Quando estou num sítio novo, porque vejo tudo, é como quando um computador está a fazer demasiadas coisas ao mesmo tempo e a unidade de processamento central bloqueia e não resta qualquer espaço para pensar sobre outras coisas. E quando estou num sítio novo, e lá está muita gente, é ainda mais difícil, porque as pessoas não são como vacas, as flores ou a erva; elas falam connosco e fazem coisas inesperadas, por isso temos de reparar em tudo o que está nesse sítio, e também temos de reparar nas coisas que podem acontecer. Às vezes quando estou num sítio novo e há muitas pessoas lá, é como um computador a avariar, e tenho de fechar os olhos, tapar os ouvidos com as mãos e gemer, que é como carregar em CTRL + ALT + DEL, fechar os programas, desligar o computador e fazer um reeboot, para me conseguir lembrar do que estou a fazer e para onde estou a ir.[...] Tive de pensar com os meus botões, as pessoas são como vacas num campo, e só tinha de olhar sempre em frente e imaginar uma linha vermelha ao longo do chão, na imagem da sala grande que havia dentro da minha cabeça e segui-la.
In O estranho caso do cão morto, de Mark Haddon
Sentido
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