Ser ou não ser / portos seguros / pachorras / triagens

Tenho amigos (... que até nem fazem parte do meu Facebook) que têm vidas complexas e muito ocupadas. Vidas cheias de compromissos, aqui e acolá. Amigos cujo verniz nunca estala. Sempre disponíveis. Amigos corajosamente íntegros e sinceros em cujas expressões corporais sei que nunca detectarei uma falsidade. Amigos com vidas intensas e sofridas que, também, se relacionam com outros amigos com vidas intensas e sofridas. Amigos que praticam a amizade, não por ser bonito ou conveniente, porque essa linguagem não faz parte do seu universo. Amigos educados. Amigos onde a falsa vaidade não existe. Amigos de fachada transparente. Amigos que, se necessário for, fecham as portas devagar, com cuidado. Amigos iguais a si próprios, despojados do trivial e do supérfluo. Amigos que não necessitam de enviar pedidos de amizade para nos conhecer melhor porque o fazem com o seu próprio corpo e a sua própria carne.
Ainda bem que tenho amigos desses. Dos verdadeiros.
É com amigos desses que aprendemos a ser gente.

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