Deus dá com uma mão e tira com a outra / Contradições em época festiva


Nailing Christ to the Cross, Gustave Doré

Estando, ainda, em ressaca de quadra festiva, na época em que o gesto de oferecer é enaltecido, lembrei-me desta frase. Pressupõe uma grande prepotência (também no sentido mais pejorativo). Uff! Ainda bem que não acredito em Deus. Seria uma grande decepção. Não posso conceber o acto de dar associado ao acto da cobrança. Não me sinto obrigada a dar esmola ao pedinte. Se optar por dá-la, qual o meu direito em exigir algo em troca? Afinal a decisão foi minha!
Sinto-me com sorte por saber o que é o prazer de poder dar.
Dar. Simplesmente. Sem condições, sem cobranças.

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