Enquanto conversava com a amiga, sentiu o olhar dele a fixá-la.
Invadiu-a a vontade de lhe devolver o gesto na mesma proporção da dimensão daquele momento.
Há muito que ansiava por uma oportunidade.
Hesitou. Não, não se atreveria ousar. Não era próprio.
Não era conveniente.
Mas, como que impelida para se deixar, também, suspender naquele instante de tempo, abandonou a sua voz e a da amiga na paisagem.
Fixou os seus olhos nos dele.
Foi o tempo.
A intenção que ela colocou no tempo daquele breve encontro provocou, nele, uma convulsão física, como se algo invisível o tivesse empurrado, fazendo-o tropeçar em si mesmo.
Empurrado para o desconforto do indisfarçável.
O final foi feliz e decente, pois a educação e os bons costumes, de ambos, assim o permitiram.
Ficou a recordação.
Pedaços de instantes
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