impérios de ficções

"É assim que a História se desenrola. As pessoas tecem uma teia de sentido, acreditam nela de todo o coração, mas mais cedo ou mais tarde a teia desfaz-se e, quando olhamos para trás, não percebemos como é que alguém pode ter levado aquilo a sério. A esta distância, ir para uma cruzada na esperança de ganhar um lugar no Paraíso parece uma loucura. A esta distância, a Guerra Fria parece uma loucura ainda maior. Como é que há trinta anos havia pessoas dispostas a correrem o risco de um holocausto nuclear por causa de uma crença um paraíso comunista? Daqui a 100 anos, a nossa crença na democracia e nos direitos humanos poderá também parecer incompreensível aos olhos dos nossos descendentes.
Os Sapiens dominam o mundo porque só eles são capazes de tecer uma teia intersubjectiva de sentido: uma teia de leis, poderes, entidades e lugares que existem apenas no imaginário comum. Esta teia permite que só os humanos consigam organizar cruzadas, revoluções socialistas e movimentos de defesa dos direitos humanos.
[...] Ao longo dos últimos 70 mil anos, as realidades intersubjectivas inventadas pelo Sapiens tornaram-se cada vez mais poderosas ao ponto de hoje dominarem o mundo. Será que os chimpanzés, os elefantes, a floresta amazónica e os glaciares do Ártico sobreviverão ao século XXI? Isso dependerá dos desejos e decosões tomadas por entidades intersubjectivas como a União Europeia e o Banco Mundial, entidades que só existem no nosso imaginário comum."
Yuval Noah Harari, Homo Deus

Manuel Freire - Pedra filosofal

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