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Depois de lhe ter arranjado o cabelo, a moça cabeleireira dirigiu-se à cliente, olhando para o seu cabelo, a caminho do grisalho, e disse-lhe:
–"Porque é que a senhora não pinta o cabelo?"
– "Primeiro, porque dá muito trabalho. Porque se começo a pintá-lo e depois deixo de o fazer receio já não me reconhecer. Além disso não me sinto mal assim."
Mas, apesar de uma exposição destas, a moça cabeleireira continuou:
–"Mas olhe que se o pintar vai parecer muito mais nova!"
– "Que idade me dá?" – pergunta a senhora.
Então, a moça preparou-se para assumir um personagem diferente:
–"Eu vou olhar só para a cara da senhora. Só para a cara! Vou-me esquecer do seu cabelo e vou dizer-lhe a idade que eu acho que a sua cara tem."
Com o corpo para trás, a cabeça avançando e os olhos bem esbugalhados, assim fitou a cara da senhora durante uns bons segundos.
A senhora deixou-se estar quieta, mantendo um sorriso enquanto esperava o veredicto.
–"Pronto. Já está!"
–"Então? Que idade dá à minha cara?"
–"Quarenta anos" – disse a moça com determinação.
–"Está a ver?" – retorquiu a senhora, –"Já me está a dar menos nove anos! Apesar da cor do meu cabelo ainda pareço nove anos mais nova!"
Não se dando por satisfeita, a moça cabeleireira, de cabelo pintado, que não deveria ter mais que vinte e sete anos, disse:
–"Ah!, mas olhando, agora, para a cara e para o cabelo já lhe dou cinquenta anos!"
A senhora soltou uma gargalhada, enquanto trocava olhares com outra cliente, de cabelo pintado, que aparentava rondar os setenta anos de idade.

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