E eu que gosto cada vez mais da Filosofia!

Aquilo que me distingue, acho eu, é o que me falta.

A opção pela minha carreira é quase de certeza uma manifestação dessa falta. Com a possível excepção dos mais altos níveis da matemática pura e da física teórica, é difícil imaginar algo de mais desumano do que a filosofia. A sua adoração pela lógica em toda a sua pureza cristalina e fria; a determinação em percorrer energicamente os inóspitos e gélidos cumes da montanha da teoria e da abstracção: ser um filósofo é ser existencialmente desenraizado. Quando penso num filósofo, penso em Bertrand Russel sentado o dia inteiro na Biblioteca Britânica, durante cinco anos seguidos, a escrever o Princípia Mathematica, uma tentativa inacreditavelmente difícil e engenhosa – provavelmente falhada – de deduzir a matemática da teoria dos conjuntos.

[...] Ou então penso em Nietzsche, um aleijado itinerante, vagueando de país em país, sem amigos, sem família, sem dinheiro; o seu trabalho, depois de um promissor princípio, colhendo apenas rejeição e escárnio. E imaginem o que lhes custou a eles. Intelectualmente, Russel nunca mais foi o mesmo. E Nietzsche deu em louco – embora, há que reconhecê-lo, a sífilis possa ter tido alguma coisa a ver com o caso. A filosofia é fulminante. Os filósofos deviam receber condolências e não parabéns.
O Filósofo e o Lobo, Mark Rowlands

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