As cismas são coisas terríveis!
Já na cama, preparando-se para a costumeira leitura nocturna, passou em revista as últimas horas daquele dia.
— Os padrões que criamos nas nossas cabeças! Disse para com os seus botões.
— Depois, quando há um desvio, ficamos perturbados como se de um galo latejante se tratasse!
O caso não era, certamente, digno de relevância, mas tratando-se de um desvio ao padrão que inculcara, virou cisma.
— O que fazer? Pensava.
— Enviar-lhe um SMS pedindo desculpas pela intromissão e desejando que o céu caísse na sua própria cabeça se a cisma não tivesse fundamento?
Intromissão seria de qualquer maneira, pois não tinha como certo se lhe era concedida confiança para tal manifestação de preocupação.
Mas a preocupação subsistia...
— Está tudo bem?
Era apenas isto que queria saber. Se estava tudo bem. Nada mais.
—Fiquei com a sensação que algo não estava bem...
Decidiu-se. Pegou no telemóvel, procurou o contacto e começou a escrever: "As cismas são coisas terríveis..."
Naquele momento uma bloqueadora dúvida invadiu-lhe a mente:
—Cismas com "C" ou Sismas com "S"?
Pronto! Ter que sair da cama para ir buscar o dicionário afectou eficazmente a intenção.
Voltou a colocar o telemóvel na mesa-de-cabeceira, levantou-se, foi ao escritório e pegou num par de folhas soltas e numa caneta. Regressou à cama e, após ter registado no papel o conflito de que acabara de padecer, tapou a caneta, pousou tudo na mesa-de-cabeceira e posicionou-se para dormir um sono que desejou ser o dos justos.
— Não faltarão oportunidades para lhe fazer a pergunta pessoalmente.

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