da discriminação / quando ser maioria não é sinónimo de ter razão

Um dia conheci uma senhora que durante boa parte da sua infância e juventude, — talvez pela sua forma genuína e diferente de estar, talvez por ser a mais velha dos seu irmãos e esperarem dela a reprodução dos valores da família, quer ela os entendesse, aceitasse ou não, e ela não estivesse para isso — foi sendo "rotulada" de louca pelos familiares mais próximos. Foi, assim, rotulada e acabava sendo tratada como tal. Um estigma pesadíssimo que teve que carregar pela vida fora e que influenciou e alterou dramaticamente toda a sua sofrida existência. Pagou um preço demasiado alto. Testemunhei boa parte desse sofrimento. Dessa frustração e dessa sua impotência em lutar contra os membros da sua família que se apoiavam uns nos outros para justificarem esse seu gesto discriminatório. Achando-se senhores do conhecimento absoluto. Seu pai, embora sendo técnico de saúde, era médico de clínica geral. Não era psicólogo nem psiquiatra. Por sinal, era uma pessoa bastante prepotente, segundo relatos que pude recolher.

Sempre me entristeceu a situação daquela senhora.
Tive mais sorte do que ela, mas aprendi a compreendê-la muito bem.

(confirmation bias)

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