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Foto de Anders Wallace
Roubei aqui

O gigante está com medo

A origem do mal como a inversão da hierarquia legítima entre a sensibilidade e a consciência moral (Kant)

1)
Seria o mal consequência da nossa sensibilidade (desejos, pulsões, corpo, apetites, inclinações)?

– Não porque, se assim fosse, isso nos converteria em animais, e entre os animais não há mal. O "valor" é coisa Humana.

2)
O mal é proveniente da nossa razão prática, do nosso discernimento, da nossa maneira de pensar a vida? É consequência da nossa articulação intelectual sobre a vida?

– Não. Se tivéssemos uma razão endemicamente viciada, não seríamos humanos. Seríamos o Demónio (aquele que pratica o mal pelo mal). O mal que se justifica a si próprio.

3)
Será o mal a consequência da inversão da hierarquia do encontro entre estes dois elementos: os apetites e a razão? Qual deveria ser a hierarquia legítima entre os apetites e a razão?

A busca do prazer, a busca da felicidade, deveria estar limitada à consciência moral?

Qual é a inversão da hierarquia?

– É definir a lei moral a partir das conveniências do prazer e da felicidade.

Logo:

O Mal, resulta desta inversão: ao invés de ir buscar a felicidade dentro dos limites da consciência moral, define-se a consciência moral dentro dos limites dos interesses da felicidade.

Mas:

Acima das felicidades individuais existem as condições e as felicidades do colectivo — da humanidade como um todo.
Daí que a busca de felicidade se deve submeter à lei moral, à consciência da lei moral.

Arrisquemos, então, uma categorização do mal moral:

DEMÓNIO — pratica o mal pelo mal. Não aufere benefício algum para si.

CANALHA — pratica o mal pelo efeito benéfico que essa conduta traz para si.

PERVERSO — Tem prazer em praticar o mal.

SÁDICO — Não goza com a conduta malévola, mas com o sofrimento da vítima.

MEDÍOCRE — faz o mal por não fazer todo o bem que poderia fazer. A falta de busca da excelência. Aquele que se recusa ao aperfeiçoamento. O acomodado.

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Lugares comuns


"Cape Cod Evening", de Edward Hopper

Revejo-me / Lonely gravity / Num lugar ao sol


Miss Van Buren, de Thomas Eakins

Dying, while living

Treinando para "morrer antes de morrer", aumentando, assim, a capacidade de viver no presente e de desfrutar actividades simples da vida.

Invejinha

"Pensamos e sentimos do mesmo modo sobre estas coisas e arrancamo-nos a todo o momento as palavras e os pensamentos da boca. Temo-nos literalmente matado a conversar durante estas três semanas, e o mais notável é que, de súbito, ele se tornou capaz de falar cerca de dez horas por dia. (...) É estranho que as nossas conversas nos dirijam involuntariamente para os abismos e para esses lugares de vertigem aos quais por vezes um de nós ascende sozinho, espreitando as profundidades. Escolhemos regularmente os caminhos das cabras selvagens, e se alguém nos ouvisse julgaria que éramos dois diabos a conversar."
Um Olhar Para Trás, Lou Andreas-Salomé
(falando de seu amigo Nietzsche)

Pois é!

Compreendo.


"O mundo das paixões é o mundo do desequilíbrio. Cuidem-se os apaixonados, afastando dos olhos a poeira ruiva que lhes turva a vista. Erguer uma cerca, guardar simplesmente o corpo. São esses os artifícios que devemos usar para impedir que as trevas de um lado invadam e contaminem a luz do outro. É através do recolhimento que escapamos ao perigo das paixões."
Lavoura Arcaica, Luiz Fernando Carvalho

Frase do dia

"The world shall perish not for lack of wonders, but for lack of wonder."
J. B. S. Haldane

Qualia and Self



Vilayanur Ramachandran
Qualia = qualidades subjectivas das experiências mentais

O cérebro é plástico


(clicar na imagem para ampliar)


(clicar nas imagem para ampliar)
Mais Sobre o livro.

Uma palestra do autor:


(o resto está no Youtube)

O documentário, "Changing Your Mind"

Coisas que circulam por aí

Também vou querer

"A segunda pessoa a sugerir que psicadélicos podiam ser úteis para indivíduos moribundos não foi um médico, mas um filósofo e escritor Aldous Huxley. Estava profundamente interessado tanto em experiências místicas induzidas por psicadélicos como em problemas relacionados com a morte e o morrer. Em 1955, quando a sua primeira mulher, Maria, estava a morrer de cancro, utilizou uma técnica hipnótica para a pôr em contacto com as memórias de várias experiências extáticas espontâneas que tivera durante a vida. O objectivo explícito desta experiência era facilitar a sua transição através da indução de um estado de consciência. Esta experiência inspirou a descrição que Huxley faz de uma situação similar no seu romance, A Ilha, onde o medicamento moksha, 100 microgramas de LSDuma preparação feita com cogumelos psicadélicos, é utilizado para ajudar Lakshimi, uma das personagens centrais, a enfrentar a morte. [...] Em 1963, quando o próprio Huxley estava a morrer de cancro, demonstrou a seriedade da sua proposta. Várias horas antes da sua morte, pediu à sua segunda mulher Laura que lhe desse de modo a facilitar o seu processo de morrer. Esta experiência comovente foi mais tarde descrita no livro de Laura Huxley, Este Momento Intemporal (1968). A sugestão de Aldous Huxley, embora poderosamente ilustrada pelo seu exemplo pessoal, não teve durante vários anos qualquer influência nos investigadores médicos. A contribuição seguinte para esta área adveio de uma fonte inesperada e não estava relacionada com o pensamento e a escrita de Huxley."A Psicologia do Futuro, Stanislav Grof


"Long before "turn on, tune in, drop out" became the credo of the American counterculture, Aldous Huxley was using mescaline and LSD in controlled, carefully documented experiments. Accounts of those psychedelic experiences, along with his interest in Eastern mystical religions, accompany the moving story of Aldous Huxley's later years with his wife, Laura. Huxley's fascination with the spiritual world remained with him throughout his life and never wavered through his final illness in 1963. THIS TIMELESS MOMENT takes the reader into the lively mind of one of the most profound thinkers of any generation."

GOSTO disto!!






Magnetic Project, aqui

"In the dark, it feels so real".

Hoje fui até Paris. Apesar de lá ter ido antes da meia-noite, afinal estive lá depois da meia-noite, e gostei bastante. Sobretudo de continuar a divertir-me com Woody Allen.
Aquela banda sonora... aqueles sempre belos e cuidados interiores. Tão característicos de Woody Allen. Íntimos, ricos, repletos de referências...

Sinto-me em casa, nos filmes do Woody Allen.