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I'm not waving, I'm drowning

"Grown-ups like numbers. When you tell them about a new friend, they never ask questions about what really matters. They never ask: "What does his voice sound like?" "What games does he like best?" "Does he collect butterflies?". They ask: "How old is he?" "How many brothers does he have?" "How much does he weigh?" "How much money does his father make?" Only then do they think they know him."
Antoine de Saint-Exupéry, The Little Prince

Custos da modernidade / melancolia

"Estes anos do fim do milénio estão a levar-nos para uma Era da Melancolia, tal como o século XX foi a Era da Ansiedade. Os dados internacionais revelam aquilo que parece ser uma epidemia de depressão, que se vai espalhando simultaneamente com a adopção por todo o mundo dos costumes modernos. Desde o início do século, cada geração sucessiva, a nível mundial, tem vivido com um risco superior ao dos pais de sofrer ao longo da vida uma depressão profunda — não apenas tristeza, mas uma apatia paralisante, um abatimento, uma autocomisseração e um desespero esmagadores. E estes episódios estão a aparecer cada vez mais cedo. A depressão infantil, outrora praticamente desconhecida (ou, pelo menos, não reconhecida) está a emergir como uma característica constante da cena moderna. [...] O Dr. Frederick Goodwin, na altura director do Instituto Nacional de Saúde Mental, adiantou: "Verificou-se uma erosão tremenda da família nuclear: um duplicar das taxas de divórcio, uma quebra do tempo que os pais têm disponível para os filhos, um aumento da mobilidade. Hoje as crianças já não crescem conhecendo uma grande parte da família alargada. A perda destas fontes estáveis de auto-identificação significa uma maior susceptibilidade à depressão." [...] O Dr. David Kupfer, director de psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de Pittsburgh, apontou-me outra tendência: "Com o incremento da industrialização na esteira da Segunda Guerra Mundial, de algum modo as pessoas deixaram de estar em casa. Em cada vez mais famílias verificou-se uma indiferença crescente dos pais em relação às necessidades dos filhos enquanto eles cresciam. Isto não é uma causa directa de depressão, mas cria uma vulnerabilidade. As tensões emocionais precoces podem afectar o desenvolvimento neuronal, o que por sua vez pode conduzir à depressão quando a pessoa é submetida a um grande stress, mesmo várias décadas mais tarde."
Daniel Goleman, in Inteligência Emocional

Links:
The Changing Rate of Major Depression
Outros
David Kupfer
Frederick Goodwin

The price of honesty and truthfulness [to oneself]

Ah grandioso Bergman! Não tenho palavras.
Maravilhosamente dirigido por Liv Ullmann.
Cinematografia fabulosa.
Ambientes íntimos e belos.
e ... Bach




Reflexões do reino da melancolia

Entre os vários ataques de tosse, vou constatando de forma recorrente até à eternidade, que o mundo é dos ignorantes, dos prepotentes, dos que fazem mais alarido, dos terrivelmente inseguros e dos seus ataques de narcisismo, grandes vítimas de tudo e de todos, mas principalmente de si próprios.

da tristeza / The darker darkness


e o quinteto era de cordas

"Deve ser terrível ser-se cego. Mas eu carrego muita literatura dentro de mim. A maior parte dessa bagagem ficará comigo. Mas deixar de poder ouvir música parece-me ainda pior."
George Steiner

Estou destroçada

VENDE-SE

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Ajudei na construção desta casa. Vi-a nascer e erguer-se. Acompanhei, partilhei e subscrevi os sonhos de quem a sonhou e concretizou. Usufrui dela durante quase 17 anos. Testemunhei o crescimento das árvores à sua volta. Curti o som dos passarinhos que, entretanto passaram a frequentá-las. Deliciei-me com os ninhos que as andorinhas fizeram nos beirais da casa. Observei o voo dos milhafres que volta e meia rondavam o céu que a cobre. Ouvi muito do absoluto silêncio daquela paragem. Comi das amoras silvestres que crescem nas redondezas. Temi a imaginada presença de lobos. Amaldiçoei mil vezes as cabras do pastor que ali teima em passar. Desbastei muito, muito mato e erva daninha. Saboreei o quentinho da lareira e pedi desejos na presença da imensa via láctea e das suas estrelas cadentes.

Nunca me imaginei na situação de colaborar na publicitação da venda desta casa!



de volta ao labor / Escaping melancholia / Crise



"O último estágio de uma sociedade de operários, que é a sociedade de detentores de empregos, requer dos seus membros um funcionamento puramente automático, como se a vida individual tivesse realmente sido afogada no processo vital da espécie, e a única decisão activa exigida do indivíduo fosse deixar-se levar, por assim dizer, abandonar a sua individualidade, as dores e as penas de viver ainda sentidas individualmente, e aquiescer num tipo funcional de conduta entorpecida e "tranquilizada". [...] É perfeitamente concebível que a era moderna — que teve início com um surto tão promissor e tão sem precedentes de actividade humana — venha a terminar na passividade mais mortal e estéril que a história jamais conheceu."

Hanna Arendt, in A Condição Humana

The tape that insists on sticking /balanços /Guerras que não comprei


[Acho graça ao comentário final do vídeo: "No cats were hurt". Gostaria de perguntar a quem teve esta ideia, o que é para si o significado da palavra hurt]

Eram cinco da manhã. Acordei.
A cabeça já se encontrava a 200.
A palavra maldade corria-me no pensamento sem que eu a pudesse banir de lá.
A palavra maldade não chegava para abarcar o seu próprio significado.
Não chegava para abarcar o mal-estar causado por atitudes racionalmente incompreensíveis.

O dia que nascia ia ser muito atarefado.
A folga dada no emprego vinha mesmo a calhar.
Deitei-me cedo pois o corpo tem-me pedido mais descanso do que o habitual.

Mas a maldita palavra atormentou o meu inconsciente e acordou-me.
Dei voltas na cama, tentando enganar o pensamento e a ansiedade que daí crescia.

Nada.

Às oito da manhã levantei-me. Batalha perdida.
Tanto que fazer...

Logo vai ser a passagem de ano. Uma noite em que quero investir.
A do ano passado foi muito triste e este ano, que está a acabar, foi muito difícil.

Como fazer para banir pensamentos invasivos?

O sentimento de impotência perante a injustiça é devastador.
Corrói-nos por dentro. Tira-nos o sono.

É tão importante, para mim, dormir.

estudos que demonstram que as vítimas de desprezo têm muito mais possibilidades de virem a contrair doenças.

Não consigo digerir as palavras desprezo, maldade, prepotência.
Prevejo mais noites de insónia.

Tenho que reformular algumas coisas no meu coração.
Não queria.
Não é confortável.
Vai-me tirar ainda mais sonos.

Sinto-me presa por ter cão e presa por não ter.

Poderá parecer tudo tão ridículo... Mas há atitudes que não consigo digerir.
Atitudes.
Atitudes incompreensíveis, perante pedidos tão simples.
Tão simples.

Não acredito que a vaidade, a necessidade de afirmação, possam assumir proporções tão enormes. Tão grandes ao ponto de ignorar sentimentos e convicções.
Tão grandes ao ponto de se disfarçarem de argumentações mirabolantes.

Podia estar para aqui a dissertar e a dissertar... Mas nem por isso me sinto mais aliviada.

E no final de contas o corpo é que paga!
Essa é que é a verdade.

Bonjour tristesse


I live with melancholy
My friend is vague distress
I wake up every morning
And say, "Bonjour tristesse"

The street I walk is sadness
My house has no address
The letters that I write me
Begin "Bonjour tristesse"

The loss of a lover is pain
Sharp and bitter to recall
I've lost no casual lover
I have no pain from which to recover
I've lost me, that is all!

My smile is void of laughter
My kiss has no caress
I'm faithful to my lover
My bitter-sweet tristesse