Da coadoção


Sempre estive atenta ao que Luís Villas Boas tem vindo a público dizer e sempre tive muita consideração por ele.
Também tenho apreciado a assertividade de Marinho Pinho em algumas ocasiões.

Ontem fiquei chocada com aquilo que me pareceu um discurso demagógico destes dois senhores.
Só ouviam o que lhes convinha e agarraram-se a ideias fixas e a argumentos muito fracos, interrompendo, levantando a voz e repetindo incessantemente a mesma frase (o Dr. Marinho Pinho), uma técnica eventualmente eficaz para fazer passar o tempo e não permitir que os demais sejam ouvidos.

Confundiram pai biológico com paternidade, com figura paternal, com espermatozóide, com doador, com 'porto seguro de afectos'.

O que me parece é que não mostraram, ou não lhes interessou tomar consciência de que haverá crianças felizes, educadas/criadas por 2 homens. Haverá crianças felizes, educadas/criadas por 2 mulheres. Haverá crianças felizes, educadas/criadas por 1 homem e uma mulher. Haverá crianças felizes, educadas/criadas apenas por 1 homem. Haverá crianças felizes, educadas/criadas apenas por 1 mulher. Haverá também crianças infelizes em todas as situações acima referidas.

Haverá crianças que dividem a sua existência com um padrasto ou uma madrasta e também (em simultâneo) com o pai biológico ou mãe biológica, e não serão necessariamente felizes ou infelizes por isso.

O que determina a felicidade e sentido de segurança de uma criança não são questões que se prendem com o género ou com o tipo de figura (masculina ou feminino) que interiorizaram.

Um ser humano é infeliz quando é discriminado, quando lhe cortam a liberdade, quando é maltratado, quando não o respeitam.

O que terá sido feito da figura paternal (ou maternal) daqueles seres humanos que foram educados por um 'pai' e uma 'mãe' e que acabaram por 'desenvolver' uma orientação não heterosexual? Serão esses seres humanos necessariamente infelizes por essa razão? E aqueles seres humanos heterosexuais que foram educados por um 'pai' e uma 'mãe' serão necessariamente felizes por isso?



No comments: