O que tenho para dizer

O que tenho para dizer,
permanece pairando no espaço  subcutâneo,
aguardando a folga de um poro.

O que tenho para dizer,
paira como loucas folhas redemoinhando no ar,
sem eira nem beira,
como que aguardando um forte sopro de vento,
que as guie numa direcção qualquer.

O que tenho para dizer,
carece de organização.
Espera no limbo do reino do tácito,
como um significado que ainda não encontrou o seu significado.

O que tenho para dizer,
flutua num caldo visceral que,
intermitentemente e sistematicamente,
insiste em forçar caminho,
na forma de ondas de ansiedade.

O que  tenho para dizer,
aguarda uma boleia.

27 Março 2022




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