Amor próprio
"Partilhavam longos passeios pelo parque e uma assinatura na ópera. Ela apaixonou-se. Ele [o biólogo] não. Quando o biólogo começou a ignorá-la — a relação deles estava a provocar os habituais boatos vitorianos — Eliot escreveu-lhe uma série de cartas de amor melodramáticas e, no entanto, assustadoramente honestas. Suplicava a sua "misericórdia e amor": "Quero saber se me pode garantir que não me esquecerá, que estará ao meu lado sempre e o tempo que puder e que compartilhará os seus pensamentos e sentimentos comigo. Se se afeiçoar a outra pessoa eu morrerei, mas até esse dia, se o tivesse a meu lado, poderia reunir coragem para trabalhar e fazer alguma coisa da minha vida." Apesar das confissões de vulnerabilidade, a carta termina orgulhosamente com um reconhecimento do seu próprio valor: "Suponho que nenhuma mulher alguma vez escreveu uma carta como esta — mas não tenho vergonha dela, porque tenho consciência de que, à luz da razão e da verdadeira cultura, sou digna do seu respeito e afeição.""
Jonah Lehrer, in Proust era um Neurocientista, a propósito de George Eliot e Herbert Spencer
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