No Silêncio das Entrelinhas

A tua voz, doce... Magoa-me.
A tua inocente e estratégica simpatia... Inquieta-me.
A tua inevitável proximidade... Atormenta-me.
A tua premeditada discrição... Revolta-me.
A tua cerimónia... Limita-me.

Esbarro-me na tua visível transparência.

Liberta-me desse teu charme contido,
Dessa tua postura politicamente correcta.

(Revisto-me de uma delicada superficialidade,
Através da qual se abrem brechas profundas.
A minha sede de tudo abarcar, corrói-me.)


Enfrenta-me.
Diz-me na cara que me amaldiçoas.

Não sou de porcelana.
Esta química põe-me doente.

Os teus gestos calculados...
As tuas palavras medidas...
As tuas omissões propositadas...

Sai do meu limbo.

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