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a importância do acreditar


The perception bias /Significance chasing

"During the same period, there were ninety-four clinical trials of acupuncture in the United States, Sweden, and the U.K., and only fifty-six per cent of these studies found any therapeutic benefits. As Palmer notes, this wide discrepancy suggests that scientists find ways to confirm their preferred hypothesis, disregarding what they don’t want to see. Our beliefs are a form of blindness. [...] It feels good to validate a hypothesis,” Ioannidis said. “It feels even better when you’ve got a financial interest in the idea or your career depends upon it. And that’s why, even after a claim has been systematically disproven”—he cites, for instance, the early work on hormone replacement therapy, or claims involving various vitamins—“you still see some stubborn researchers citing the first few studies that show a strong effect. They really want to believe that it’s true. [...] scientific research will always be shadowed by a force that can’t be curbed, only contained: sheer randomness. [...] Such anomalies demonstrate the slipperiness of empiricism. Although many scientific ideas generate conflicting results and suffer from falling effect sizes, they continue to get cited in the textbooks and drive standard medical practice. Why? Because these ideas seem true. Because they make sense. [...] The decline effect is troubling because it reminds us how difficult it is to prove anything. We like to pretend that our experiments define the truth for us. But that’s often not the case. Just because an idea is true doesn’t mean it can be proved. And just because an idea can be proved doesn’t mean it’s true. When the experiments are done, we still have to choose what to believe."
Artigo inteiro, aqui

Criatividade: um recurso ou um fardo / O que vem com o pacote


"Observemos um inquérito recentemente feito a várias dezenas de professores primários por psicólogos do Skidmore College. Quando inquiridos sobre se queriam ter crianças criativas na sala de aula, todos os professores responderam afirmativamente. Mas quando foi pedido a esses mesmos professores que classificassem os alunos em diversas escalas de personalidade, os traços mais directamente associados ao pensamento criativo (como 'exprimir-se livremente') eram também os mais associados aos alunos 'menos preferidos'. As crianças que sonham acordadas e improvisam podiam ser imaginativas, mas era difícil ensiná-las e obtinham piores resultados nos testes normalizados. Em consequência disso, eram regularmente rejeitados e desincentivados. Os investigadores resumiram os seus tristes dados: 'Os juízos feitos para a escolha do aluno preferido estavam negativamente correlacionados com a criatividade; os juízos feitos para a escolha do aluno menos preferido estavam positivamente correlacionados com a criatividade."
Jonah Lehrer, in Imagine

Imaginação por metro quadrado

Sillicon Valley

Em que medida a proximidade física afeta a qualidade da investigação científica?
Isaac Kohane

"De facto, os melhores estudos eram constantemente produzidos por cientistas que trabalhavam a uma distância de dez metros uns dos outros, ao passo que os piores trabalhos provinham habitualmente de colaboradores situados a mais de um quilómetro." [...] 'Se queremos que as pessoas trabalhem juntas de forma eficiente, estes dados reforçam a necessidade de criar arquitecturas e instalações que sustentem interações físicas frequentes', afirma Kohane. Por outras palavras, as nossas ideias novas mais importantes não chegam através de um ecrã. Pelo contrário, surgem de conversas triviais, de demasiados cientistas a partilhar o mesmo espaço."
Jonah Lehrer, in Imagine

E mais ainda, aqui.

Interaction

"As ideias mais criativas, segundo parece, não surgem quando estamos sozinhos. Pelo contrário, elas nascem dos nossos círculos sociais, de conjuntos de conhecimentos que inspiram pensamentos novos. Por vezes as pessoas mais importantes da nossa vida são pessoas que mal conhecemos."
Jonah Lehrer, in Imagine

Brainstorming


Segundo Keith Sawyer, só há um problema com o brainstorming: não funciona. "Décadas de investigação têm constantemente demonstrado que os grupos de brainstorming geram muito menos ideias do que o mesmo número de pessoas a trabalharem individualmente, partilhando depois as suas ideias."
Jonah Lerher, in Imagine, citando Keith Sawyer em Group Genius: The Creative Power of Collaboration

Creative LINKS

"Dormir é o cúmulo da genialidade" * / Foi uma grande satisfação!

Foi o que aconteceu a Keith Richards, o guitarrista dos Rolling Stones. Numa noite de Maio de 1965, Richards adormeceu cedo, deitado com uma guitarra e um gravador na cama de um hotel. "Na manhã seguinte, vejo que a fita [do gravador] está mesmo no fim", contou Richards a Terry Gross numa entrevista de 2010. "Eu pensei: bem, eu não fiz nada. Ou, se calhar, carreguei no botão a dormir. Então, rebobinou a fita para o princípio, carrego no botão para tocar e está lá, assim numa espécie de versão fantasmagórica, a introdução de uma canção. Está lá o verso todo gravado e depois quarenta minutos de mim a ressonar." A canção que Richards imaginou nessa noite foi "(I Can't Get No) Satisfaction", uma das canções mais influentes de todos os tempos.
Jonah Lehrer, in Imagine
*Kierkgaard

"You don't suffer from Asperger. You suffer from other people."

Asperger syndrome gives you talents. Don't feel sorry for them. Applaud them!





"Ele está a surfar na direção errada, o que é uma loucura. As pranchas foram desenhadas para andar num sentido. Ele põe a dele a andar nos dois", diz Mitch Varnes, o agente de Clay
Jonah Lehrer, in Imagine 


Clay Comes to Stay

a loucura do free



A maior parte do álbum, Kind of Blue, de Miles Davis, foi gravado à primeira

O nascimento da improvisação no jazz é muitas vezes atribuído a Charles "Buddy" Bolden, um cornetista do início do século XX e um dos mais populares músicos de Nova Orleães. Em 1907, Bolden teve um surto psicótico e passou o resto da sua vida num hospital psiquiátrico. [...] De acordo com o Dr. Sean Spence, psiquiatra na Universidade de Shefield, Bolden sofria de demência precoce, uma doença que viria a ser mais tarde classificada como uma variante da esquizofrenia. Spence defende que a "loucura implacável" de Bolden  – foi hospitalizado depois de ter ameaçado atacar pessoas na rua — era na verdade uma inspiração fundamental para a sua improvisação musical "louca". Os seus pensamentos desordenados, combinados com a incapacidade de ler música, permitiram-lhe arranjar as notas de uma nova forma. Estudos posteriores revelariam uma correlação desconcertante entre o sucesso no jazz e a doença mental, da dependência de heroína de Charlie Parker aos humores instáveis de Thelonious Monk e à debilitante depressão e dor fantasma nos membros de de Cole Porter.
Jonah Lehrer, in Imagine

Ma goes bluegrass / Edge Effect


[Sacrificing] a too easily obtained beauty for a harder to obtain truth.

Adolphe: Ele consegue pegar nas notas e descobrir aquilo que lhes dá vida. Ma é um mestre da técnica, claro, mas o que faz dele um intérprete tão especial é que ele sabe quando deve trocar a técnica por algo mais profundo, por aquela profundidade emocional a que mais ninguém consegue chegar.
Jonah Lehrer, in Imagine

Restlessness

(Mais recentemente, o psiquiatra Hagop Akiskal descobriu que quase dois terços de uma atmosfera de influentes artistas europeus eram bipolares.) A razão para esta correlação, sugere Andreasen, é que os estados maníacos desencadeiam ideias novas nas pessoas enquanto os seus cérebros se agitam com associações remotas. "Quando as pessoas são maníacas, são movidas por uma necessidade intensa, avassaladora, de se exprimirem", afirma Andearsen. "Esse pode ser um estado extremamente desagradável, porqe muitas vezes não conseguem parar de criar." Para além do mais, essas torrentes de imaginação caracterizam-se pela sua natureza radical, por vezes incompreensível. "As pessoas tornam-se muito mais abertas a ideias inesperadas quando são maníacas", salienta Andreasen. "É nesses momentos que têm habitualmente as suas ideias mais originais."
Jonah Lehrer, in Imagine

"Happiness is not creative"*

Na verdade, há indícios que sugerem que a capacidade de concentração incessante num problema criativo pode até fazer-nos sentir miseráveis. Aristóteles foi o primeiro a abordar esse tema, afirmando no século IV a.C. que "todos os homens que atingiram a excelência na filosofia, na poesia, na arte e na política, Mesmo Sócrates e Platão, tinham uma propensão para a melancolia; de facto, alguns sofriam até da doença da melancolia". Essa crença foi recuperada durante o Renascimento, o que levou Milton a exclamar no seu poema "Il Penseroso". [...] Keats escreveu: "Não vês como é necessário um mundo de dor e dificuldades para educar uma inteligência e torná-la uma alma?"
Jonah Lehrer, in Imagine

"being down is not only an intrinsic part of being human, but that it can actually be beneficial."

* Marina Abramovic, aqui.



Modupe Akinola [...], numa das suas mais recentes experiências, pediu a cada participante que fizesse um breve discurso sobre o seu trabalho de sonho. Os estudantes foram selecionados aleatoriamente para condições de reacção positiva ou negativa; na condição de reacção positiva, os discursos eram saudados com sorrisos e acenos de cabeça concordantes, e na condição negativa, recebidos com o franzir de sobrancelhas e acenos negativos. Terminando o discurso, o participante recebia cola, papel e feltro colorido, sendo pedido que fizesse uma colagem com esses materiais. As colagens eram depois avaliadas por artistas profissionais segundo diversos critérios de criatividade.
Não constituiu surpresa o efeito da reação sobre o estado de espírito dos participantes. [...] Os participantes da condição de reação negativa criaram colagens muito mais bonitas. A sua angústia deu origem a uma arte de melhor qualidade. Como salienta Akinola, isso deve-se em grande medida à tristeza ter melhorado a concentração deles e aumentado a sua propensão para serem mais persistentes com o desafio criativo.
Jonah Lehrer, in Imagine 



O aumento destas aptidões mentais durante os estados de tristeza serve também para explicar a surpreendente correlação entre a criatividade e os distúrbios depressivos. [...] – "Existe aquele lugar-comum recorrente sobre a loucura e a genialidade andarem a par".
Jonah Lehrer, in Imagine



[...] Os escritores famosos tinham oito vezes mais probabilidades do que a população geral de sofrer de depressões graves.
Jonah Lehrer, in Imagine

das drogas e da atenção

"Daniel Kahneman e Jackson Beatty demonstraram que qualquer tarefa que exija períodos prolongados de concentração, como compor um poema ou resolver um problema de álgebra, provoca a dilatação das pupilas. 'Muito à semelhança do contador de electricidade de sua casa, as pupilas funcionam como um mostrador da energia mental que está a ser consumida pelo cérebro a cada momento', escreve Kahneman. Assim sendo, também não é de estranhar que as anfetaminas também provoquem a dilatação das pupilas, uma vez que aumentam drasticamente a quantidade de atenção que dedicamos ao mundo."
Jonah Lehrer, in Imagine

dolce far niente

"Ela estava a perder a consciência das coisas exteriores. E quando perdeu a consciência das coisas exteriores [...] a sua mente continuou a lançar coisas das profundezas, cenas, nomes, citações, memórias e ideias, como uma fonte a jorrar [...]"
Virginia Woolf, in Rumo ao Farol

"Sonhar acordado é essa "fonte a jorrar", à medida que o cérebro mistura conceitos habitualmente arquivados em áreas distintas. O resultado é a capacidade de reparar em novas ligações, de ver as sobreposições que normalmente negligenciamos."
Jonah Lehrer, in Imagine

A vantagem da não especificidade


"A importância de levar em consideração o que é irrelevante ajuda a explicar um estudo recente desenvolvido por um grupo de neurocientistas de Harvard e da Universidade de Toronto. Os investigadores começaram por fazer um teste sensorial a oitenta e seis alunos de Harvard. O teste foi concebido para medir a capacidade daqueles de ignorarem os estímulos externos, como o ruído de fundo do ar condicionado ou as conversas num cubículo próximo. Esta capacidade é geralmente considerada como uma componente essencial da produtividade, pois ajuda as pessoas a não se distraírem com informações extrínsecas. As probabilidades de a atenção ser diminuída são menores.
   É aqui que os dados começam a tornar-se interessantes: os alunos que tinham maiores dificuldades em ignorar coisas não relacionadas tinham também sete vezes mais probabilidades de serem considerados <> com base nas suas realizações anteriores. (A associação era particularmente forte entre estudantes distraídos com QI elevado.) De acordo com os cientistas, a falta de capacidade de concentração ajuda a garantir uma mistura mais rica de pensamentos durante o estado de consciência. Uma vez que essas pessoas tinham dificuldade em filtrar o ambiente envolvente, acabavam por deixar entrar mais coisas. Em vez de abordarem o problema a partir de uma perspectiva previsível, consideravam todos os tipos de analogias improváveis, algumas das quais viriam a revelar-se úteis. <>, afirma Jordan Peterson, [...] da Universidade de Toronto e autor principal do artigo. <>"
Jonah Lerer, in Imagine

Why smart people are stupid


"A new study in the Journal of Personality and Social Psychology led by Richard West at James Madison University and Keith Stanovich at the University of Toronto suggests that, in many instances, smarter people are more vulnerable to these thinking errors. Although we assume that intelligence is a buffer against bias—that’s why those with higher S.A.T. scores think they are less prone to these universal thinking mistakes—it can actually be a subtle curse."
Muito mais aqui.

The name of the rose / a arbitrariedade do significante



"Rose is a rose is a rose is a rose."
Gertrude Stein

 "Stat Rosa pristina nomine, nomina nuda tenemus"
(yesterday's rose lasts in its name, we embrace empty names today)

 Juliet: "What's in a name? That which we call a rose by any other name would smell as sweet."
W. Shakespeare

We think and a world shows up for us

Paul Cézanne,  Mont de Saint Victoire (1904 – 1905)    

 "A crua realidade é que a visão é como a arte. O que vemos não é real. Foi regulado para se moldar à nossa tela, que é o cérebro. Quando abrimos os olhos entramos num mundo de ilusão, numa cena separada pela retina e recriada pelo córtex. Interpretamos as nossas sensações do mesmo modo que um pintor interpreta uma pintura. Mas independentemente da precisão dos nossos mapas neurais, eles nunca resolverão a questão daquilo que vemos realmente, porque a visão é um fenómeno privado. A experiência visual transcende os píxeis da retina e as linhas fragmentadas do córtex visual.
     A arte, não a ciência, é que é o meio com que exprimimos o que vemos no exterior. Neste aspecto a pintura está mais próxima da realidade. É o que temos de mais parecido com a experiência."
Jonah Lehrer, in Proust Era Um Neurocientista

Amor próprio


"Partilhavam longos passeios pelo parque e uma assinatura na ópera. Ela apaixonou-se. Ele [o biólogo] não. Quando o biólogo começou a ignorá-la — a relação deles estava a provocar os habituais boatos vitorianos — Eliot escreveu-lhe uma série de cartas de amor melodramáticas e, no entanto, assustadoramente honestas. Suplicava a sua "misericórdia e amor": "Quero saber se me pode garantir que não me esquecerá, que estará ao meu lado sempre e o tempo que puder e que compartilhará os seus pensamentos e sentimentos comigo. Se se afeiçoar a outra pessoa eu morrerei, mas até esse dia, se o tivesse a meu lado, poderia reunir coragem para trabalhar e fazer alguma coisa da minha vida." Apesar das confissões de vulnerabilidade, a carta termina orgulhosamente com um reconhecimento do seu próprio valor: "Suponho que nenhuma mulher alguma vez escreveu uma carta como esta — mas não tenho vergonha dela, porque tenho consciência de que, à luz da razão e da verdadeira cultura, sou digna do seu respeito e afeição.""
Jonah Lehrer, in Proust era um Neurocientista, a propósito de George Eliot e Herbert Spencer

Memórias de Território / Fenomenol

William James   /   Walt Whitman
"Quando se trata dos dramas das sensações, a nossa carne é o palco"
Jonah Lehrer, in Proust era um Neurocientista