Como o vento

Varro tudo!

Varro cotão e pêlo de cão. 

Varro emoções, 
aos trambolhões. 
Para um canto,
bem cá dentro. 

São palavras, palavrões, 
danças de gestos...
deambulações...

Varro tudo para um cantinho,
e faço um ninho.
Faço um ninho. 

Quando o tempo assim permite,
e me deito a descansar
nesse ninho de novelos
resgatados do ar,
então ponho-me a fiar.

Fio, fio, fio tudo.
Fio tudo bem fininho,
num cordel de recordações:

Memórias processadas...
Rearranjos...
Reciclados,

Naquilo que vou sendo:
uma manta de retalhos 
deambulando ao vento.

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