"[...] o fim que se persegue está sempre oculto. Uma rapariga que quer um marido, quer uma coisa que desconhece completamente. O rapaz que anda em busca da glória não faz a mínima ideia do que a glória é. O que dá sentido à nossa conduta é sempre uma coisa completamente desconhecida."
Milan Kundera in, A Insustentável Leveza do Ser [pag 141]
A insustentável leveza do ser
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Quando a infantilidade nos tira do sério...
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Understanding is love’s other name
"Among the things I most cherish about science is the way it anneals curiosity. True curiosity is an open wonderment at what something is and how it works without emotional attachment to the outcome of observation and experiment. It is only when we cede emotional attachment that we can be truly free from judgment, for all judgment is feeling — usually some species of fear — masquerading as thought. And when we judge, we cannot understand. True curiosity is therefore a form of love, because, as the great Zen teacher Thich Nhat Hanh so plainly and poignantly put it, “understanding is love’s other name.”"
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Bullying
A respeito de bullying e das suas etapas, desde a humilhação inicial do considerado mais fraco/diferente, passando pela cobardia de quem assiste ao espectáculo sem nada fazer, até ao 'virar o bico ao prego' acusando a real vítima.
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miséria...
"Na altura pareceu-me intensamente interessante que,no caso de um certo tipo de seres humanos,que quanto mais cruéis são os sofrimentos que lhes são infligidos mais cruéis eles se tornam para com os que têm a infelicidade de serem mais fracos ou mais miseráveis do que eles. Ou talvez devesse dizer que quase todos os seres humanos,colocados em situações suficientemente miseráveis,irão reagir de vez em quando a essas mesmas situações( causa da mutilação da sua personalidade )através da deliberada mutilação de outra personalidade mais fraca ou já mais mutilada. Diria mesmo que isto é absolutamente óbvio. Não estou a dizer que seja alguma descoberta. Pelo contrário,limito-me a afirmar aquilo que me interessou particularmente durante a minha estadia em La Ferté : estou a dizer que me tocou extremamente ver que,por mais ocupados que mantenham sessenta homens a sofrer em comum,há sempre um ou dois ou três que conseguem sempre arranjar tempo para fazer alguns dos seus camaradas gozar um pequeno sofrimento extra."
E. E. Cummings, O Quarto Enorme [pag 266]
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Aquilo que nos distingue
Uma boa leitura.
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do tempo...
Espera-se. O tempo apaga muitas coisas e é como o
vento que traz coisas que não se espera, quando se
espera coisas que não traz.
H. L. S. Maia, Porto, 18 Dez 1957
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it's the end of the world as we know it

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Caminhar, uma repetição
"Caminhar faz aflorar aos lábios de forma natural uma poesia repetitiva, palavras simples como o ruído de passos num trilho. Podemos encontrar um outro eco da caminhada na prática do canto de salmos nos chamados "coros alternados", em que um coro canta (numa só nota) um verso e o outro responde-lhe. Esta prática coral permite a alternância do canto e da escuta. Acima de tudo, ela gera um efeito de repetição que Santo Ambrósio compara com o rumor do mar: quando as vagas se quebram suavemente junto à costa, a regularidade do som não só não rompe o silêncio, mas ritma-o e torna-o mais audível. É assim com a salmodia, que no vaivém das respostas alternadas produz na alma, diz Ambrósio, uma quietude feliz. Estes cânticos em eco, o fluxo e refluxo das vagas, assemelham-se ao movimento alternado das pernas na caminhada. Nesse caso, não se trata de quebrar, mas de ritmar e tornar sensível a presençado mundo. Tal como Claudel escreveu que o som torna o silêncio acessível e útil, importaria dizer que a caminhada torna a presença acessível e útil.
Há na caminhada um poder imenso da repetição do Mesmo."Caminhar, Uma Filosofia, de Frédéric Gros
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Caminhar
"Platão propõe a metáfora da lamparina. Para atendê-la, é preciso fornecer-lhe uma chama do exterior. A centelha são os livros. O que se obtém do seu contacto frequente não é a possibilidade de enceleirar aquisições, como um tesouro de verdades que aumentaria a cada leitura (a cada "aquisição" de conhecimentos), mas a possibilidade de se obter combustível. Chega o momento, diz Platão, em que o pensamento se alimenta da alma, qual chama de óleo na lamparina. Tem o bastante para durar, para que a chama brilhe sem que seja preciso reacender incessantemente a mecha. O pensamento acaba por se alimentar da alma. Por conseguinte, podemos subtrair os livros sem que a filosofia se extinga.
O caminhante nunca tem a paisagem diante de si. Não é o viajante apressado que salta da viatura, olha, assinala, avalia, tira a sua fotografia e volta a partir com a "captura" — esteve ali, viu, tem a prova. Um vestígio já morto, contabilizável em pixeis.
Pelo contrário, o caminhante envolve a paisagem e é por ela envolvido. Mescla os vincos. De resto, quase não a vê. Respira-a, inspira-a e expira-a por todos os poros, a cada passo que dá. A presença das colinas sedimenta-se suavemente nele como uma erosão invertida: ele retém-nas no seu corpo. A caminhada reqflecte o corpo na paisagem (e inversamente), como a filosofia reflecte a alma no pensamento. O caminhante e o filósofo debatem-se com o mesmo enugma: o da presença. A resolução passa por nela permanecer longamente, penetrá-la de forma interminável, habitá-la. O filósofo tem com os seu conceitos a mesma relação que o caminhante tem com a paisagem. Não há outra recompensa a esperar que não a familiaridade."
Caminhar, Uma Filosofia, de Frédéric Gros
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