Platão no Matrix

"No interior de uma gruta, uns indivíduos permanecem acorrentados de costas para uma fogueira chamejante. Os reclusos só vêem o movimento das sombras projectadas sobre as paredes da caverna, e essas sombras constituem a sua única realidade. Finalmente, um deles liberta-se da clausura e aventura-se a sair da caverna, rumo ao mundo que se estende para além das hipnóticas projeções. Neste relato há um belíssimo convite à dúvida, à não conformação com as aparências, à quebra das amarras e ao abandono dos preconceitos para olhar para a realidade de frente. A saga cinematográfica Matrix adaptou a mensagem rebelde desta alegoria ao mundo contemporâneo da realidade virtual, da aldeia mediática, dos mundos paralelos da publicidade e do consumismo, dos boatos da Internet e das autobiografias maquilhadas que fabricamos para as redes sociais."


Irene Vallejo, O Infinito num Junco [pag 209]

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