Os muros que construo são de areia



A mim, já ninguém me magoa
porque já fui magoada tanta vez.

A mim, já ninguém me magoa porque de tanto sofrer
ganhei calo e resiliência.

A mim, já ninguém me magoa
porque não guardo ressentimentos.

A mim magoam-me muito
porque optei por partilhar a minha carne e a minha alma.
E como ser humano que sou,
cometo erros e engano-me em quem insisto confiar.

A mim magoam-me muito porque desvalorizo os ressentimentos.

A mim magoam-me muito porque a minha raiva é momentânea
e as memórias vão largando as emoções, como despojos.

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