúteis ou indevidas às quais servia de pretexto, sua fecundidade ou maneira empregada para torná-lo estéril, os momentos em que era solicitado (períodos perigosos da gravidez e da amamentação, tempos proibidos da quaresma ou das abstinências), sua frequência ou raridade: era sobretudo isso que estava saturado de prescrições. O sexo dos cônjuges era sobrecarregado de regras e recomendações. A relação matrimonial era o foco mais intenso das constrições; era sobretudo dela que se falava; mais do que qualquer outra tinha que ser confessada em detalhes. Estava sob estreita vigilância: se estivesse em falta, isto tinha que ser mostrado e demonstrado diante de testemunha. O "resto" permanecia muito mais confuso: atentemos para a incerteza do status da "sodomia" ou a indiferença diante da sexualidade das crianças.
Michel Foucault, História da Sexualidade

E você?



Qual das suas facetas é que gostaria de ver preenchida por alguém, neste momento da sua vida?


Com a participação de monges do Templo Shaolin

eheh


Man Among Movie Stars, de Robert Giard

Mirror scrapblog / Reflexions


Foto de Max Dupain
Há pessoas que têm muito pouco a dizer a seu próprio respeito. Ter, ter, não terão... Mas não o quererão fazer, não saberão como fazê-lo, terão vergonha do que possa daí sair... Preferem ver o que os outros têm para dizer. Não sei. Não me interessa. São apenas conjecturas.

Este espaço, aqui, tem-me saído de dentro. De dentro da cabeça, de dentro do coração. Da minha existência para o mundo. Sem pudor, sem vergonha. São poucos os que aqui vêm e que me conhecem. Muitos que aqui vêm, vão-me conhecendo. Quando comecei não adivinhava o "estilo", não predeterminei nada. Foi acontecendo. Ao sabor da minha vida. Das minhas conversas com as pessoas, das minhas vivências pessoais, das reflexões que a minha observação dos outros me tem proporcionado. Tudo filtrado por estados de espírito.
E eu, ao reler e rever muitas das coisas que aqui vou pondo, também me vou (re)conhecendo, também me vou analisando. Poderia ser de outra maneira? Se calhar... Mas não foi! Tem sido assim! Com franqueza e coerência.

Escorregando nos becos lamacentos,
Redemoinhando aos ventos,
Como farrapos, arrastando os pés sangrentos...

UltraNatal

Feliz Natal


My Hands Are My Heart, de Gabriel Orozco

Time is an illusion that makes us pant


Foto de Mindazonaltal

We wander through life,
Staring at the stars,
Looking for an answer that doesn’t exist
Witnessing our own existence,
Dreams of dying trees, empty roads and frozen rivers,
Memories of a long lost love,
The time slowly passes,
Destructing everything we know
And soon the whole world is fading away
Tempus Fugit


Hubert Selby, Jr

FAmelie


Foto: "Selling Amelie", de Pensiero
Um dia disseram-me que eu devia ver este filme.
Pelos vistos eu fazia-lhe lembrar a Amelie.
Um dia o filme passou na TV. Tarde, como sempre.
Não resisti e adormeci antes do filme chegar a meio :-(

Aqui, eu podia ser feliz


Foto de Pensiero

iliteracia



Diz o patrão para a funcionária:
Escusa de me enviar emails porque eu não os leio.
Não leio emails, deito-os logo fora!


Foto de Thiery le Gouès


Foto de Mindazonaltal


Leviathan
Foto de Yushimoto

Manias



O povo português é um povo que tendencialmente diz mal de si próprio, que se auto diminui. Que sempre achou que o que não é nacional é que é bom (complexos de inferioridade, reminiscências salazaristas). A reboque desta formatação de pensamento vem a ideia de que o simples auto reconhecimento de qualidade é sinónimo de gabarolice. Já os povos anglo-saxónicos e germânicos não padecem deste mal e as suas crianças crescem mais auto confiantes.

Loup Charmand


O algodão biológico
Aqui

Frio?



If you have no books

If you had no family

If it were only you
Naked on the grass
Who would you be then?
This is what he asked
And I said I wasn't really sure
But I would probably be
Cold

And now I'm freezing
Freezing

E Você?


Deixa-se ser amigo com facilidade, ou é mais do tipo 'amigo com reservas'?

:-)

Surviving Desire



Surviving the desire to die
Surviving the desire of needing someone
Surviving the desire of not wanting someone
Surviving the desire of giving up

No Actor's studio







Short stories

Longed for him. Got him. Shit.
- Margaret Atwood

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Comer Animais



Foer escreve que a bioengenharia de galinhas (para produzir mais carne em menor prazo) e a superlotação dos locais de produção (cerca de 700 centímetros quadrados de espaço por animal) resultam em deformidades, danos aos olhos, cegueira, infecções bacterianas dos ossos, defeitos nas vértebras, paralisia, hemorragia interna, anemia, problemas nos tendões, deformações nas pernas e pescoços, doenças respiratórias e sistemas imunológicos debilitados. Ele afirma que os peixes criados em condições industriais sofrem de “presença abundante de piolhos marinhos, que prosperam devido à sujeira da água”, e que “criam lesões abertas e ocasionalmente devoram os ossos do rosto do peixe”. E alega que o gado nem sempre é abatido de forma eficiente antes de ser processado nos abatedouros, e que como resultado animais são “sangrados, esfolados e desmembrados enquanto ainda conscientes”.

Mais aqui.

Bonjour tristesse


I live with melancholy
My friend is vague distress
I wake up every morning
And say, "Bonjour tristesse"

The street I walk is sadness
My house has no address
The letters that I write me
Begin "Bonjour tristesse"

The loss of a lover is pain
Sharp and bitter to recall
I've lost no casual lover
I have no pain from which to recover
I've lost me, that is all!

My smile is void of laughter
My kiss has no caress
I'm faithful to my lover
My bitter-sweet tristesse

Being There



There is a presumption in phenomenology and a presumption throughout the whole modern philosophy, maybe back to ancient philosophy too, that when we examine our own experience, our own perceptions of the world, what we are very prone to do is to generalize, very quickly, and say, "this is the truth about perception, this is how all people perceive", and perhaps even, "this is how all rational creatures or all creatures perceive". Phenomenology has this very real problem that if what I'm doing is studying the essential structures of my own consciousness, what grounds do I have for generalizing what I say and presuming that everyone else has the same kinds of conscious structures?

Why should I assume, as many 18th century philosophers would say, that what I'm studying is human understanding or human experience, or human mind. I mean, could the same structures be shared by the great apes or, perhaps, by dogs? How far down the genetic ladder does consciousness and its essential structures go? And on the other hand, thinking multiculturally, why should I assume that the essential structures of my experience are, in fact, the essential structures of any Homo Sapien's experience? Cultural differences may make an enormous difference.
Mais aqui, aqui.

Drama / Terrifying Beauty of Urban Decay


Foto de Yves Marchand & Romain Meffre


Foto de Roche photo





Alguém sabe qual é a ideia do Conselho Nacional de Planeamento Civil de Emergência, em andar a distribuir panfletos como este nos supermercados?
O Governo está com medo, o CNPCE está a tentar justificar publicamente a sua existência, ou vem aí outra Guerra Fria?

What we hear may not always be the truth / Visual capture


Também ouvimos com os olhos.
Lawrence Rosenblum
Mais coisas interessantes, aqui.


Visual capture.

E ainda:

A evolução das hiperligações


Aqui

Quem dá o que tem, a mais não é obrigado / Surviving desire / Pérolas a porcos



Mal abrira os olhos o cérebro parecia já estar a duzentos. Os pensamentos invadiam o espaço sem pedir autorização. A oportunista ansiedade apoderava-se do seu corpo de forma galopante.
Há mais de 25 anos que se esforçava por se adaptar. Sabia que os príncipes encantados eram matéria de contos de fadas e a vida apresentava-lhe exemplos de resiliência, que admirava. Sempre esperou que as coisas se compusessem, ou não fosse uma pessoa batalhadora e determinada, com grande capacidade de acreditar que a vida haveria de compensar tanto esforço. Esperou dez anos para ter o tão sonhado filho, pois o respeito pelo próximo era algo incontornável. Ter filhos era uma coisa demasiado séria. Fez tudo direitinho, conforme a sua lei mandava.
As rotinas assassinas e os percalços da existência diária foram gravando sulcos. A princípio, quase imperceptíveis, e cada vez mais evidentes com o passar dos anos.
A frustração veio para se instalar, salpicando a existência de momentos de ódio, negação e revolta.
Fizera tudo tão direitinho. Com tanto sentido de responsabilidade.
Embarcou na missiva, inconsciente e desesperada, de tentar mudar o que não dependia de si.
A inocência é santa e bonita.
A tristeza e a ansiedade escolheram residência permanente no seu corpo, delapidando, a pouco e pouco, cada célula, cada órgão, minando a sua existência.

Um invólucro cuidado, do qual gostava e no qual começava a observar os traços do Tempo e do sofrimento.

Foi-se fechando numa concha.

Graças às suas fortes convicções e à sua teimosa honestidade para com a sua pessoa, fazia por não se deixar afectar quando lhe diziam que não tinha coração.
Que só tinha caca na cabeça.
Que lhe faltava açúcar.

(De facto, tinha banido o açúcar do seu regime alimentar fazia vários anos).

Ok pá! Lá que tu não queiras até entendo, mas arranja lá outra desculpa! / Disponível para amar

Transference and countertransference during psychotherapy

In a therapy context, transference refers to redirection of a patient's feelings for a significant person to the therapist. Transference is often manifested as an erotic attraction towards a therapist, but can be seen in many other forms such as rage, hatred, mistrust, parentification, extreme dependence, or even placing the therapist in a god-like or guru status. When Freud initially encountered transference in his therapy with patients, he felt it was an obstacle to treatment success. But what he learned was that the analysis of the transference was actually the work that needed to be done. The focus in psychodynamic psychotherapy is, in large part, the therapist and patient recognizing the transference relationship and exploring the relationship's meaning. Since the transference between patient and therapist happens on an unconscious level, psychodynamic therapists who are largely concerned with a patient's unconscious material use the transference to reveal unresolved conflicts patients have with childhood figures.

Countertransference is defined as redirection of a therapist's feelings toward a patient, or more generally, as a therapist's emotional entanglement with a patient. A therapist's attunement to their own countertransference is nearly as critical as understanding the transference. Not only does this help the therapist regulate their emotions in the therapeutic relationship, but it also gives the therapist valuable insight into what the patient is attempting to elicit in them. For example, a therapist who is sexually attracted to a patient must understand this as countertransference, and look at how the patient may be eliciting this reaction. Once it has been identified, the therapist can ask the patient what their feelings are toward the therapist, and explore how they relate to unconscious motivations, desires, or fears.

Another contrasting perspective on transference and counter-transference is offered in Classical Adlerian psychotherapy. Rather than using the patient's transference strategically in therapy, the positive or negative transference is diplomatically pointed out and explained as an obstacle to cooperation and improvement. For the therapist, any signs of counter-transference would suggest that his or her own personal training analysis needs to be continued to overcome these tendencies.

If you ask me my opinion, I would say that these are just processes of pure denial of pleasure.
Theories built around the need to avoid any kind of passionate or erotic experiences, in case of mutual availability.
Daqui.

Às vezes ocorre-me cada pensamento!
É que, ser objecto de paixão e não corresponder pode ser muito desconfortável. Conheço esse lugar. Essa ideia da transferência pode dar muito jeito a quem não estiver interessado em fazer de father figure, ou outra coisa qualquer.

As minhas transferências erotizadas sempre duraram muito tempo, mas não sem causar visíveis danos físicos. Ou seriam, antes, as minhas paixões não correspondidas? Eh pá! Agora fiquei na dúvida! :-)

Estado de fluxo / as voltas que a gente dá

Estava eu estudando um pouco de Swásthya Yôga, estados alfa e téta e tal, quando me lembrei do imenso prazer que sentia quando, em criança, brincava. Muitas vezes brincava sozinha e certamente a minha frequência cerebral se alterava significativamente. Um estado de alma sagrado.
Fui até ao Youtube procurar algo que ilustrasse o estado de concentração em que as crianças se encontram quando brincam. Encontrei isto:

Mais sobre estados mentais

Ralações

GRANDE filme!



We can't exist in ambiguity forever!
I disagree. I think we can.
Although it means the deepest loneliness.

People change.
I don't change.
Maybe you will some day.
I don't want to change.


I didn't either! :-(

Dowland


Um músico que adoro.

Tentando captar o espírito natalício que este ano anda um pouco fugido


Recordando a infância. Um local de onde guardo recordações mágicas.

Wandering star


Quando passamos partes significativas e importantes da nossa vida a mudar de um lugar para outro, o criar raízes torna-se complicado. Sentirmo-nos identificados com locais e pessoas.
O processo é mais o de adoptarmos lugares e pessoas.
Não há aquela sensação de "lar".
A minha única melhor amiga aconteceu quando tinha 9 ou 10 anos.
Depois fui-me embora e nunca mais a vi. Até hoje (nem no Facebook!).
Entretanto vivi tanta coisa diferente, em locais tão distantes, que já nem a reconheceria como tal.
Fazem-me falta os amigos que não tenho.
A sensação de alienígena ainda hoje me persegue.