Wisdom, intuition and the big picture


"People in the great wisdom traditions and seriously important philosophers have said that wisdom has to do with stopping doing what you commonly mean by knowing things"

Look right, look left and look right again

do not forget the right brain

"Through the fragmenting lens of social media we are living, increasingly, in the left-brain’s world. By stripping information of context and then actively manipulating it, social media has the power to prey upon left-brain tendencies and preferences by transforming bits of information into world-historic conspiracies."


[...]

"The forces driving left-brain analytical fragmentation are immense and embedded throughout our society and economy. One example is our obsessive focus on STEM skill development while we devalue and reduce investment in subjects like art, literature, and philosophy—a kind of tripling-down on left-hemisphere preferences. This is all happening despite pleas from employers for workers with better right-hemisphere social capacities. Through these policy choices, and the accelerating demands for narrow, technical understanding of the world, we are unwittingly leaving ourselves increasingly vulnerable to false digitized information and the growing social and political conflict it generates."


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Chance and achievement

 Each and every one's intrinsic value is beyond (independent from) what each and every one eventually manages to achieve. Achievement necessarily depends on chance and opportunity.

2021/01/24

O neoliberalismo e a cultura do ódio – Dos postulados inverificáveis




«cultura do ódio» não é mais do que a manifestação da lógica que fundamenta a própria democracia: a «lógica da desigualdade», a «paixão da desigualdade», aquela que, como escreve Rancière, permite que haja sempre «uma superioridade da qual podemos participar», «onde cada inferior é capaz de encontrar um inferior e desfrutar da sua superioridade sobre ele».

[...] "Ora, tão preocupante como a ascensão de André Ventura é a sublimação que é conferida a esse novo delfim do liberalismo, Tiago Mayan, pela comunicação social. Ainda que a pandemia tenha refreado os ânimos neoliberais, face à súbita descoberta da necessidade de Estado, agora que um novo inimigo externo entrou nos cálculos e considerações do pensamento político, a celebração épica da nova “onda liberal” portuguesa, como se estivéssemos a falar de um canto dos Lusíadas, demonstra apenas a “dificuldade” em perceber como Mayan não é senão a outra face de André Ventura."

[...] A luta política contra a extrema-direita não se fará através da denúncia das suas mentiras, das suas inconsistências ou mesmo da oligarquia das suas máquinas partidárias – está visto, aliás, que esta estratégia redundou num fracasso – mas tem de ser a luta política contra os princípios e fundamentos do próprio liberalismo, a exposição sem fim da sua lógica de desigualdade política, social e económica; a exposição crítica dos seus postulados ideológicos elevados à categoria de entidades inverificáveis, metafísicas e transcendentes.

[...] O discurso de esquerda tornou-se, hoje, mais do que nunca impossível, internamente ameaçado pelas tensões históricas que o constituíram e o desmultiplicaram, externamente descredibilizado pelo aparato mediático: nem os valores mais altos da Constituição Portuguesa e do Estado social, são suficientes para construir uma agenda política eficaz, subjectivadora e mobilizadora.

[...] não é possível uma critica ecológica sem uma crítica do capital, não é possível uma critica feminista sem uma crítica dos modelos de dominação patriarcais do capital, não é possível uma crítica de classe sem compreender a sua composição, a sua multiplicidade étnica, sexual, racial.

coisas de brincar...

 

Tyler Shields

...

 "– Não sei. Não sei porque foi.

– Só me lembro de te ver dar um salto de repente e perguntares "Já tiveste uma irmã?" e quando ele disse que Não, atiraste-te a ele. Reparei que não tiravas os olhos dele, mas parecia que não estavas a ligar a nada do que se dizia até ao momento em que deste um salto e lhe perguntaste se ele tinha alguma irmã.

– Ora, ele tinha começado com os seus trocadilhos, como de costume – disse o Shreve –, a gabar-se das suas conquistas. Tu sabes como é: como ele faz sempre que há raparigas, para elas não perceberem bem do que se está a falar. Tudo subentendidos e mentiras e uma data de histórias sem sentido. A falar-nos duma gaja qualquer com quem combinou encontrar-se num baile em Atlantic City e que deixou pendurada porque resolveu ir para o hotel dormir e os remorsos que sentiu por estar ali na cama e ela no pontão à espera dele, sem ninguém para lhe dar o que ela queria. A falar da beleza do corpo e do triste fim a que conduz e da má sorte das mulheres que não podem fazer mais nada senão passar a vida deitadas de costas. Não sei se estás a ver. Tipo Leda no bosque, a gemer e a chorar pelo cisne. O filho da puta. Eu também lhe dava. Só com uma diferença: eu agarrava na cesta do vinho que ela trouxe e dava-lhe com ela na cabeça como se fosse minha."

O som e a Fúria, William Faulkner [pg155]


Sinestesias e outras sensações

Gérard Castello-Lopes, Portugal, 1957

"O campo de batalha apenas revela ao homem a sua própria loucura e desespero, e a vitória é uma ilusão de filósofos e de loucos."

O som e a Fúria, William Faulkner [pg75]


"Depois o comboio continuou, com uma corrente de ar persistente a entrar pela porta aberta até se espalhar por todo o interior transportando o odor do verão e da escuridão, mas não da madressilva. O odor da madressilva era o mais triste de todos, acho eu. e lembro-me de tantos. O das glicínias era um. Nos dias de chuva quando a Mãe não se sentia tão doente que tivesse de ficar sentada à janela costumávamos ir brincar para a chuva. Quando a Mãe ficava na cama a Dilsey vestia-nos roupas velhas e deixava-nos ir para a chuva porque dizia ela a chuva nunca fez mal aos catraios. Mas se a Mãe estava levantada começávamos por ficar a brincar no alpendre até ela dizer que estávamos a fazer muito barulho, e então íamos brincar lá para fora para debaixo do caramanchel das glicínias. Aqui foi onde vi o rio pela última vez esta manhã, foi mais ou menos por aqui. Sentia a água para lá do crepúsculo, sentia-lhe o cheiro. Quando as árvores estavam em flor na primavera e estava a chover o cheiro espalhava-se por toda a parte não se notava tanto nas outras vezes mas quando chovia o cheiro entrava pela casa dentro com o crepúsculo ou chovia mais à hora do crepúsculo ou então era qualquer coisa que a luz tinha mas cheirava sempre mais nessa altura e eu na cama a pensar quando é que isto acaba quando é que isto acaba."

O som e a Fúria, William Faulkner [pg158]


Capitol Rioter

 


"Entendeis vós a teoria desta matéria? inquiriu o meu pai.
Eu não, disse o meu tio.
––– Mas tendes vós alguma ideia, insistiu o meu pai, daquilo de que estais a falar? –––
Não mais do que o meu cavalo, respondeu o meu tio Toby.
Santo Deus! exclamou o meu pai, olhando para cima, e unindo as duas mãos, –– há tal valor nessa vossa ignorância sincera, irmão Toby,–– que seria quase uma pena trocá-la por conhecimento. –––––"

Laurence Sterne, in A Vida e Opiniões de Tristram Shandy