Não é difícil imaginar o derradeiro cenário de pesadelo, com erupções oceânicas de metano perto de grandes centros populacionais, arrasando rapidamente milhares de milhões de pessoas — talvez, até, no espaço de alguns dias. Imagine uma bola de fogo de metano de "explosivo de ar combustível" a precipitar-se na direcção de uma cidade — por exemplo, Londres ou Tóquio — com a onda de rebentamento a afastar-se do centro da explosão com a velocidade e a violência de uma bomba atómica. Os edifícios são arrasados, as pessoas são instantaneamente incineradas ou cegadas e ensurdecidas pela força da explosão. Misture Hiroshima com a Nova Orleães pós-Katrina para ter uma ideia de como seria uma tal catástrofe: os sobreviventes queimados a lutar por alimentos, a fugir para longe das cidades vazias, para escapar à fome. Essas são as imagens que vemos nos filmes de Hollywood, mas, neste caso, não há qualquer razão física que impeça uma tal ocorrência. E, com efeito, a nossa persistente postura de alheamento torna-a cada vez mais plausível. [...] Tal como determinaram os julgamentos de Nuremberga, do pós-guerra, a ignorância não é desculpa; nem o pretexto de se estar apenas a cumprir ordens. Na minha opinião, o caminho moralmente correcto não é aceitar com passividade o nosso papel destrutivo, mas resistir activamente a um destino tão horrendo.
Mark Lynas, in Seis Graus
Great balls of fire
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