"– Não sei. Não sei porque foi.
– Só me lembro de te ver dar um salto de repente e perguntares "Já tiveste uma irmã?" e quando ele disse que Não, atiraste-te a ele. Reparei que não tiravas os olhos dele, mas parecia que não estavas a ligar a nada do que se dizia até ao momento em que deste um salto e lhe perguntaste se ele tinha alguma irmã.
– Ora, ele tinha começado com os seus trocadilhos, como de costume – disse o Shreve –, a gabar-se das suas conquistas. Tu sabes como é: como ele faz sempre que há raparigas, para elas não perceberem bem do que se está a falar. Tudo subentendidos e mentiras e uma data de histórias sem sentido. A falar-nos duma gaja qualquer com quem combinou encontrar-se num baile em Atlantic City e que deixou pendurada porque resolveu ir para o hotel dormir e os remorsos que sentiu por estar ali na cama e ela no pontão à espera dele, sem ninguém para lhe dar o que ela queria. A falar da beleza do corpo e do triste fim a que conduz e da má sorte das mulheres que não podem fazer mais nada senão passar a vida deitadas de costas. Não sei se estás a ver. Tipo Leda no bosque, a gemer e a chorar pelo cisne. O filho da puta. Eu também lhe dava. Só com uma diferença: eu agarrava na cesta do vinho que ela trouxe e dava-lhe com ela na cabeça como se fosse minha."
O som e a Fúria, William Faulkner [pg155]

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