E assim vão as análises no mundo da moda


Hoje em dia, os conceitos de intimidade e de imoralidade geram debates. Numa época em que telefonamos em público, trabalhamos cada vez mais a partir de casa e “blogamos” as nossas vidas, internacionalmente, na Internet... A ligação entre a esfera pública e a esfera privada espalha-se. As fronteiras entre as limitações colectivas e a permissividade pessoal vão-se tornando indistintas. Como reacção a este fenómeno, surgem novas exigências de pensamento livre e independente. Aparecem novas posturas no que diz respeito à sedução — que vão do muito quente, ao aceitável.

E mesmo que não possam ser completamente expressadas publicamente, serão o centro de uma “válvula de escape” pessoal. Uma fuga caprichosa para um espaço privado começa a tornar-se uma necessidade para todos: imaginamos um mundo de sonho que reflecte as nossas fantasias. Desta forma, os locais tradicionalmente reservados para momentos íntimos vão revalorizar-se e expor-se a todos. Do mundo virtual ao lar físico, a capacidade sedutora e a imaginação, de todos, revela-se sem complexos!

Esta abertura da esfera privada oferece-nos a oportunidade para nos colocarmos “em palco” sob a forma como gostamos de ser vistos. Na era da auto-invenção, criamos micro ficções onde o emprego do artifício e do excessivo torna possível o destaque pessoal. A sedução é expressa como um cenário — onde os padrões clássicos são distorcidos — recriando um “mostruário” irresistível para o eu. Para preencher esta necessidade muito real pela permissividade e pela liberdade, os referenciais são agitados, muito especialmente, através da mistura de referências tradicionais com atitudes sedutoras modernas e ousadia.

Cresce a ideia de um mundo único e pessoal e da sensualidade auto determinada — ao mesmo tempo que crescem os meios para comunicá-la. Na Internet, inúmeros blogs funcionam como diários pessoais.

As fantasias são expostas a nível mundial, graças à nova tecnologia. Um fenómeno que actualiza, de forma radical, os clichés clássicos da sedução. Hoje em dia abraçamos a “sedução digital” — onde todos têm a liberdade de “brincar” com as normas do politicamente correcto do passado.

Novas formas de escapismo e de leveza, que nos permitem recriar um pouco de mistério no dia-a-dia das nossas vidas.



Cristal Bar, Hong Kong, por Katrin Olina

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