Conceito > silogismo > narrativa

Só o "conceito" gera conhecimento. O conceito é C, que concebe no seu interior A e B, e que se conceptualiza através de A e B. É a estrutura superior que inclui A e B e a partir da qual se pode fundamentar a relação entre A e B. Assim, A e B são os "momentos de um terceiro superior". O conhecimento só é possível ao nível do conceito. "O conceito é o que habita nas coisas, o que faz com que as coisas sejam o que são, e conceber um objecto, portanto, significa tornarmo-nos conscientes do seu conceito"*

[...] O Big Data é desprovido de conceito e de espírito. O conhecimento absoluto que o Big Data pretende coincide com o desconhecimento absoluto.

[...] "Tudo é silogismo" significa "tudo é conceito".* O conhecimento absoluto é o silogismo absoluto. A "definição de absoluto" é "que é o silogismo"*.
Da adição continuada não resulta um silogismo. O silogismo não é uma adição, mas uma narrativa.

[...] O Big Data é puramente aditivo e não consegue nunca o silogismo ou a conclusão. O espírito é um silogismo, uma totalidade na qual as partes são integradas com sentido.

[...] O conhecimento é um silogismo. Os rituais e as cerimónias são formas silogísticas. Representam um processo narrativo.

[...] Hoje a perceção não é capaz do silogismo, porque faz incessantemente zapping através de uma rede digital infinita. O que totalmente a dispersa. Só uma demora contemplativa é capaz do silogismo.

[...] Se todo o racional é um silogismo, então a era do Big Data é uma época sem razão.

Byung-Chul Han, Psicopolítica




*G. W. F. Hegel

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