
Victor Moscoso
Contudo, se levarmos em consideração todos os mecanismos fisiológicos supracitados, a situação de pessoas durante respiração holotrópica assemelha-se muito provavelmente à que sucede em montanhas altas, onde há menos oxigénio e o nível de CO2 sofre um decréscimo mediante respiração acelerada compensatória. O córtex cerebral, sendo a parte mais jovem do cérebro de um ponto de vista evolutivo, é geralmente mais sensível a uma série de influências (tal como álcool e anóxia) do que as partes mais antigas do cérebro. Assim, esta situação causaria inibição das funções corticais e actividade intensificada nas partes arcaicas do cérebro, tornando os processos inconscientes mais disponíveis.
É interessante que muitos indivíduos, e culturas inteiras, que viveram em altitudes extremas fossem conhecidos pela sua espiritualidade avançada. Neste contexto podemos pensar nos ióguis dos Himalaias, nos budistas tibetanos e nos incas peruanos. É tentador atribuir isso ao facto de, numa atmosfera com menor teor de oxigénio, terem fácil acesso a experiências transpessoais.
[...] Em qualquer caso, vai uma grande distância desde a descrição das alterações fisiológicas no cérebro até à gama extremamente rica de fenómenos que a respiração holotrópica induz, tais como identificação experiencial autêntica com animais, visões arquetípicas ou memórias de vida passada. Esta situação é similar ao problema dos efeitos psicológicos do LSD. O facto de ambos estes métodos poderem induzir experiências transpessoais em que há acesso a novas informações exactas sobre o universo mediante canais extra-sensoriais mostra que estes conteúdos não são armazenados no cérebro.
Aldous Huxley após ter experienciado estados psicadélicos, chegou à conclusão de que não é possível que o nosso cérebro seja a fonte destas experiências. Sugeriu que este funciona mais como uma válvula redutora que nos escuda de um input cósmico infinitamente maior. Conceitos tais como "memória sem um substrato material" (von Foerster 1965), os "campos morfogenéticos" de Sheldrake (Sheldrake 1981) e o "campo psi" de Laszlo (Laszlo 1993) conferem importante sustentação à ideia de Huxley e tornaram-na cada vez mais plausível.
A Psicologia do Futuro, Stanislav Grof
A privação de oxigénio e a consciência
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