"As metáforas são o aroma que se desprende das coisas, quando estas travam amizade entre si.
O 'gozo imediato' não dá lugar ao belo, uma vez que a beleza de uma coisa se manifesta 'muito depois', à luz de outra, através da significatividade de uma reminiscência. O belo corresponde à duração, a uma síntese contemplativa. O belo não é o esplendor ou a atração fugaz, mas uma persistência, uma fosforescência das coisas. A temporalidade do belo é muito diferente da do 'desfile cinematográfico das coisas'. A época da pressa, a sua sucessão 'cinematográfica' de presentes pontuais, não tem qualquer acesso ao belo ou ao verdadeiro. Só quando alguém se detém a contemplar, em recolhimento estético, as coisas revelam a sua beleza, a sua essência aromática. Esta compõe-se de sedimentos temporais que fosforecem."
Byung-Chul Han, O Aroma do Tempo
das Metáforas
Labels: Byung-Chul Han, Livros, sublinhados, tempo

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