[Acho graça ao comentário final do vídeo: "No cats were hurt". Gostaria de perguntar a quem teve esta ideia, o que é para si o significado da palavra hurt]
Eram cinco da manhã. Acordei.
A cabeça já se encontrava a 200.
A palavra maldade corria-me no pensamento sem que eu a pudesse banir de lá.
A palavra maldade não chegava para abarcar o seu próprio significado.
Não chegava para abarcar o mal-estar causado por atitudes racionalmente incompreensíveis.
O dia que nascia ia ser muito atarefado.
A folga dada no emprego vinha mesmo a calhar.
Deitei-me cedo pois o corpo tem-me pedido mais descanso do que o habitual.
Mas a maldita palavra atormentou o meu inconsciente e acordou-me.
Dei voltas na cama, tentando enganar o pensamento e a ansiedade que daí crescia.
Nada.
Às oito da manhã levantei-me. Batalha perdida.
Tanto que fazer...
Logo vai ser a passagem de ano. Uma noite em que quero investir.
A do ano passado foi muito triste e este ano, que está a acabar, foi muito difícil.
Como fazer para banir pensamentos invasivos?
O sentimento de impotência perante a injustiça é devastador.
Corrói-nos por dentro. Tira-nos o sono.
É tão importante, para mim, dormir.
Há estudos que demonstram que as vítimas de desprezo têm muito mais possibilidades de virem a contrair doenças.
Não consigo digerir as palavras desprezo, maldade, prepotência.
Prevejo mais noites de insónia.
Tenho que reformular algumas coisas no meu coração.
Não queria.
Não é confortável.
Vai-me tirar ainda mais sonos.
Sinto-me presa por ter cão e presa por não ter.
Poderá parecer tudo tão ridículo... Mas há atitudes que não consigo digerir.
Atitudes.
Atitudes incompreensíveis, perante pedidos tão simples.
Tão simples.
Não acredito que a vaidade, a necessidade de afirmação, possam assumir proporções tão enormes. Tão grandes ao ponto de ignorar sentimentos e convicções.
Tão grandes ao ponto de se disfarçarem de argumentações mirabolantes.
Podia estar para aqui a dissertar e a dissertar... Mas nem por isso me sinto mais aliviada.
E no final de contas o corpo é que paga!
Essa é que é a verdade.

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