Na verdade, há indícios que sugerem que a capacidade de concentração incessante num problema criativo pode até fazer-nos sentir miseráveis. Aristóteles foi o primeiro a abordar esse tema, afirmando no século IV a.C. que "todos os homens que atingiram a excelência na filosofia, na poesia, na arte e na política, Mesmo Sócrates e Platão, tinham uma propensão para a melancolia; de facto, alguns sofriam até da doença da melancolia". Essa crença foi recuperada durante o Renascimento, o que levou Milton a exclamar no seu poema "Il Penseroso". [...] Keats escreveu: "Não vês como é necessário um mundo de dor e dificuldades para educar uma inteligência e torná-la uma alma?"
Jonah Lehrer, in Imagine
"being down is not only an intrinsic part of being human, but that it can actually be beneficial."
* Marina Abramovic, aqui.
Modupe Akinola [...], numa das suas mais recentes experiências, pediu a cada participante que fizesse um breve discurso sobre o seu trabalho de sonho. Os estudantes foram selecionados aleatoriamente para condições de reacção positiva ou negativa; na condição de reacção positiva, os discursos eram saudados com sorrisos e acenos de cabeça concordantes, e na condição negativa, recebidos com o franzir de sobrancelhas e acenos negativos. Terminando o discurso, o participante recebia cola, papel e feltro colorido, sendo pedido que fizesse uma colagem com esses materiais. As colagens eram depois avaliadas por artistas profissionais segundo diversos critérios de criatividade.
Não constituiu surpresa o efeito da reação sobre o estado de espírito dos participantes. [...] Os participantes da condição de reação negativa criaram colagens muito mais bonitas. A sua angústia deu origem a uma arte de melhor qualidade. Como salienta Akinola, isso deve-se em grande medida à tristeza ter melhorado a concentração deles e aumentado a sua propensão para serem mais persistentes com o desafio criativo.
Jonah Lehrer, in Imagine
O aumento destas aptidões mentais durante os estados de tristeza serve também para explicar a surpreendente correlação entre a criatividade e os distúrbios depressivos. [...] – "Existe aquele lugar-comum recorrente sobre a loucura e a genialidade andarem a par".
Jonah Lehrer, in Imagine
[...] Os escritores famosos tinham oito vezes mais probabilidades do que a população geral de sofrer de depressões graves.
Jonah Lehrer, in Imagine
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"Happiness is not creative"*
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