"Pouco antes da era moderna, a humanidade europeia sabia menos que Arquimedes no século III antes de Cristo, ao passo que, nos primeiros cinquenta anos do nosso século, o número de descobertas importantes foi maior que o de todos os séculos de história somados. No entanto, com igual razão, atribui-se ao mesmo fenómeno a culpa do não menos comprovado aumento do desespero humano, ou do niilismo especificamente moderno que tomou conta de sectores cada vez maiores da população, do qual o aspecto mais significativo é que já não poupa os próprios cientistas, cujo fundamentado optimismo, no século XIX, foi ainda capaz de enfrentar o igualmente justificado pessimismo de pensadores e poetas. A moderna concepção astrofísica do mundo, que teve início com Galileu, e a dúvida que lançou quanto à capacidade de os sentidos perceberem a realidade, deixou-nos um universo de cujas qualidades conhecemos apenas o modo como afectam os nossos instrumentos de medição; e, nas palavras de Eddington, "as primeiras assemelham-se ao segundo tanto como um número de telefone se assemelha ao assinante". Por outras palavras, ao contrário de qualidades objectivas, encontramos instrumentos e, ao contrário da natureza do universo, o homem — nas palavras de Heisenberg — encontra-se apenas a si mesmo."
Hannah Atendt, A Condição Humana
“We are going to the moon that is not very far. Man has so much farther to go within himself.” [Anaïs Nin]
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