Watermarks


Blade Runner
The importance of what memories can bring.
The inheritance of memories.
The influence of invisible memories.
The subconscient presence of memories.

Quem vê caras... / Marketings


Getty Images

Depois de lhe ter arranjado o cabelo, a moça cabeleireira dirigiu-se à cliente, olhando para o seu cabelo, a caminho do grisalho, e disse-lhe:

–"Porque é que a senhora não pinta o cabelo?"

– "Primeiro, porque dá muito trabalho. Porque se começo a pintá-lo e depois deixo de o fazer receio já não me reconhecer. Além disso não me sinto mal assim."

Mas, apesar de uma exposição destas, a moça cabeleireira continuou:

–"Mas olhe que se o pintar vai parecer muito mais nova!"

– "Que idade me dá?" – pergunta a senhora.

Então, a moça preparou-se para assumir um personagem diferente:

–"Eu vou olhar só para a cara da senhora. Só para a cara! Vou-me esquecer do seu cabelo e vou dizer-lhe a idade que eu acho que a sua cara tem."

Com o corpo para trás, a cabeça avançando e os olhos bem esbugalhados, assim fitou a cara da senhora durante uns bons segundos.
A senhora deixou-se estar quieta, mantendo um sorriso enquanto esperava o veredicto.

–"Pronto. Já está!"

–"Então? Que idade dá à minha cara?"

–"Quarenta anos" – disse a moça com determinação.

–"Está a ver?" – retorquiu a senhora, –"Já me está a dar menos nove anos! Apesar da cor do meu cabelo ainda pareço nove anos mais nova!"

Não se dando por satisfeita, a moça cabeleireira, de cabelo pintado, que não deveria ter mais que vinte e sete anos, disse:

–"Ah!, mas olhando, agora, para a cara e para o cabelo já lhe dou cinquenta anos!"

A senhora soltou uma gargalhada, enquanto trocava olhares com outra cliente, de cabelo pintado, que aparentava rondar os setenta anos de idade.

Pigeon Impossible

Como?

Também conheço outro tipo de respostas, dentro do mesmo registo.


John Surman, Nestor's Saga

O seguro morreu de velho... e a dizer mal do mundo!

– "Queres namorar comigo?"
– "Não, sem primeiro saber que tipo de modelo de relacionamento formatou a tua cabeça".
– ":S"

– "Vamos casar?"
– "Não, sem primeiro fazermos uns anitos de terapia conjugal para excomungar as potenciais, perigosas, heranças invisíveis que, certamente, irão causar ruído".
– ":S"

– "Vamos fazer um filho?"
– "Não, sem primeiro ter a certeza que o tipo de modelo parental que formatou a tua cabeça não vai causar traumas na criança".
– ":S"

Floresta urbana


Uma proposta interessante do gabinete de arquitectura,
MAD, de Beijing.

da inteligência


Um idiota preguiçoso continua sempre a ser um idiota, e um preguiçoso inteligente é alguém que reflectiu acerca do mundo em que vive. Não se trata, pois, de preguiça. É tempo de reflexão. E quanto mais preguiçoso fores, mais tempo tens para reflectir. E é por isso que, no oriente, isso se designa por Filosofia Oriental... A maior parte das pessoas tem tempo. Quanto mais se desce para sul, mais encontramos profetas, magos, pessoas que reflectiram sobre o mundo.

Maleitas


O Êxtase de Santa Teresa, G. L. Bernini
Para além da fome, a paixão também pode dar coisas assim.

Caixa de Pandora



A vontade de ajudar (de ludibriar a solidão?) era tal que, naturalmente, procurava uma amigável cumplicidade com os objectos da sua ajuda.
Esqueceu-se, porém, que a solidão dos outros é um caldeirão onde muitas vezes se cozinham sopas de letras das quais podem sair frases como: gosto de ti.
Às tantas, a vontade de ajudar trazia-lhe de volta situações complicadas, como compromissos indesejados.
Mas, por outro lado, ajudar é como assumir um compromisso.
Complicado.

The Danish Poet



Essa palavra
sboula — cuja magia, a esperança, a confiança de que é portadora, não podem ser sentidas, visceralmente sentidas, senão por aqueles que vivem da terra, os camponeses — designava na discussão dessa noite um instrumento de morte; uma espiga a escorrer sangue. Só se dava à navalha esse nome vegetal e inocente de sboula quando ela já fora utilizada para dar a morte. (Em que insurreição antiga, sangrenta e esquecida fora forjada essa metáfora que compara a espiga a uma poesia trágica, sanguinária?)
Percebi nessa noite que a sociedade númida, a minha, para conjurar a violência e a morte, tão facilmente oferecidas, usava frequentemente palavras que evocavam irresistivelmente a vida.
Tal como para o cancro, por exemplo. Os habitantes de uma certa região, ao falarem dessa doença, dizem: "O pássaro!" (Um pássaro sinistro que revira as entranhas humanas, como uma águia mitológica que bicava o fígado do Prometeu agrilhoado.) Das forças obscuras e violentas que se abatem sobre o epiléptico, e o mergulham em contorções convulsivas, diz-se: "Os irmãos", ou então: "Os ventos".
Além da navalha assassina, o termo sboula também designa o sexo do homem, quando este sexo é de dimensão consequente. Ao falarem do privilegiado que seja dotado dele, os seus amigos íntimos dizem, admirativos, e usando como padrão de medida uma mão ao nível da articulação do cotovel, que estendem na vossa direcção:
— Tem cá uma destas sboulas!
Será que no nosso imaginário o sexo está assim tão indissoluvelmente ligado ao sangue e à morte?
No início desta narrativa, vimos que era pelo termo Nouar, flores, que se designa sífilis. E a expressão: "raparigas-cicatrizes" não foi uma invenção minha. Essas raparigas de corpo marcado pelas cicatrizes, pelos vestígios de golpes de navalha, existem efectivamente, tal como a expressão que as designa. Na maioria dos casos, são raparigas feias, terrivelmente vulgares, e que conheceram a fome, a pancada, a violação; a prisão. E os chulos.
Estas páginas, há que dizê-lo, são-lhes dedicadas.
Eu quis que as cicatrizes delas, em lugar de lhes terem sido feitas à noite, numa ruela zarolha (ou cega), após uma discussão mesquinha nascida do fogo da embriaguez provocada por um vinho infame (que por vezes não passa de álcool para queimar), eu quis pois que a cicatriz vil e degradante fosse rodeada de um cerimonial, de um ritual solene. Que fossem as raparigas mais belas, as raparigas-flores, que a ganhassem, tal como se ganha uma medalha na guerra, tal como se acede a uma ordem de cavalaria prestigiada e reclusiva, que prega um brasão de distinção no corpo dos seus filiados.
Os nomes destas flores, já que foi em flores que eu as quis metamorfosear, não me deram muito trabalho a encontrar, a colher, na minha língua númida.
Maternal.
As Meninas da Numídia, Mohamed Leftah

Uma história de natal





The Junky's Christmas, de William S. Burroughs, por Francis Ford Coppola


David Burdeny
Mercator's Projection, Antartica, 2007.

Cores preferidas


Cada vez mais

Mozart of the Pickpockets


Things just can't go right for Richard and Philippe, a pair of inept thieves. That is until they open their hearts and home up to a wide-eyed immigrant land. 2008 Academy Award Winner - Best Short Film.

To break, broke, broken / (re)making impossible puzzles?


A propósito de Tetro

Don't be me. Be you.
Don't look at the light.
Don't look at the light.

Quando, I'm sorry, deixa de ter significado.
yrros m'i


The Tales of Hoffman

O Tempo, ainda o Tempo e sempre o Tempo



Uma aula dada por Philip Zimbardo sobre a importância
da gestão do tempo.

Everybody is born present-hedonistic. Our society is time
driven. The secret is to develop optimal temporal balance.
Conscientious people live significantly longer. The optimal
profile: moderatly high past-positive, moderatly high
future-oriented and moderate present-hedonist.
Time makes you better when you make time.


Mais aqui.

Humor negro


Facebook no terceiro mundo.

Open a conversation


Believe
Get involved
Ask questions
Listen
Be curious

Time


Desenhado por Kit Men Keung

Maths

e chove

Elegy vs The Dying Animal



Pois é.
Por acaso, sempre fui de opinião que se deve ler, primeiro, o livro
e só depois ver o filme.
Neste caso ainda não consegui ver o filme, mas vou ter em conta esta crítica. Poderei estar de acordo com o que diz sobre a escolha de Ben Kingsley, e lembro-me logo do lado comercial da coisa: Kingsley/Penélope (wow! que dois! e juntos!).
Gosto muito da Penélope, da sua beleza e do seu talento.
Sempre achei o Ben Kingsley lindíssimo (tem uma força que lhe vem de dentro e lhe sai pelos olhos). Sempre me deliciei com a forma como se entrega aos vários personagens que tem desempenhado, coisa que o tem tornado ainda mais bonito aos meus olhos.
Apesar de não ter visto o filme, acho pertinente o que Francisco Rogido diz sobre a escolha de Kingsley e, também, acho muito pertinente a referência final a Patricia Clarkson, com a qual não posso deixar de concordar depois de ter apreciado a passagem dela pela belíssima série televisiva Six Feet Under e pelo filme Vicky Cristina Barcelona.