Welcome to the club, pá

As pessoas de quem gostava, não gostavam de mim. As pessoas que gostavam de mim, acabavam por se desinteressar porque eu não gostava delas.

Em termos de virtudes, reconheço-me a honestidade, a perseverança, um espírito crítico bem apurado, talvez intransigente em situações que mereceriam alguma condescendência, desassombro perante o poder. Gosto do país em que vivo, mas odeio cada vez mais as suas elites. Há ocasiões em que chego a ter-lhes nojo.

Sinto-me profundamente mal com as assimetrias cada vez mais marcantes na sociedade portuguesa, com esta oligarquia disfarçada de democracia, com uma sociedade onde o mérito conta sempre menos do que o amiguismo, as afinidades electivas, os caciques, as confrarias, os elos familiares mais ou menos evidentes. Sinto que com a maior das facilidades se promove muita porcaria e que dificilmente alguém fora dos meios convencionais de produção, seja daquilo que for, consegue ver o seu mérito reconhecido ou a sua falta de mérito convenientemente criticada.
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