A tristeza e os mendigos do meu bairro



A prova provada de que não fujo à regra da insensibilidade que atinge os que vivem nas urbes modernas é a de não me comover com os mendigos. Tornei-me imune à sua condição. Mas, ele há dias. Ele há dias. Não sei porquê mas no meu bairro têm aparecido mendigos acompanhados de animais de estimação (cães, essencialmente). Interrogo-me como é que eles os vão conseguindo alimentar. Na verdade o quadro torna-se mais comovente pois a expressão no focinho do animal parece reflectir a desgraça do dono. Usando do meu humor negro poderei dizer que se tratará de uma acção de marketing por parte dos mendigos. Mas não. Depois coloco-me no lugar deles e até acho que fazem muito bem. É uma boa maneira de combater a solidão. O problema é que quando os mendigos me começam a comover é sinal de que as coisas não devem estar lá muito católicas. Hoje fui invadida por uma onda de tristeza inexplicável (??). Talvez sejam os dias mais curtos a favorecer estes estados de espírito... Eu, por acaso, até tenho um animal de estimação, mas é de uma raça muito pouco interactiva.

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