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Reflexões do reino da melancolia

Entre os vários ataques de tosse, vou constatando de forma recorrente até à eternidade, que o mundo é dos ignorantes, dos prepotentes, dos que fazem mais alarido, dos terrivelmente inseguros e dos seus ataques de narcisismo, grandes vítimas de tudo e de todos, mas principalmente de si próprios.

O poder do espelho

At the Mirror (1921), by Otto Dix

"It calls for gigantic courage and strength. More than anything, perhaps, creatures of illusion as we are, it calls for confidence in oneself. Without self-confidence we are babes in the cradle. And how can we generate this imponderable quality, which is yet so invaluable, most quickly? By thinking that other people are inferior to oneself. By feeling that one has some innate superiority — it may be wealth, or rank, a straight nose, or the portrait of a grandfather by Romney — for there is no end to the pathetic devices of the human imagination — over other people."
Virginia Woolf, in A Room of One's Own

da aquiescência / sim papá, sim mamã / O Rei Vai Nu


"Throughout most of his professional life, Winnicott was particularly preocupied with whether an individual's experience was authentic or inauthentic. Many of the patients whom he treated had, for one reason or another, learned as children to be over-compliant; that is, to live in ways which were expected of them, or which pleased others, or which were designed not to offend others. These are the patients who build up what Winnicott called a 'false self'; that is, a self which is based upon compliance with the wishes of others, rather than being based upon the individual's own true feelings and instinctive needs. Such an individual ultimately comes to feel that life is pointless and futile, because he is merely adapting to the world rather than experiencing it as a place in which his subjective needs can find fulfilment."
Anthony Storr, in Solitude - A Return to the Self

Sobre "compliance"

da razão e da prepotência

"A igreja da Razão, como todas as instituições do Sistema, baseia-se não na força individual, mas sim na fraqueza individual. O que realmente se exige na Igreja da Razão não é a capacidade, mas incapacidade. Assim somos considerados susceptíveis de sermos ensinados. Uma pessoa verdadeiramente capaz é sempre uma ameaça."
Robert M. Pirsig, in Zen e a Arte da Manutenção de Motociclos

da assertividade e da prepotência / remando contra marés


Cuidado! Ele há loucos perigosos...  Que levam à loucura!

Homenagem

Quando estava contente a boca sabia-lhe a maçã.
Dava pulos e extravasava alegria.

Naquele tempo tinha vergonha dela.
Porque a minha timidez encarcerava-me.
Todos lhe dávamos um desconto.
Todos lhe dávamos "lições".

Hoje, daria um desconto às suas manifestações de frustração e impotência, por saber que há marés contra as quais não se consegue lutar.

Morreu vítima de tanto sofrimento.

Hoje dava-me jeito que estivesse por aqui.

da discriminação / quando ser maioria não é sinónimo de ter razão

Um dia conheci uma senhora que durante boa parte da sua infância e juventude, — talvez pela sua forma genuína e diferente de estar, talvez por ser a mais velha dos seu irmãos e esperarem dela a reprodução dos valores da família, quer ela os entendesse, aceitasse ou não, e ela não estivesse para isso — foi sendo "rotulada" de louca pelos familiares mais próximos. Foi, assim, rotulada e acabava sendo tratada como tal. Um estigma pesadíssimo que teve que carregar pela vida fora e que influenciou e alterou dramaticamente toda a sua sofrida existência. Pagou um preço demasiado alto. Testemunhei boa parte desse sofrimento. Dessa frustração e dessa sua impotência em lutar contra os membros da sua família que se apoiavam uns nos outros para justificarem esse seu gesto discriminatório. Achando-se senhores do conhecimento absoluto. Seu pai, embora sendo técnico de saúde, era médico de clínica geral. Não era psicólogo nem psiquiatra. Por sinal, era uma pessoa bastante prepotente, segundo relatos que pude recolher.

Sempre me entristeceu a situação daquela senhora.
Tive mais sorte do que ela, mas aprendi a compreendê-la muito bem.

(confirmation bias)

I'm the king of the castle and you're the dirty old rascal



Quando a honestidade de carácter se sobrepõe às regras (que atrapalham muito) que os homens inventam.

Quando a assertividade é lei.

Quando a frontalidade e a simplicidade se elevam acima do poder e da prepotência.

Quando a prepotência marca a vida de alguém.

Quando a capacidade "para descer da cátedra" é recompensada com uma amizade vitalícia.

Os actores são bons e a história... é mais uma. Por acaso, verdadeira.

* O título deste post é uma frase muito utilizada pelas crianças (no tempo da minha infância, também), quando pretendem afirmar a sua superioridade.

Eh eh eh



God's holy character demands justice.

If we do not love God and have faith that he exists, he will not only lock us away for life, but forever, and torture us for unimaginable, unending pain to boot.
It's the only loving way to deal with such crimes as disbelief and rebellion.
Perfect justice requires God to torture us forever for the temporal crimes we commited against his omnipotent greatness.
He cannot simply forgive us as we sinful mortals often do of eachother.
His protection demands a justice so holy that we simply cannot understand it.

Deus dá com uma mão e tira com a outra / Contradições em época festiva


Nailing Christ to the Cross, Gustave Doré

Estando, ainda, em ressaca de quadra festiva, na época em que o gesto de oferecer é enaltecido, lembrei-me desta frase. Pressupõe uma grande prepotência (também no sentido mais pejorativo). Uff! Ainda bem que não acredito em Deus. Seria uma grande decepção. Não posso conceber o acto de dar associado ao acto da cobrança. Não me sinto obrigada a dar esmola ao pedinte. Se optar por dá-la, qual o meu direito em exigir algo em troca? Afinal a decisão foi minha!
Sinto-me com sorte por saber o que é o prazer de poder dar.
Dar. Simplesmente. Sem condições, sem cobranças.