"Grande parte deste debate parecerá complexa e esotérica a quase todos, salvo aos especialistas na matéria. Mas não deveria ser assim. Na verdade, este é o prrincipal dilema que enfrenta, actualmente, a humanidade — muito mais importante do que o terrorismo, a criminalidade, os cuidados de saúde, a educação ou qualquer outra das preocupações quotidianas que inundam os jornais e os ecrãs televisivos. Todos nós temos de tomar uma decisão: que temperatura e, por extensão, que concentrações de CO2, devemos nós visitar? 400 ppm? 550ppm? Imagino que uma sondagem mais abrangente ao público, em geral, não recolheria muitas respostas. A maioria da população encaixar-se-ia na categoria do 'não sei'. Também a classe política só agora começa a compreender a terminologia relevante e não há, em todo o mundo, um só partido importante que apresente uma política definida sobre esta matéria. Em última análise, porém, trata-se de uma decisão política e daquelas em que a população mundil, em peso, deve poder participar de uma forma informada e democrática, para ser respeitada e apoiada pr todos.
Este tema também suscita uma questão mais profunda acerca do lugar que ocupamos na Terra. Nós, os seres humanos, uma espécia animal, entre milhões, já nos tornámos guardiães de facto da estabilidade climática do planeta — serviço esse que a natureza providenciava gratuitamente (com alguns altos e baixos). Sem nos apercebermos, autoproclamámo-nos técnicos de manutenção, pressionando o termóstato climático com as nossas mãos suadas de símio. dificilmente existirá responsabilidade mais colossal que essa."
Marl Lynas, in Seis Graus
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