A propósito de uma acesa discussão que surgiu numa página de uma rede social e que teve início num episódio que se passou comigo, gostaria de partilhar com a blogosfera algumas questões que eu acabei por lançar à discussão nessa rede social.
Sabemos que o ser humano é verdadeiramente complexo.
Uns são paranóicos por umas razões... outros serão paranóicos por outras... uns gostam de espiar a vida dos outros... outros gostam de exibir e divulgar a vida dos outros, confundindo-a com a sua... uns gostam de exibir a sua própria vida... uns escondem-se do mundo cheios de medo... uns não olham a meios para defender aquilo que consideram os seus direitos mesmo que para isso tenham de passar por cima de tudo e de todos, sentindo-se cheios de razão.
Os verdadeiros pedófilos fazem-se passar (com êxito) pelos melhores amigos das famílias onde estão as crianças a que pretendem chegar.
E os amigos dos nossos amigos? Encontrar-se-ão, eles, dentro dos nossos parâmetros de AMIZADE?
As fronteiras virtuais não são físicas, são ilimitadas. As vantagens são tão imensas quanto o serão as desvantagens!
Podemos nós confiar nos amigos dos nossos amigos? TODOS?
Se presumirmos que sim não estaremos nós a cair ingenuamente numa certa omnipotência?
Que certezas temos que podemos confiar em absoluto nos amigos dos nossos amigos, que não são nossos amigos?
Os nossos amigos podem mostrar os albuns privados (de outros) a quem muito bem entenderem (basta terem acesso a eles, por ser... amigos).
Por vezes há períodos nas vidas dos pais que nem nos próprios filhos (que supostamente até poderão conhecer melhor que certos amigos) eles confiam!
E com quanta certeza é que podemos confiar nos que elegemos nossos "amigos"?
Tenho pessoas a quem chamo "amigos" e que raramente vejo e que nem estão nas redes sociais, tenho pessoas a quem chamo amigos porque tivemos um passado bom comum apesar de nunca mais me ter encontrado com eles, tenho amigos que... etc, etc
O que é para cada um de nós, SER AMIGO?
Qual o nosso grau de perfeição e lucidez no julgamento que fazemos dos outros... ou até de nós próprios?
O que é isso de CONTROLAR?
Tentemos pensar com objectividade, sem que a emoção interfira no pensamento.
Como dizia uma amiga minha:
I ... MOSTLY RESPECT YOUR ASPECTS AND WISHES. I am also not putting any photos on FB, specially of... [my daughter]. It cannot be for pedofile reasons or political or... or... I am just tired of this big brother world controlling over and losing privacy through so many different things... I want my little universe private.
É uma postura entre milhares. Cada um terá a sua. O importante é que quando se trata de divulgar (seja para quem for) intimidades e filhos menores que não são nossos, ou de divulgar espaços privados dos outros, há que ter o cuidado de pedir permissão e de acatar humildemente a resposta sem julgamentos.
Aceitar a diferença e ser tolerante passa por aí. Será que ser amigo também passa por aí?
Parece-me que será ESTA a questão... porque de resto haverá imensas subjectividades!
Até que ponto é que é legítimo pensar que a nossa vontade de querer manter a nossa vida e a dos nossos privada, é "querer condicionar" ou "controlar" aqueles a quem pedimos para não publicar fotos nossas?
No fundo, no fundo... apenas somos responsáveis por aquilo que fazemos, mas aquilo que fazemos pode ir muito longe. Tanto na divulgação daquilo que não é nosso como no ter o cuidado de proteger aquilo que é nosso ou daquilo que assumimos como nosso, seja isso os amigos, filhos de amigos, animais de estimação, vítimas de holocausto, de violência doméstica ou o património de uma qualquer cidade, etc
Publicar e divulgar fotos de outros nas redes sociais — II
Labels: assertividade, Facebook

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