A origem do mal como a inversão da hierarquia legítima entre a sensibilidade e a consciência moral (Kant)

1)
Seria o mal consequência da nossa sensibilidade (desejos, pulsões, corpo, apetites, inclinações)?

– Não porque, se assim fosse, isso nos converteria em animais, e entre os animais não há mal. O "valor" é coisa Humana.

2)
O mal é proveniente da nossa razão prática, do nosso discernimento, da nossa maneira de pensar a vida? É consequência da nossa articulação intelectual sobre a vida?

– Não. Se tivéssemos uma razão endemicamente viciada, não seríamos humanos. Seríamos o Demónio (aquele que pratica o mal pelo mal). O mal que se justifica a si próprio.

3)
Será o mal a consequência da inversão da hierarquia do encontro entre estes dois elementos: os apetites e a razão? Qual deveria ser a hierarquia legítima entre os apetites e a razão?

A busca do prazer, a busca da felicidade, deveria estar limitada à consciência moral?

Qual é a inversão da hierarquia?

– É definir a lei moral a partir das conveniências do prazer e da felicidade.

Logo:

O Mal, resulta desta inversão: ao invés de ir buscar a felicidade dentro dos limites da consciência moral, define-se a consciência moral dentro dos limites dos interesses da felicidade.

Mas:

Acima das felicidades individuais existem as condições e as felicidades do colectivo — da humanidade como um todo.
Daí que a busca de felicidade se deve submeter à lei moral, à consciência da lei moral.

Arrisquemos, então, uma categorização do mal moral:

DEMÓNIO — pratica o mal pelo mal. Não aufere benefício algum para si.

CANALHA — pratica o mal pelo efeito benéfico que essa conduta traz para si.

PERVERSO — Tem prazer em praticar o mal.

SÁDICO — Não goza com a conduta malévola, mas com o sofrimento da vítima.

MEDÍOCRE — faz o mal por não fazer todo o bem que poderia fazer. A falta de busca da excelência. Aquele que se recusa ao aperfeiçoamento. O acomodado.

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