E então, um judeu pequeno de nariz grande e pele pálida,
Pobre mas satisfeito, ensimesmado e reservado,
Um espírito subtil mas vazio, menos lido do que celebrado,
Escondido sob o manto de Descartes, o seu professor,
Aproxima-se do grande Ser com passos cuidadosos:
Desculpe-me, diz ele, falando num sussuro,
Mas penso, aqui entre nós, que Vossa Excelência não existe.
Voltaire - sobre Espinosa
"É triste notar que poucos filósofos de qualidade, velhos ou novos
prestaram homenagem pública a Espinosa no século que se seguiu à sua
morte, e que nenhum assumiu o papel de discípulo ou continuador. Nem
sequer Leibniz, que leu e parece ter apreciado os escritos de Espinosa
antes da sua publicação, e que teria sido a mente mais qualificada da
época para explicar o seu significado. Mas não o fez. Escondeu-se como
todos os outros e adotou uma posição de crítica circunspecta. Os grandes
cérebros das Luzes fizeram o mesmo. Em privado, diziam-se iluminados
por Espinosa; publicamente, atacavam-no."
António Damásio, Ao Encontro de Espinosa
Espinosa
Labels: António Damásio, ciência, Espinosa, Livros, poesia, Poetry, Religião, sublinhados, Voltaire

No comments:
Post a Comment